Brasil das Águas apresenta os resultados preliminares das análises à Ministra

Após percorrer 120.000 km, o Projeto Brasil das Águas termina com sucesso a fase de coleta e apresenta os resultados preliminares das análises à Ministra do Meio Ambiente O projeto Brasil das Águas terminou com sucesso a fase de coleta de amostras que

  
  

Após percorrer 120.000 km, o Projeto Brasil das Águas termina com sucesso a fase de coleta e apresenta os resultados preliminares das análises à Ministra do Meio Ambiente

O projeto Brasil das Águas terminou com sucesso a fase de coleta de amostras que formam a base de um abrangente levantamento da qualidade das águas doces do Brasil.

Na quarta-feira, dia 15 de dezembro, Gérard e Margi Moss, Prof. Tundisi do IIE-São Carlos e Drs. Maurício Fontes e Raphael Fernandes da UVF estiveram em Brasília para apresentar os resultados preliminares das análises à Ministra do Meio-Ambiente, Sra Marina Silva, e ao Diretor-Presidente da Agência Nacional de Águas, Dr Jerson Kellman.

Desde seu início, em outubro de 2003, o projeto passou por 1.170 pontos de amostragem em rios, represas e lagos espalhados por todo o território nacional, trazendo para análise mais de 5.900 amostras de água.

Todas as regiões hidrográficas foram amostradas, utilizando-se pela primeira vez a mesma metodologia em todo o país. Concluídas as análises de laboratório, teremos em mãos um estudo inédito e atualizado da situação dos recursos hídricos da nação.

O grande diferencial deste trabalho, que tornou possível a coleta das amostras em escala nacional em pouco mais de um ano, é o método inovador de captação da água. Idealizado pelo aviador Gérard Moss, o projeto utilizou um avião anfíbio equipado com um laboratório aéreo, pioneiro no mundo, desenhado e montado pela própria equipe do
projeto.

Somente um avião tem a capacidade de alcançar os cantos mais distantes de um país como o nosso que, além das proporções continentais, possui 12% de toda a água doce acessível do planeta.

No decorrer dos últimos 14 meses, o avião, pilotado por Moss, voou aproximadamente 120.000 km em busca das amostras, uma distância superior a duas voltas no nosso planeta pela Linha do Equador.

O reconhecimento da essência do projeto, que combina pesquisa cientifica, tecnologia inovadora e ação social,veio em novembro passado, quando o Projeto `Brasil das Águas` venceu o prêmio von Martius edição 2004, o mais prestigiado e concorrido prêmio ambiental do Brasil, na categoria Natureza.

Tecnologia inédita

O Brasil das Águas se destaca pela tecnologia inédita. O avião da expedição é a primeira aeronave no mundo certificada para coleta e análise de água e usa um sistema de captação desenhado pela própria equipe do projeto.

O avião capta amostras de água em vôos rasantes sobre a superfície do corpo d`água e os dados são processados pelo computador de bordo de fabricação da empresa Atos, 100% brasileira.

Certas características físico-químicas (como pH, temperatura, condutividade, turbidez) são registradas imediatamente pela sonda multiparamétrica,fornecida pela Hexis, instalada a bordo.

Cada amostra de água recolhida é subdividida para análises posteriores por pesquisadores no Instituto Internacional de Ecologia (IIE) em São Carlos (SP), a UFRJ e UFV.

Perfil

Engenheiro mecânico por formação e piloto por paixão, Gérard Moss acumulou mais de 4.000 horas de vôo em monomotor, incluindo duas voltas ao mundo. Na última, em 2001, ele realizou a primeira circunavegação num
motoplanador e aproveitou para colher dados sobre a poluição do ar.

A preocupação com o meio ambiente ia aumentando no decorrer dos anos ao constatar a devastação dos recursos naturais. No projeto, ele viaja acompanhado pela mulher, Margi, que é a fotógrafa da expedição e responsável pelo manuseio meticuloso das amostras.

ALGUNS RESULTADOS PRELIMINARES

Análise de Nutrientes na Água (Estado Trófico das Águas) por Dr. José Galizia Tundisi e Dr. Donato Seiji Abe - IIE, São Carlos, SP.

1) Nas regiões Norte e Centro-oeste, principalmente no que diz respeito aos grandes rios Tapajós, Araguaia e Xingu, com algumas exceções pontuais (como nas proximidades das cidades de Caseara, Pontal do Araguaia, Aragarças e Barra do Garças), foram encontrados níveis baixos de nutrientes, indicando que esses sistemas se
encontram, ainda, em bom estado de conservação.

2) Na região Nordeste foi encontrado um elevado número de pontos com altas quantidades de nutrientes, acima da média nacional. Mais especificamente no Rio Paraíba e em alguns segmentos do São Francisco.

Neste último, averiguou-se que todos os seus reservatórios (entre eles as represas do Sobradinho, Itaparica, Paulo Afonso e Xingó) apresentaram, em algum ponto, concentrações elevadas de nutrientes - tipicamente devido à descarga de esgotos domésticos não tratados ou impactos da irrigação.

Acreditamos que esses resultados acima da média tenham sido provocados devido à relação entre a densidade demográfica e um menor volume de água presente na região. Por outro lado, o Rio Parnaíba se destacou na região pelos baixos índices de nutrientes e pela boa qualidade.

3) No Rio Amazonas foi encontrado um nível surpreendentemente alto de nutrientes, que poderiam estar indicando descarga de esgoto doméstico ou impactos das atividades de irrigação - o que é muito improvável nessa região.

Uma quantidade elevada de nutrientes nem sempre significa água de má qualidade. Mas qual seria a explicação? Infelizmente, será necessária uma maior investigação para se descobrir isso, podendo ter a ver com as raízes da água saindo dos Andes.

4) Pantanal - acreditamos que o elevado uso de fertilizantes nas lavouras de soja nas terras mais altas, os dejetos resultantes da pecuária e o lançamento de esgoto sem tratamento em rios como Miranda, Aquidauana e
Paraguai tenham causado os tristes resultados para essa região.

5) Na Região Sudeste e bacia do Paraná, as coletas sucessivas ao longo do Rio Tietê, que na Grande São Paulo é praticamente um esgoto a céu aberto, revelam a grande capacidade de recuperação do rio.

Em certos municípios, como Araçatuba, que fica mais abaixo no curso do rio e onde há um louvável esforço no tratamento de esgoto, os níveis de nutrientes são significativamente mais reduzidos.

Efeito semelhante foi visto no Rio Iguaçu. Saindo de Curitiba, os níveis de nutrientes estão muito elevados,e caem consideravelmente na parte mais baixa do rio,próximo ao Parque Nacional.

6) Na Região Sul, rios como o Itajaí e o Rio do Peixe também apresentaram índices relativamente elevados. No Rio Grande do Sul,uma boa surpresa. Em Porto Alegre, onde 77% do esgoto é tratado (bem acima da média nacional de 20%), o Rio Guaíba demonstrou qualidade da água moderada, não evidenciando um aporte significativo de esgoto pela cidade.

O Rio Uruguai apresentou estado moderado de conservação. Infelizmente, outros como a Lagoa do Casamento, Rio Caí, Rio dos Sinos, entre outros, apresentaram níveis relativamente elevados de contaminação.

Análise da presença de algas como indicador da qualidade da água -Doutora Vera Huszar, UFRJ.

1) As regiões onde foi detectada a maior presença de cianobactérias (algas azuis) POTENCIALMENTE tóxicas foram os reservatórios do rio São Francisco e o rio Tocantins.

Especialmente destacamos as águas represadas do São Francisco, como estando em estado mais avançado de degradação face à maior ação do homem e ao clima semi-árido da região, os quais favorecem o crescimento destas algas.

Já o rio Tocantins conta com a presença destas cianobactérias, mas ainda em pequena quantidade. Caso ocorra ação humana sem cuidado, por exemplo com o destino e tratamento adequado dos esgotos de cidades, o rio Tocantins e seus reservatórios poderão também vir a ter florações destas algas potencialmente tóxicas.

2) Acreditamos também que deva existir relação entre as elevadas concentrações de cianobactérias nos reservatórios que foram alagados sem antes realizar a retirada da vegetação.

3) O Rio Araguaia destacou-se por ter apresentado uma alta riqueza de espécies (=alta biodiversidade), bem acima da média nacional analisada até o momento neste projeto).

4) Estima-se que, até o final do projeto, sejam registradas aproximadamente 1000 espécies diferentes de micro-algas que flutuam nos rios, lagos e reservatórios estudados (=fitoplâncton). Isso pode representar ¼ das espécies de algas do plâncton em águas continentais de todo o mundo de acordo com estimativas existentes na
literatura. Esse é um item que gostaríamos de destacar.

Análise da presença metais pesados - Prof. Raphael Bragança Alves Fernandes e Prof Maurício Paulo Ferreira Fontes

1)Nos rios Madeira, Purús, Tocantins,Araguaia e Parnaíba foram encontrados teores de cádmio superiores ao permitido pela legislação.

2)Da mesma forma foram encontrados em alguns pontos dos rios Tapajós, Xingu e Tocantins níveis de níquel acima do ideal.

3)Surpreendentemente, mais de dez pontos de amostragem no rio Amazonas apresentaram concentrações de chumbo acima do esperado.

Para interagir não somente com o meio acadêmico como também com o público em geral, o site do projeto disponibiliza, para todos, os resultados das pesquisas.

No `Mapa das Águas`, qualquer pessoa acessa os resultados das análises através de um Sistema de Informações Geográficas (SIG), combinação de software, hardware, imagens de satélite e bancos de dados.

É possível acessar gratuitamente não apenas detalhes sobre a expedição, mas também visualizar as peculiaridades dos locais analisados. O SIG permite navegar por imagens de satélite sobre todo o Brasil, visualizando dados geopolíticos, gráficos, tabelas e fotografias.

O Brasil das Águas está sendo realizado graças ao apoio de empresas brasileiras que se sensibilizam com as questões ambientais e a sua importância para o equilíbrio do nosso ecossistema, no presente e no futuro.

O patrocínio-master é da Petrobras e o co-patrocínio da Embratel. O projeto tem, ainda, parcerias com a Agência Nacional de Águas (ANA), a Companhia Vale do Rio Doce, a Rede Globo e a Chubb Seguros. O combustível é
fornecido pela Petrobras Distribuidora S/A.

Fonte: Comunicação Projeto Brasil das Águas

  
  

Publicado por em

Marcos |Macedo

Marcos |Macedo

10/10/2008 10:00:41
Gostaria de saber sobre o avião. Marca, modelo, fabricante, país de origem, desempenho, licença, capacidade de carga, autonomia, etc

Obrigado

Equipe EcoViagem

Equipe EcoViagem

Olá Marcos Somos o EcoViagem, e infelizmente não temos a informação que precisa. Mas recomendo que você entre em contato com a Margi Moss, pelo site oficial do projeto: [[http://www.brasildasaguas.com.br/ forte|]] abraço. Marcelo Maestrelli EcoViagem