Brasil inaugurou o mais profundo tanque oceânico do mundo

No dia 30 de abril foi inaugurado no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro o tanque oceânico mais profundo do mundo e o maior da América Latina.O tanque é resultado de um projeto quase inteiramente financiado pela FINEP, com recurso

  
  

No dia 30 de abril foi inaugurado no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro o tanque oceânico mais profundo do mundo e o maior da América Latina.O tanque é resultado de um projeto quase inteiramente financiado pela FINEP, com recursos do fundo setorial CT-Petro.

O projeto consumiu cinco anos de trabalho de um grupo de profissionais da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ) e de técnicos da Petrobras que, em 1998, idealizaram um laboratório dedicado exclusivamente à pesquisa em engenharia offshore.

A construção consumiu até agora R$ 16 milhões, dos quais 94% foram financiados pela FINEP/CT -Petro.Instalado na Ilha do Fundão, o tanque oceânico comporta 23 milhões de litros de água e é um dos mais modernos do mundo, com dimensões de 40 metros de comprimento, 30 metros de largura, 15 metros de profundidade e um poço central com 10 metros adicionais.

“Com sua inauguração o Brasil estará no mesmo patamar tecnológico de outras unidades existentes no exterior, como os de Marin, na Holanda, Marintek, na Noruega e o OTRC-Texas, nos Estados Unidos”, destaca o secretário estadual de Energia, da Indústria Naval e do Petróleo, Wagner Victer.

Equipado com sistemas capazes de reproduzir ondas, ventos e, numa segunda etapa, correntes marinhas, o laboratório experimental possibilitará a realização de ensaios de modelos de estruturas e equipamentos usados nas atividades de exploração e produção de petróleo e gás em águas profundas.

A simulação em escala reduzida das condições de operação de estruturas oceânicas viabilizará a avaliação dos novos projetos desenvolvidos para campos de óleo e gás em regiões oceânicas de grande profundidade.

Atualmente, os testes, em grande parte, são efetuados no exterior, gerando divisas para outros países. Com a quebra do monopólio e a inclusão das maiores empresas de exploração de petróleo disputando o mercado nacional, a estimativa é de que haja um crescente aumento na demanda por esse tipo de teste. Em função de suas características altamente especializadas, o mercado de atuação tende a ser fortemente internacionalizado.

O tanque oceânico vai disputar com vantagem o interesse identificado em outros países sul-americanos, principalmente, Argentina, Venezuela, Equador e Chile.

Segundo explica um dos responsáveis pelo projeto, o professor da Coppe-UFRJ, Carlos Antônio Levi da Conceição, além de ativar o mercado estadual e a criação de novos empregos, o Brasil não vai precisar mais ficar na fila de espera, dependendo de datas disponíveis, já que os usuários preferenciais dos tanques são as empresas do próprio país. Isso sem falar na economia dos custos, que giram em torno de US$ 1 milhão mensais.

O coordenador do CT-Petro, Rogério Medeiros, lembra que acidentes em alto-mar, sendo o último e mais dramático o da plataforma P-36, em Campos, que foi a pique levando investimentos de US$ 500 milhões, poderiam ser evitados se o Brasil já tivesse construído o tanque oceânico.

Uma de suas principais vantagens é a de que a simulação em escala reduzida das condições de operação de estruturas oceânicas (navios e plataformas) produz os resultados mais confiáveis para a avaliação de desempenho, que exige equipamentos bastante especializados, desenvolvidos para serem utilizados especificamente na exploração do petróleo ou de outros recursos naturais oceânicos.

Além das atividades principais, algumas outras atividades secundárias podem ser naturalmente incluídas entre as potenciais aplicações do tanque oceânico:

-Testes de Manobras de Modelos de Navios e Submarinos;

-Testes de Modelos/ Protótipos de Pequenos Veículos Submersíveis (tipo ROV – Remote Operated Vehicles, etc.);

-Treinamento de Pessoal de Mergulho; Treinamento de Pessoal de Operação de ROV, entre outras.

Sobre o CT-PETROO CT-Petro é um fundo setorial composto por uma parcela dos royalties arrecadados com a produção de petróleo e gás natural (dos 5% que ultrapassam o valor da produção, 25% são destinados ao CT- Petro).

Os recursos repassados ao setor petrolífero nacional totalizaram R$ 405, 3 milhões nos últimos três anos. Desde a criação do CT- Petro, em 1999, foram contratados, por meio de oito editais e outras ações, mais de mil projetos de pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e formação de recursos humanos.

Além do tanque oceânico, outro projeto importante também apoiado pelo CT-Petro é o Tanque de Provas Numérico (TPN), desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP). Pesquisadores e engenheiros brasileiros montaram um tanque de provas para instalações petrolíferas, incluindo vento, ondas e correntes marítimas, dentro de um computador.

Trata-se de um simulador de estruturas flutuantes para a exploração de petróleo e gás em ambientes marítimos.Outra área estratégica do CT-Petro refere-se ao meio ambiente. Um dos maiores desafios do setor petrolífero é o de manter o crescimento da produção de petróleo sem prejudicar o meio ambiente.

O Monitoramento Ambiental em Atividades de Perfuração Exploratória Marítima – MAPEM, realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em parceria com o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás, que representa 15 grandes empresas do setor petrolífero, está para concluir levantamento dos riscos ambientais envolvidos na atividade de extração marítima do petróleo.

Fonte: Ass. Imprensa da Finep

  
  

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