Crianças defendem a preservação da água para o futuro

Por: Sabrina Mello O auditório do parque Cemucam, em Cotia, na grande São Paulo, ficou tomado por mais de 200 crianças e adolescentes na tarde desta segunda-feira (17). O motivo: a primeira plenária oficial do Fórum Social das Águas – após a cerimônia de

  
  

Por: Sabrina Mello
O auditório do parque Cemucam, em Cotia, na grande São Paulo, ficou tomado por mais de 200 crianças e adolescentes na tarde desta segunda-feira (17). O motivo: a primeira plenária oficial do Fórum Social das Águas – após a cerimônia de abertura, no domingo - foi dedicada às vozes dos pequenos. Alunos envolvidos em trabalhos ambientais testemunharam suas experiências em defesa da água. Os professores da rede escolar também deram depoimentos emocionados, relatando o entusiasmo dos estudantes com a questão ambiental a partir da vivência escolar.

Maria Lívia Cabral, uma menina de dez anos mostrou exemplo a crianças e adultos que a ouviam na platéia. Ela criou uma organização não-governamental chamada Mingau (Movimento Infantil dos Guardiões da Água do Universo), que atua em Campos de Jordão, sua cidade de origem. "Devemos declarar ‘guerra’ à hipocrisia dos adultos que nos dão exemplos de degradação ambiental", disparou a pequena menina. "Ao invés de os adultos fazerem reuniões trancados entre quatro paredes, devem que começar a agir para mudar a nossa realidade."

O estudante Guilherme Abrão, de 13 anos, também segue um caminho semelhante ao de Maria Lívia. Ele veio de Estiva, uma localidade com 10 mil habitantes em Minas Gerais, em busca de assistência para a fundação de sua ONG. Sua principal preocupação é com a contaminação das águas de sua cidade devido ao uso de agrotóxicos. Um dos principais produtos de Estiva é o morango, uma fruta considerada de difícil cultivo, aumentando o uso de agrotóxicos pelos agricultores. "Nós queremos encontrar a melhor forma para conversar com os diferentes grupos da nossa comunidade e dizer que nós estamos todos interferindo no nosso ambiente." A idéia de Guilherme, é a partir de um diálogo aberto, sensibilizar as pessoas para a importância vital da água e para os riscos da contaminação. "Assim como o governo dos EUA quer dominar o Iraque pelo petróleo, um dia eles podem querer dominar o Brasil, que é tão rico em água. Por isso temos que estar unidos para proteger os nossos recursos", destacou o menino.

As crianças trouxeram esperança e inspiração ao público do Fórum Social das Águas na tarde desta segunda-feira. "Os especialistas no Japão estão dizendo que no ano de 2050 as pessoas não vão ter acesso à água. As crianças que hoje têm dez anos como eu, terão 60. Será que eu vou ter que lutar por toda a minha vida? Parece que sim. Por isso nós fundamos a Mingau. Nós já começamos."

O saber para um mundo sustentável

A plenária da noite sobre "O saber para um mundo sustentável" reuniu comunicadores, escritores, geógrafos e ambientalistas. O jornalista Hermes Ribeiro, falou sobre as dificuldades da era de informação - onde o excesso de informações muitas vezes resulta em superficialidade e torna difícil ao profissional saber buscar o conhecimento profundo sobre os temas de interesse social e ambiental. Para ele, a busca desse conhecimento "é necessária, mas não é suficiente". "Muitas pessoas sabem fazer grandes diagnósticos da realidade, mas não sabem agir para mudá-la. O desafio é transformar o nosso conhecimento em atitudes. Hoje, há muitos recursos de informação e muitos pensadores, mas poucos militantes."

O escritor e jornalista Luís Paezê, lembrou que, ainda hoje os homens conservam hábitos da idade média. "Se naquele tempo tínhamos pressa para o progresso, agora a nossa pressa está destruindo o mundo". Na verdade, hoje nós sabemos mais, mas o conhecimento não faz de nós pessoas mais ambientalmente incluídas.

O cineasta argentino Fernando Ramirez, que chegou ao Brasil para o Fórum Social Mundial e estendeu sua estada para documentar o Fórum Social das Águas, declarou é preciso mudar a ‘agenda cultural’ existente, que é partilhada entre muitos lugares do planeta e reproduzida pela mídia. "Nós temos que quebrar essa realidade e mostrar às pessoas o que não está sendo dito nesta ‘agenda’, defende. A ‘quebra da agenda’ também é o lema dos movimentos sociais no Fórum Mundial do Japão. Cabe perguntar, neste caso, porque o programa do evento apresenta a privatização da água como a única solução aos problemas de acesso à água no mundo.

Wagner Costa Ribeiro, doutor do departamento de geografia da Universidade de São Paulo (USP) criticou a pauta do encontro do Japão. "O Banco Mundial dizia que até o ano 2025 faltaria água na Terra. Agora, no Japão, eles dizem que em 2050 faltará água. Eu me pergunto: porque eles transferiram a informação para 25 anos mais tarde? Isso não é novidade para nós. Já sabemos como é a falta de água em países pobres. O que eles estão dizendo agora, é que vai faltar água para os países ricos também." Segundo Ribeiro, o objetivo do Banco Mundial, lançando estas estimativas, é se apresentar como fonte de financiamento permanente para qualquer local que possa estar desesperado por água hoje ou nos próximos 50 anos. Uma fórmula lucrativa para projetar o uso da água num futuro não muito distante.

Fonte: Movimento Grito das Águas

  
  

Publicado por em

Pedro

Pedro

23/10/2008 23:48:28
e como nosso mundo ta hoje, isso e necessario

Carmem

Carmem

20/09/2008 23:48:21
PENSO QUE O ASSUNTO É GRAVISSIMO, QUE NOSSO GRITO NÃO É OUVIDO PELOS NOSSOS GOVERNANTES,MUITO PELO CONTRARIO ELES ATÉ INCENTIVAM O SEQUESTRO DAS AGUAS, É O QUE OCORRE AQUI NA NOSSA REGIÃO. SOBRE UM PEQUENO RIO CHAMADO CARREIRO ,GUAPORE RS O GOVERNO FEDERAL RESOLVEU INSTALAR 6 USINAS HIDRELETRICAS EM 60 KM DE RIO O RIO QUE ERA DE CORREDEIRAS E DE AGUA LIMPA POR CAUSA DAS QUEDAS FICARA VIRADO EM GRANDE LAGO DE AGUA PARADA E PODRE EO PIOR CADA USINA TEM POR PERTO A CAPTAÇÃO DA AGUA QUE ABASTECE AS CIDADES. TEMOS UMA ONG QUE NOS AJUDA, MAS ELES VEM COM TUDO EO QUE PARECE NÃO E NECESSIDADE DE ENERGIA ELETRICA E SIM HÁ INTERESSE NA AGUA DO RIO E QUEM DEVERIA DEFENDER A AGUA QUE É A CORSAN EA FEPAM SE VENDEM PARA O CAPITAL EXTRANGEIRO TUDO POR GANANCIA. TENHO NOJO DE VIVER NESTE MUNDO. ACHO QUE LOGO OS ESTRANGEIROS IRÃO VENDER NOSSA AGUA PARA NÓS MESMOS. O MUNDO É PODRE OU MELHOR AS PESSOAS MÁS FAZEM O MUNDO PODRE.TENHO PENA DE NOSSAS CRIANÇAS E JÁ CHORO POR ELAS,POIS VEJO UM FUTURO NEGRO EM SE TRATANDO DA AGUA E EM SABER DO QUE OS EUA É CAPAZ DE FAZER PARA PEGAR PARA SI O QUE É DOS OUTROS. ESPERO COM FÉ QUE DEUS DÊ UM JEITO NELES ANTES QUE ELES DEEM UM JEITO EM NÓS.