Divergência marca o início do Fórum Mundial das Águas

Por: Carlos Tautz - tautz@ecoagencia.com.br O Terceiro Forum Mundial das Águas começou ontem em Quioto, no Japão, sob a marca da divergência. De um lado estão as agências multilaterais de financiamento, promotoras do evento, que estimulam investimento

  
  

Por: Carlos Tautz - tautz@ecoagencia.com.br

O Terceiro Forum Mundial das Águas começou ontem em Quioto, no Japão, sob a marca da divergência. De um lado estão as agências multilaterais de financiamento, promotoras do evento, que estimulam investimentos privados para atender a mais de 2,4 bilhões de pessoas que em todo o mundo não têm saneamento. De outro, ficam as organizações não- governamentais que defendem que o acesso a uma cota mínima de 50 litros de água por dia seja declarado como um direito de todos os seres humanos.

"Água potável é um direito humano e não apenas uma necessidade", ressalta a advogada Maude Barlow, diretora da organização não governamental canadense Conselho de Cidadãos. "Essa não é somente uma diferença semântica. Necessidades podem ser supridas por empresas privadas que cobram caro pela prestação desse serviço e passam a ser proprietárias dos recursos hidricos. Mas, direitos são inegociáveis. Precisam ser respeitados", afirma. Maude é uma das líderes do movimento por uma nova ordem internacional dos recursos hidricos e as cotas mínimas.

O Brasil vai defender no Fórum uma terceira posição, segundo o secretario de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Josco Bosco Senra. O Pais sustenta que o líquido é um "bem social", sobre o qual as nações devem exercer sua soberania.

A mudança de paradigma sobre a propriedade e gestão dos recursos hídricos reflete a contestação internacional da globalização. As duas edições anteriores do Forum aconteceram no Marrocos (1997) e na Holanda (2000), quando as propostas de privatização e desregulamentação orientavam governos e investidores.

Mas, em 2000, a ONU aprovou oito Metas de Desenvolvimento do Milênio, que prevêem a redução da miséria até 2025, e declarou 2003 o Ano Internacional da Água Potável. As duas decisões estimularam ONGs a defenderem o acesso à água de boa qualidade como direito de qualquer pessoa - o que a própria ONU faz apenas formalmente.

Em paralelo, aprofundou-se a chamada "crise global da agua", uma complexa e trágica combinação de poluição dos mananciais, desperdicio na distribuição e uso final, e privatização dos recursos hídricos. A crise levou ecologistas a afirmarem que a questão hídrica é um problema ambiental tão grave quanto o das mudanças climáticas. Por coincidência, a cidade que se realiza o Forum é a mesma em que foi assinado o acordo internacional para redução de emissão de gases causadores de Efeito Estufa, o Protocolo de Quioto, em 1997.

A ONU avalia que os 50 litros de água é o mínimo que atende às exigências diárias de cada ser humano: cinco litros para ingestão direta; 20 para higiene e saneamento; 15 para banho; e 10 para preparação dos alimentos. As Nações Unidas querem diminuir à metade, até 2015, o percentual da população do globo que não tem acesso a pelo menos esses volumes diários.

A forma de atingir essa meta é o grande nó do Fórum. Maude Barlow denuncia que grandes corporações, principalmente européias, valem-se desses direitos (ou "necessidades") para controlar a propriedade e os meios de distribuição da água potável no planeta.

Essas corporações receberiam o apoio do Banco Mundial (Bird), do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Organização Mundial do Comércio (OMC), para imporem aos países em desenvolvimento um modelo de fornecimento de água que tira das comunidades locais a capacidade de gestão de seus recursos hídricos.

Um dos alvos das críticas das ONGs, o Banco Mundial divulga hoje a sua nova política para financiamento de empreendimentos hídricos. Ian Johnson, vice-presidente do Banco para desenvolvimento sustentável, vai anunciar que a entidade aumentará o volume de recursos destinados a projetos relacionados à agua, como geração de energia, saneamento e irrigação, que já consomem 17% do orçamento do Banco.

Outro objeto de critica das ONGs é o documento "Financiando água para todos", elaborado pelo ex-diretor-executivo do FMI, Michel Camdessus, para o Conselho Mundial das Águas (CMA), uma espécie de ONG das agências multilateriais como a OMC e o Bird. O texto de Camdessus propõe medidas financeiras para viabilizar os serviços de água, mas não faz referência à cota mínima.

Esse fato preocupa o americano Patrick McCully, diretor da Rede Internacional de Rios (IRN, por sua sigla em inglês), um coletivo internacional de ONGs que conseguiu impedir que o Eximbank dos Estados Unidos financiasse a construção da megahidrelétrica chinesa Três Gargantas. "Por trás da proposta de Camdessus está a defesa da privatização", ataca MacCully. Segundo ele, o texto vai servir de base informal para o Forum de Quioto e para a reunião do G-7, que acontecerá em junho na cidade francesa de Evian. Esta, a propósito, também é uma das marcas de água mineral mais consumidas na França.

Fonte: EcoAgência de Notícias - www.ecoagencia.com.br

  
  

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Andressa

Andressa

30/04/2012 12:39:40
Acho que se cada um ajudasse cuidar do planeta, a água não acabaria, mas no futuro iremos sofrer com as consequências.

Emili

Emili

02/11/2011 15:43:18
Nós temos que cuidar mais do nosso Planeta!

CARMEM

CARMEM

14/04/2009 22:03:35
É MUITO TRISTE SABER QUE NOSSOS RIOS ESTÃO COM SEUS DIAS CONTADOS. EM 2003, QUANDO AQUI COMEÇOU A GUERRA PELA ÁGUA QUE ABASTECE A CIDADE DE GUAPORÉ,(ISTO É TOMARAM O RIO CARREIRO COM O PRETESTO DE CONSTRUIR 6 USINAS, PARANDO NOSSA ÁGUA COM VÁRIAS BARRAGENS) NAQUELA ÉPOCA EU JÁ DIZIA QUE A INTENÇÃO SERIA PEGAR O NOSSO OURO AZUL E TRANSFORMÁ-LO EM VERDINHAS, PIOR QUE EU ESTAVA CERTA. POR QUE NINGUÉM NOS ESCUTA? MUITAS VEZES JÁ PENSEI QUE SERIA ATÉ BOM QUE REPENTINAMENTE NOSSA AGUA EVAPORE PARA FORA DO PLANETA AO MENOS TODOS MORRERIAMOS JUNTOS E COM SEDE.JUSTO.

VERONICA

VERONICA

07/10/2008 19:54:16
ISSO AI E MUITO BOM PARA TODAS AS PESSOAS