Estudo mostra o risco do trabalho de mergulhadores de águas profundas

Dos países que Câmara hiperbárica de mergulho exploram petróleo em águas profundas o Brasil é o único que registra o trabalho de profissionais a mais de 200 metros. A atividade envolve alto risco, consequência das adversidades do ambiente marítimo nas pro

  
  

Dos países que Câmara hiperbárica de mergulho exploram petróleo em águas profundas o Brasil é o único que registra o trabalho de profissionais a mais de 200 metros. A atividade envolve alto risco, consequência das adversidades do ambiente marítimo nas profundidades exploradas e em função da pressão a que são submetidos.

Para avaliar as condições de trabalho dos mergulhadores que atuam na maior reserva petrolífera nacional, a Bacia de Campos, no litoral do Rio de Janeiro, o engenheiro civil Marcelo Figueiredo fez uma completa investigação sobre o dia-a-dia desses trabalhadores e sobre as estatísticas de acidentes e mortes no setor.

Figueiredo estudou o assunto, de 1997 a 2000, para defender sua tese de doutorado em engenharia de produção, área que atua até hoje. Ele é coordenador do mestrado da área na Universidade Federal Fluminense (UFF). Os dados mostram que o número de mortes, nas últimas décadas, vem diminuindo.

Foram registradas cinco óbitos na segunda metade dos anos 70, oito nos anos 80 e uma morte nos anos 90. No entanto, ele alerta para o fato de que, hoje, há poucos mergulhares em atividade, em função dos riscos da profissão.

"Os dados coletados não consideram os acidentes leves ou sem vítimas fatais”, esclarece o professor. Considerada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como a profissão mais perigosa do mundo, o mergulho em águas profundas, no Brasil, tem se destacado pela diminuição de acidentes fatais.

Isso ocorre graças à intensificação da prospecção em águas ainda mais profundas, aonde só chegam robôs operados por controle remoto. O problema fica por conta da exploração até os 320 metros, cujos serviços são realizados quase exclusivamente com intervenção humana, até porque os sistemas projetados para essas distâncias são mais antigos.

Com a tendência pela exploração em regiões cada vez mais profundas, não se investe na adaptação dos sistemas antigos. A justificativa é a falta de viabilidade econômica.Figueiredo conta também que um dos últimos acidentes ocorridos na Bacia de Campos foi no final de 93, quando um mergulhador ficou preso pela perna entre o sino, a cápsula esférica que conduz o mergulhador ao mar, e outra superfície. Ele teve o membro esmagado e agonizou por sete dias na câmara hiperbárica para poder voltar a superfície.

A câmara, onde ficam confinados, são caixas metálicas (em média são 27 m³) com beliches e banheiros, onde a pessoa permanece alguns dias respirando uma mistura de gás hélio e oxigênio e se adaptando à mudança de pressão. O mergulhador fica 28 dias sem ver a luz do Sol num espaço inferior ao de uma quitinete. Os dados justificam a tese de que o mergulho profundo gera poucos acidentes. Mas as ocorrências são complicadas. O exemplo de 93 é sempre citado, entre os petroleiros, por ter sido o mais grave.

Nesses casos, a vítima não pode sair da câmara porque não se completou o prazo para despressurização. Não há como socorrê-la e o acidentado recebe apenas medicamentos, enviados por um túnel. O mais usual é a aplicação de morfina, para conter a dor. A droga é ministrada pelos próprios mergulhadores .

O mergulho profundo, que compreende distâncias entre 50 metros e 320 metros da superfície, é sempre feito por dois mergulhadores que descem para realizar serviços de manutenção e conexão de dutos, instalação de equipamentos, soldagens, coleta de material de filmagens. São vários dias isolados de tudo.

A partir do momento em que entram na câmara hiperbárica, instalada no navio, os mergulhadores são submetidos a uma pressão atmosférica equivalente à do mar. A pressurização leva 24 horas. Da câmara, eles vão para o sino, que irá conduzi-los ao fundo mar.

Durante a intervenção, um mergulhador fica no sino e o outro no mar. Ambos estão ligados por um “cordão umbilical” para que o mergulhador que estiver no mar receba água quente, gás hélio, oxigênio etc. Os mergulhadores só podem permanecer por oito horas fora do sino.

O percurso câmara-sino-mar dura 20 dias. Na volta, a pessoa fica mais sete dias na câmara, para a despressurização, ou seja, para que volte à pressão atmosférica normal da superfície. Ao longo desses dias, o mergulhador se alimenta, dorme e toma banho normalmente, no espaço restrito da câmara hiperbárica.Não são apenas os acidentes durante as intervenções que afligem os mergulhadores. A maioria apresenta sintomas de algumas doenças e traumas que aparecem em função da pressão marítima. Os sintomas aparecem ao longo do tempo.

Os traumas por pressurização, conhecidos como barotraumas, são causados por obstruções à livre movimentação do ar nos espaços aéreos do organismo, particularmente nas cavidades aéreas cranianas e são a causa mais freqüente de acidentes.

Além disso, como o barotrauma o leva a desistir do trabalho, devido a perturbações, o mergulhador quase sempre perde o emprego por ser considerado desqualificado para o serviço. Outras doenças que acometem esses profissionais são: embolia traumática pelo ar (Eta); efeito narcótico do nitrogênio; hipotermia (queda de temperatura); intoxicação por gases; apagamento, essa provavelmente a causa mais freqüente de morte em mergulhadores; além das conseqüências à saúde mental.

O mercado de trabalho para mergulhadores profissionais é restrito. A oferta de trabalho vem diminuindo ao longo dos anos. Hoje, há cerca de 600 mergulhadores civis qualificados, sobretudo para trabalhar em águas profundas, dos quais quase 80% têm mais de 37 anos. Como se aposentam cedo, após 25 anos de atividade, há uma expectativa de carência desses profissionais no mercado.

Os grandes contratantes são empresas que fazem prospecção de petróleo e gás em plataformas submarinas. Para o exercício da profissão, é exigido o registro de mergulhador profissional na Diretoria de Portos e Costas da Marinha. Além disso, os candidatos precisam passar por cursos teóricos, oferecidos pelo Serviço Nacional de Apoio a Indústria (Senai) e pela Marinha, para ter a prática desejada pelas grandes empresas.

Segundo Figueiredo, a média atual de rendimentos de um mergulhador fica em torno de R$ 3.500 mensais, o que é considerado muito pouco diante do risco e das condições desfavoráveis do trabalho. Um ciclo de trabalho realizado a 300 metros pode render até R$ 10 mil a um mergulhador altamente qualificado. Nos meses seguintes, ele não pode voltar a mergulhar, permanecendo em terra ou em atividades de apoio e, por isso, recebe muito menos, já que não tem direito aos adicionais do desgaste orgânico.

Cada mergulhador pode fazer no máximo quatro saturações, ou seja, pressurizações externas, por ano.Por ser uma profissão de alto risco, o Ministério do Trabalho e Emprego criou, em 13 de julho de 1999, a Unidade Especial de Inspeção do Trabalho Portuário e Aquaviário e as respectivas Unidades Regionais nos portos mais importantes do país, consolidando a inspeção do trabalho portuário e incorporando a inspeção do trabalho aquaviário (marítimos, fluviários, pescadores, mergulhadores e trabalhadores em plataformas marítimas).

O trabalhador aquaviário passa, ao longo de sua vida profissional, por situações adversas. O ambiente de trabalho, atípico, tem características que se misturam ao de sua própria residência. Como fica confinado por quase um mês, o mergulhador é privado do convívio familiar por longos períodos. O trabalho, às vezes, é realizado em diferentes portos brasileiros e até estrangeiros, por isso ele fica sujeito à constante variação climática e cultural, além de ser permanentemente submetido a balanços e trepidações.

Além disso, a necessidade de prontidão para o trabalho exige que, mesmo nos momentos de descanso, a pessoa se mantenha alerta para agir em emergências ou imprevistos no navio.

Fonte: Agência Brasil

  
  

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Jonatha

Jonatha

05/07/2012 10:47:27
Queria muito fazer esse curso de mergulho raso. Gostaria de fazer agora no dia 1 de agosto, mas não vai dar por motivo de saúde, mas prometo a todos q vou fazer esse curso e vou ser um mergulhador!

Nemias o ninja

Nemias o ninja

28/06/2012 22:40:34
Na vida nada é facil, eu sou alpinista industrial e de montanha e tecnico em resgate vertical, ex.marinha mais com alma e sangue de guerreiro e tudo que e feito quando se gosta e a vocaçaõ tudo dar certo me enspiro muito no filme homems de hora. Eu estou me preparando me qualificando em breve estarei entre os melhores BRASIL ACIMA DE TUDO!!! A BAIXO DE DEUS.

ANDERSON MENDES

ANDERSON MENDES

30/12/2011 19:33:17
OLÁ A TODOS, TENHO 27 ANOS E AGORA EM FEVEREIRO DE 2012 VOU REALIZAR MEU SONHO DE FAZER O CURSO DE MERGULHADOR PROFISSIONAL RASO, LEVEI UM ANO TRABALHANDO DURO PRA JUNTAR A GRANA, QUE NÃO É POUCO SE VOCÊ ANALISAR PELO PERIODO A SE ESTUDAR, MAS ENFIM CONHEÇO TODAS AS ADVERSIDADES DA PROFISSÃO, PORÉM SEMPRE PENSEI QUE A PROFISSÃO QUE A GENTE ESCOLHE PRA SEGUIR, TEM QUE SER UMA PROFISSÃO QUE A GENTE A AME E TENHA PRAZER DE ACORDAR TODOS OS DIAS PRA DESMPENHAR O SEU PAPEL, ENTÃO DANE-SE SE EU NÃO VOU GANHAR BEM, POIS UMA MÁSCARA DE MERGULHO CUSTA UNS R$ 100,00 , UM PÉ DE PATO UNS R$ 200,00 UMA ROUPA DE MERGULHO UNS R$ 500,00 ,MAS VOCÊ MERGULHAR E VER UMA TARTARUGA MARINHA, VER UM TUBARÃO BELEIA E OS DEMAIS HABITANTES DA VIDA MARINHA, NÃO TEM PREÇO.

Jonison

Jonison

22/11/2011 15:43:14
Eu planejo fazer o curso de mergulhador profissional raso, gostaria de saber como esta o mercado de trabalho e a remuneração média.

Anderson Vettorace

Anderson Vettorace

11/11/2011 17:31:21
Tenho 18 anos e penso em fazer um curso de mergulhador de águas profundas, se tiver algum mergulhador que ja trabalhou nessa area ou tem conhecimento sobre esse assunto por favor me mande um email para trocarmos uma ideia sobre o assunto. (anderson_vettorace@hotmail.com)

Alan frança

Alan frança

05/09/2011 17:46:06
Tenho 30 anos. Será que consigo virar mergulhador?

Antonio Manoel

Antonio Manoel

18/02/2011 10:55:31
Também sou apaixonado por esta profissão, sei que perigosa mais tudo no mundo tem seu risco, e esse é um que eu quero correr.
Eu gostaria de saber qual o melhor lugar para fazer o curso e o preço também. um abraço a todos.

PACHECÃO

PACHECÃO

11/02/2011 20:06:52
ÀQUELES QUE ESTÃO PRETENDENDO ENTRAR NA ÁREA DO MERGULHO PROFISSIONAL RECOMENDO UMA REFLEXÃO. É UMA ATIVIDADE DE ALTO RISCO E POUCO REMUNERADA. SOU MERGULHADOR E FIZ DIVERSOS CURSOS INCLUSIVE NA MARINHA BRASILEIRA E PERCEBI QUE ESSA ATIVIDADE NÃO É PARA AVENTUREIRO. SE VC TIVER OUTRA OPÇÃO SUGIRO TENTÁ-LA. ESSA ATIVIDADE EXIGE PRECISÃO, CORAGEM, OBEDIÊNCIA QUASE CEGA ÀS REGRAS, VIDA RECATADA, PREOCUPAÇÃO COM A SAÚDE, CONHECIMENTO TÉCNICO,CAPACIDADE PARA TRABALHAR EM EQUIPE, ATUALIZAÇÃO PROFISSIONAL, DISTÂNCIA DAS DROGAS, CAPACIDADE DE VIVER SEMI ISOLADO, GRANDE RESISTÊNCIA ÀS FRUSTRAÇÕES. SE MESMO ASSIM VC QUISER SER MERGULHADOR, DESEJO BOA SORTE.

PACHECÃO

Raphael Thomaz

Raphael Thomaz

09/02/2010 16:48:56
Vou fazer o curso de mergulho profissional aqui na Grecia, visando trabalho no Brasil eu volto no fim do ano, quero muito seguir essa profissao.

Diego

Diego

05/02/2010 08:45:06
Estou pensando em fazer o curso profissional raso. Sei que o mercado não é "simpático", mas como pratico caça sub, e ví alguns vídeos de mergulho profissional, me apaixonei pela coisa. Vou fazer por fazer, se pintar uma oportunidade td bem. Além do mais, ao término do curso você tira um brevet duas estrelas o que pode ser utilizado também no mergulho recreativo.

Ferdinando

Ferdinando

02/02/2010 20:46:40
Eu me interessei pelo curso nao por dinheiro mas pela beleza do mar.

Tadeu Mártires

Tadeu Mártires

20/11/2009 13:56:28
Realmente a profissão deveria ser mais valorizada, fiz o teste de aptidão mas agora diante dos fatos revelados , não sei se vou fazer o curso....abraço a todos.

Giselle Morais

Giselle Morais

15/06/2009 14:23:21
Acho que sendo mergulho profundo ou não a atividade é muito arriscada e a remuneração é baixíssima. O salário dos Mergulhadores profissionais deveriam ser mais valorizados financeiramente.
Psicóloga de RH Giselle Morais
Macaé - RJ

Afonso Celso da Silva

Afonso Celso da Silva

28/04/2009 23:59:26
Meu nome é Afonso Celso, sou Engenheiro de Segurança do Trabalho e docente do SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), em Ribeirão Preto-SP. Por estar abordando no momento o tema de pressões anormais com os alunos, vi-me na obrigação de conhecer mais sobre o assunto, e qual não foi minha satisfação (e preocupação) em saber como é o dia-a-dia dos mergulhadores profissionais. Parabenizo e enalteço as atividades de todos os trabalhadores que constantemente colocam suas vidas em risco. Eu, que atuo no sentido de buscar incessantemente a promoção da saúde e segurança do trabalhador.

Frank

Frank

29/10/2008 13:07:52
gostaria de saber quanto ganha + ou - aqueles mergulhadores que limpãm hélice de navios atracados c existe curso em curitiba p isso?

Ilidio marco pereira

Ilidio marco pereira

13/10/2008 18:53:45
sou portugues.gostaria de ter uma oportunidade para fazer mergulho profissional uma vez que sou mergulhador profissional ha 6 anos....ai no brasil.ate breve.

Rogerio

Rogerio

12/09/2008 16:57:22
gostaria de saber mas sobre o mercado, sem ser mergulho de profundidade outros que outros tipos de profissionais são requisitados e quais os salarios onde encontrar um curso de mergulho mas barato