Fundação nascida na Itália quer Itaipu em articulação mundial sobre o direito à água

O primeiro passo dessa aproximação ocorreu no Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói, no Rio de Janeiro.

  
  

As experiências do Programa Cultivando Água Boa (CAB), desenvolvido pela Itaipu em 29 municípios da Bacia do Paraná 3, chamaram a atenção da Water Right Foundation, uma instituição criada no início da década passada, no Norte da Itália, para desenvolver projetos relacionados à qualidade e ao direito à água.

A expectativa da fundação é que a binacional passe a integrar uma articulação mundial, chamada Global Water Solidarity Platform, coordenada pelo ex-governador da Toscana, Claudio Martini.

O primeiro passo dessa aproximação ocorreu na última segunda-feira (18/6), no Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói, no Rio de Janeiro.

O diretor de Coordenação e Meio Ambiente, Nelton Friedrich, apresentou o case de Itaipu no seminário Water & Energy: local solutions for a living planet - dentro da agenda de atividades da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20.

“Queremos alargar essa rede com os países sul-americanos que tenham a cultura de sustentabilidade e o estimulo à responsabilidade compartilhada. Por isso, esperamos que esse encontro de hoje possa dar ainda mais força ao programa”, afirmou Martini.

Também participaram do seminário o presidente da Water Right Foundation, Mauro Perini; o secretário de Ciência e Tecnologia de Niterói, José Raymundo Martins Romêo; o diretor do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento da Região Leste Fluminense (Conleste), Alvaro Tavares dos Santos; e a representante do Instituto para a Promoção das Relações Sociais, Econômicas e Culturais entre Itália e Brasil, Irene Lorieri.

Experiência italiana:

O presidente da Water Right Foundation, Mauro Perini, que foi prefeito de Pontassieve, na Toscana, apresentou aos participantes a experiência que deu origem ao programa.

Segundo ele, de 2002 a 2003 as empresas de distribuição de água da região passaram a reservar um centavo de euro para cada metro cúbico de água.

O recurso arrecadado formava um fundo de solidariedade para projetos em países que tem dificuldade em garantir o acesso à água de qualidade ao cidadão.

Somente na Toscana, foram arrecadados 3,4 milhões de euros para esses projetos – que beneficiaram países pobres, especialmente do continente africado. Depois, a iniciativa se disseminou na Europa – em países como Holanda, França e Espanha.

Outro exemplo de projeto que poderia ser desenvolvido, com reflexo ambiental positivo, é estimular o poder público a reativar as antigas fontes - ou “bicas” - de água tratada para a população, como foi feito na própria Toscana.

“A Itália é o segundo país do mundo em consumo de água comercializada – atrás apenas da Arábia Saudita. E isso tem um impacto ambiental importante, com os caminhões levando água de um lado para o outro e emitindo gases do efeito estufa”.

Experiência concreta:

Segundo Perini, a ideia de participar da Rio+20 é compartilhar experiências e tentar buscar novos parceiros na América Latina.

“Nesse contexto, Itaipu é um parceiro particularmente coerente [com os nossos objetivos] porque o Cultivando Água Boa compartilha os mesmos valores, de direito à água, e traz uma experiência muito concreta de atuar no próprio território”, comentou.

“A ideia seria favorecer a criação de uma rede pela democratização do uso de energia e uma maior solidariedade entre os territórios sobre o direito à água”.

Nelton Friedrich disse que o encontrou abriu uma nova perspectiva de diálogo com outras instituições internacionais e também para a troca de experiências com instituições locais.

Na reunião, o representante do Conleste, que reúne 15 municípios do leste fluminense, disse que pretende aproveitar a experiência do CAB – sobretudo com a perspectiva de a região receber a maior planta da Petrobras da América Latina, com investimentos de US$ 25 bilhões.

Visite: www.revistaecotour.com.br

Fonte: Itaipu

  
  

Publicado por em