Mídia comunitária geraria democracia pró-ativa

Por: Thadeu Melo – thadeu.melo@uol.com.br Exposta no Fórum Social das Águas da América Latina, em Cotia (SP), a opinião sobre o poder da democratização dos meios de comunicação é de Ricardo Campolim, coordenador-geral da Abraço (Associação Brasileira d

  
  

Por: Thadeu Melo – thadeu.melo@uol.com.br

Exposta no Fórum Social das Águas da América Latina, em Cotia (SP), a opinião sobre o poder da democratização dos meios de comunicação é de Ricardo Campolim, coordenador-geral da Abraço (Associação Brasileira de Rádios e Tvs Comunitárias) no estado de São Paulo. Criador há seis anos de uma emissora de rádio comunitária em Vargem Grande Paulista, Campolim não tem dúvidas de que esse tipo de veículo contribuiria de forma decisiva para a reconstrução dos hábitos da sociedade no que se refere à gestão dos recursos hídricos, por exemplo. "Trata-se de um canal importante para a disseminação das idéias e das ações dos movimentos sociais locais", argumentou no debate "A mídia e as águas".

Como um dos efeitos da criação da rádio 8 de Dezembro em Vargem Grande, o professor universitário cita um caso de flagrante transformação de comportamento. Um dos envolvidos na instalação das antenas da rádio, atividade também praticada por Campolim, teria deixado de ser leitor apenas dos cadernos de esportes dos jornais e passado a se interessar por todo o conteúdo. Os editoriais seriam sua leitura preferencial agora que ele, antes caminhoneiro, é um dos diretores da emissora, engajado na produção do conteúdo informativo.

Respondendo a ação na esfera federal em virtude da operação supostamente ilegal da 8 de Dezembro, Campolim conta com a perspectiva democrática do governo federal para esclarecer os cerca de 10 mil processos que se acumulam no Ministério das Comunicações. "Segundo o ministro Miro Teixeira, haverá em breve uma reunião com as entidades ligadas à questão, seguindo-se uma triagem dos processos e a regulamentação definitiva das rádios autorizadas em 90 dias", conta.

Sem saber exatamente os critérios que serão utilizados para a regulamentação, Campolim diz tratar-se de situação delicada e de solução mediada, mas também não suporta mais a pressão da polícia sobre a operação das rádios. "Temos ótima parceria com a prefeitura de Vargem Grande, veiculamos campanhas do Ministério da Saúde no passado, temos 5 mil ouvintes na cidade, mas ainda assim estamos a todo momento fugindo da polícia."

A jornalista Deborah Moreira, criadora de um programa comunitário em uma rádio de Diadema (SP), conta um exemplo recente da frustração enfrentada pelas pessoas que tentam se utilizar desse meio. "Formatamos um noticiário local baseado nos interesses dos moradores do bairro Eldorado, a comunidade descobriu diversas pautas que pressionavam o poder público, mas a rádio teve os equipamentos lacrados cinco dias antes da estréiado programa." O fato ocorreu há menos de um ano.

Enquanto aguarda a solução para o impasse, Ricardo Campolim segue disseminando o uso indiscriminado e consciente dos meios de comunicação. Para ele, "quando se derem conta do poder das rádios comunitárias, será tarde demais para deter a revolução." Se é que já não o é.

Fonte: Eco EcoAgência de Notícias - www.ecoagencia.com.br

  
  

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