Nascentes do Parque da Água Branca estão ameaçadas por aterramento ilegal.

Ironia das ironias, o dia 22 de março, reservado para a conscientização da sociedade em relação à importância da água para a vida no planeta, será marcado por uma situação inusitada: uma área pública estadual,o Parque Fernando Costa, popularmente conhecid

  
  

Ironia das ironias, o dia 22 de março, reservado para a conscientização da sociedade em relação à importância da água para a vida no planeta, será marcado por uma situação inusitada: uma área pública estadual,o Parque Fernando Costa, popularmente conhecido como Parque da Água Branca , está ameaçado por um aterramento ilegal realizado junto às suas principais nascentes.

A ação segue ordens da própria administração do Parque, onde funcionários estão aterrando parte do Bosque das Palmeiras, colocando em perigo a última vegetação típica da várzea do rio Tietê, existente na região. O ecossistema
local constitui-se, ainda, em ponto de parada de aves migratórias.

Lutando para manter a integridade das nascentes e da vegetação que as protege, a Associação de Ambientalistas e Amigos do Parque da Água Branca – ASSAMAPAB – está tomando uma série de medidas. Uma delas será a realização de uma manifestação pública, com intervenções artísticas, no próximo dia 19 de março, às 11h, no próprio parque.

“Questionada sobre esta intervenção pontual, a administração não revela o motivo da obra. É uma ação despropositada, principalmente numa época em que a água vem sendo reconhecida como o maior bem natural dos seres humanos”, afirma o presidente da Assamapab, José Maurício Miklos.

“Onde ainda não foi aterrado, o bosque é extremamente úmido, com o solo permanentemente encharcado e rico em nutrientes. A água aflora em vários pontos, favorecendo a formação de uma vegetação mais densa, típica de várzea, fundamental para a preservação do lençol freático, já que retém a água da chuva e alimenta os cursos subterrâneos.

Sem a proteção natural, basta uma típica chuva de verão, comum no mês de março, para que a terra deslize pela declividade do local, arrastando o resto da vegetação rumo ao Lago Negro, poucos metros abaixo, matando toda a fauna aquática e provocando sério assoreamento”, afirma o ambientalista Luiz Antônio Queiroz, secretário-geral da Assamapab.

Completando a obra, os pequenos córregos que atravessam o bosque estão sendo canalizados, o que aumenta a velocidade das águas e os riscos de enchentes, assim como restringe o encharcamento natural do solo, fundamental à várzea.

Ação é proibida pela Constituição

A Constituição do Estado de São Paulo, em seu artigo 197, assim como a Resolução Conama nº 303, de 20 de março de 2002, determinam que as nascentes são áreas de proteção permanente.

A Lei estadual Nº9.989, de 22 de maio de 1998, vai ainda mais longe ao tornar obrigatória a recomposição vegetal da área dentro de um raio de 50 metros em torno de nascentes e “olhos d’água”.

Serviço:

O quê: Manifestação pública com intervenções artísticas contra o aterramento das nascentes

Quando: 19 de março, às 11h

Onde: Parque Fernando Costa (da Água Branca), Av. Francisco Matarazzo, 455 – Água Branca, em frente ao Bosque das Palmeiras.

Fonte: Assamapab

  
  

Publicado por em

GRAZIELLE

GRAZIELLE

16/09/2008 20:51:08
QUAL FOI O ROTEIRO DO MUNITOR DO PARQUE DA ÁGUA BRANCA