Quanto maior a renda, menor a disposição de economizar água no DF, diz pesquisa

Cerca de 70% da população do Distrito Federal reconhece que haverá problemas de abastecimento de água na região dentro de dez anos, revelou uma pesquisa feita para o WWF-Brasil pelo Ibope Opinião. Mais de 90% declararam estar dispostos a participar da sol

  
  

Cerca de 70% da população do Distrito Federal
reconhece que haverá problemas de abastecimento de água na região dentro de dez anos, revelou uma pesquisa feita para o WWF-Brasil pelo Ibope Opinião. Mais de 90% declararam estar dispostos a participar da solução dos problemas, inclusive reduzindo o consumo de água em casa.

A maior resistência em economizar, porém, está justamente entre moradores das áreas que mais consomem - Plano Piloto e Lagos Sul e Norte.São pessoas com maior renda e escolaridade.

O consumo médio do Lago Sul é de 605 litros por habitante por dia, enquanto na vizinha Paranoá o índice é de 99 litros por habitante por dia. A Organização das Nações Unidas considera como adequado o consumo
de 200 litros por habitante por dia.

O Ibope ouviu 600 pessoas com 16 anos ou mais, no mês de maio. Do total, 33% identificam o desperdício como um dos maiores problemas em relação à água no DF. Outros 20% apontaram o lixo e 15% o esgoto lançados na água. Ainda, 14% reconhecem as invasões ao redor das reservas de água como um dos problemas mais graves.

Em relação aos hábitos, 42% dizem demorar de 6 a 10 minutos no banho.Novamente, esse índice é maior entre aqueles que têm escolaridade mais alta - 53% deles têm curso superior. Entre os que dizem demorar mais de
10 minutos no banho - 14% do total - destacam-se as mulheres, os mais jovens, com maior escolaridade e renda, moradores do Plano Piloto e Lagos Sul e Norte.

De fato, se nada for feito para reverter o estado de degradação ambiental das bacias hidrográficas do Distrito Federal, dentro de dez anos a região terá sérios problemas de abastecimento, de acordo com um estudo coordenado pelo WWF-Brasil, realizado pela Fundação Sustentabilidade e Desenvolvimento, Sociedade de Pesquisas Ecológicas do Cerrado e Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), ligada à Universidade de Brasília.

A pesquisa teve ainda apoio financeiro do Fundo Nacional do Meio Ambiente e suporte do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

O Distrito Federal foi concebido para uma população de 500 mil pessoas.Atualmente possui cerca de 2,3 milhões de habitantes. Além da demanda hídrica maior do que o planejado, áreas essenciais para a preservação das bacias hidrográficas foram ocupadas e degradadas.

O estudo apontou que a integridade ambiental das oito bacias localizadas no DF está ameaçada. A integridade ambiental é definida por um conjunto de fatores relacionados à saúde e auto-regulação dos ecossistemas terrestres e aquáticos e ao uso sustentável dos recursos naturais, entre outros.

Em uma das bacias - Samambaia - a integridade ambiental está muito alterada e em quatro está alterada. Outras três bacias estão em estado de alerta.As alterações são provocadas por desmatamento, poluição, assoreamento e despejo de lixo e esgoto.

O comprometimento da integridade ambiental prejudica as reservas de água, provocando problemas de abastecimento.

`Esse estudo é um aviso para que as correções possam ser feitas antes que seja tarde demais`, diz Rosa Lemos de Sá, superintendente de Conservação do WWF-Brasil e
coordenadora do trabalho.

Para evitar a crise é preciso recuperar o que está degradado, não ocupar áreas de mananciais e promover o uso racional da água.

Em resposta ao quadro revelado pela pesquisa do Ibope e o estudo das bacias hidrográficas, o WWF-Brasil lançará no Dia Mundial do Meio Ambiente a campanha `Água Para a Vida, Água Para Todos`.

De alcance nacional, a campanha concentrará suas primeiras ações no Distrito Federal. Ela promoverá a sensibilização da população para que ela entenda que a água é suporte para a vida, e não apenas uma mercadoria a ser consumida.

`Antes de pensar no uso é fundamental inverter essa visão que se tem da água`, disse Samuel Barrêto, coordenador do Programa Água Para a Vida, do WWF-Brasil.

`É preciso garantir a integridade dos ecossistemas aquáticos para assegurar que haverá água para as diversas demandas de uso da sociedade de forma equilibrada e eficiente, principalmente neste momento, quando o país está elaborando seu plano estratégico de desenvolvimento para os próximos quatro anos.`

O WWF-Brasil tem o maior programa do terceiro setor dedicado à água doce, conhecido como Água Para a Vida. Criado em 2001, o programa tem o apoio do HSBC. Cerca de US$ 5 milhões serão aplicados, até 2007, em campanhas e projetos espalhados por todo o Brasil.

Desenvolvimento sustentável, fortalecimento dos organismos de gestão de bacias hidrográficas, recuperação de rios e mananciais, educação ambiental e
um forte trabalho de conscientização da sociedade são alguns dos focos do programa.

WWF-Brasil - organização brasileira da sociedade civil, sediada em Brasília, dedicada à conservação da natureza e ao desenvolvimento sustentável, harmonizando a preservação da biodiversidade com o uso racional dos recursos naturais renováveis.

Fonte: Ass.Imprensa WWF

  
  

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