Uso sustentável da água terá certificado

O diretor-presidente da ANA - Agência Nacional de Águas, Jerson Kelman, disse, esta semana, que um dos principais desafios do Brasil e do mundo na gestão dos recursos hídricos é conseguir maior produção agrícola e de alimentos com menor quantidade de água

  
  

O diretor-presidente da ANA - Agência Nacional de Águas, Jerson Kelman, disse, esta semana, que um dos principais desafios do Brasil e do mundo na gestão dos recursos hídricos é conseguir maior produção agrícola e de alimentos com menor quantidade de água, principalmente nas regiões onde há escassez desse recurso natural.

O Brasil desperdiça atualmente 50% da água utilizada para irrigação. A afirmação foi feita durante a abertura de um workshop realizado na sede da Codevasf - Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco cujo objetivo foi apresentar e discutir o Programa de Certificação da Sustentabilidade do Uso da Água na Agricultura Irrigada.

Criado a partir de uma parceria entre a ANA e o Movimento Brasil Competitivo, o programa busca desenvolver um modelo de certificação para incentivar o uso racional da água e atestar os agricultores que já utilizam boas práticas de irrigação, desde a captação até a aplicação da água nas culturas.

O processo de certificação priorizará a gestão compartilhada entre o setor público e os agricultores e envolverá a definição dos melhores métodos de irrigação, a capacitação dos usuários de recursos hídricos, a auto-avaliação do usuário e a avaliação dos usuários para o cumprimento dos métodos mais eficientes.

Kelman informou que a certificação poderá garantir vantagens aos usuários de recursos hídricos que solicitarem uma outorga (licença para uso da água).

`Quem for mais eficiente na irrigação terá uma outorga mais qualificada, de melhor valor`, disse ele, lembrando que a ANA já utiliza o critério da eficiência para conceder outorgas na Bacia do São Francisco.

Ele observou que a ANA também dispõe de outro instrumento de gestão para incentivar o uso racional da água, a cobrança, que está sendo implantada em parceria com os comitês de bacia hidrográfica.

Desenvolvido pela Superintendência de Conservação de Água e Solo da ANA no âmbito do Projeto de Conservação e Revitalização da Bacia do São Francisco, o Programa de Certificação na Agricultura teve uma experiência piloto na bacia do Rio Preto, que compõe o São Francisco e está localizada no Distrito Federal.

Após um processo de mobilização com a comunidade, foram realizados setes oficinas para envolver os agricultores na construção de um modelo de certificação. Eles receberam instruções sobre os melhores métodos de irrigação e conheceram a realidade brasileira na agricultura.

Ao final dos encontros, 99% dos agricultores chegaram à conclusão de que existe desperdício de água na irrigação e 97% afirmaram acreditar que a gestão da água vai aumentar sua disponibilidade.

Concluída a experiência no Rio Preto, intenção da ANA e do Movimento Brasil Competitivo é levar o projeto de certificação para toda a bacia do São Francisco e para outras bacias no País.

O Superintendente de Conservação de Água e Solo da ANA, Antônio Félix Domingues, ressaltou que o programa ajudará a conscientizar os agricultores do São Francisco para o uso racional.

`É preciso exigir eficiência na bacia do São Francisco, onde há grande histórico de conflitos`. E alertou: `Se nenhuma ação fosse iniciada, daqui a 15 anos teríamos grandes disputas pelo uso da água na bacia do São Francisco.`

Também participaram do workshop o presidente da Codevasf, Francisco Guedes Alcoforado Filho, o diretor-presidente do Movimento Brasil Competitivo, Fernando Mattos, o secretário de Infra-Estrutura Hídrica, Hipérides Pereira de Macedo, e o secretário de Agricultura do Distrito Federal, Agnaldo Lélis.

Fonte: Estação Vida

  
  

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