Apreender e soltar os animais ilegalmente capturados nem sempre representam a solução

Apreender e soltar os animais ilegalmente capturados nem sempre representam solução: muitos animais perdem a capacidade de readaptação

  
  

Fernando Magnani, responsável por área de soltura da MP Fauna Assessoria Ambiental, em Descalvado, explica a estrutura necessária para devolver o animal à natureza. "A adaptação e reaprendizados representam longa caminhada de retorno à natureza". Cita exemplo de gavião que ficou com medo de ratinho, das aves (cuida especialmente de araras) que precisam fortalecer as asas antes de alçar voo novamente.

No filme, a ararinha Blue arranca gargalhadas do público nas inúmeras tentativas frustradas de aprender a voar. Na natureza, segundo Magnani, o processo de libertação da ave e o ato de soltura costumam sensibilizar; por isso, é o momento de educar a população. "Talvez a quantidade de pessoas que gostam de soltar seja a mesma das que gostam de prender". Pedro Valley, diretor de conservação da BirdLife/Save Brasil, falou de seu plano de voo em que mapeia as aves, estuda monitoramento e programa de educação ambiental com material ilustrado por Blue e Jade e outras aves.

Ele pede urgência nas ações já que "os bichos não podem esperar nos viveiros".

Ítalo Mazzarela conta a experiência da Fazenda Acaraú, local em que fez todos os estudos antes de instalar a área de soltura, em Bertioga. Com equipe e equipamentos construídos por eles, conseguem receber os animais, tratar, soltar e fazer monitoramento contínuo depois da soltura. Já acolheu, recuperou e soltou cerca de 100 mil animais.

Para ampliar a capacidade da rede estadual, serão construídas sete unidades de Centro Estadual de Destinação e Recuperação de Animais Silvestres (Cedras). Responsável por gerir os Cedras, a Fundação Zoológico fez extenso levantamento dos problemas atuais. "Temos de enfrentar lotação, elevado número de apreensão, destinação ineficaz, deficiência na regulamentação e lidar com o fato de sermos rota de tráfico", enumera Bressan.

A primeira unidade será instalada em São José do Rio Preto. "A região é a rota de tráfico de animais do Pantanal como demonstram as apreensões da Polícia Ambiental, mas não tem nenhum centro", enfatiza Bressan. O custo de manutenção da unidade está estimado em R$ 1,3 milhão por ano. Haverá Cedras em Ribeirão Preto, Botucatu, Presidente Prudente, Taubaté e Registro, além do Cetas do Parque Ecológico do Tietê que será transformado em Cedras.

Programa de destinação

Bressan destaca que não há modelo único para as unidades porque a estrutura será adequada às condições de cada região: "A lógica do processo parte de dados reais e considera as especificidades da região, diversidade, manejos necessários entre outras peculiaridades". E cita como exemplo a região de Rio Preto, que detém 52% dos primatas recuperados pela polícia.

Cláudia Schaalmann, diretora da DeFau/CBRN, reforça que os Cedras "virão para somar às estruturas. Haverá padronização de procedimento e reestruturação do sistema". Os novos centros terão a tarefa de receber, reabilitar e destinar os animais. "Não podem ser depósito de animais", frisa Bressan. Para sucesso da empreitada, reforça a necessidade de política de gestão da fauna paulista.

Fonte: Governo do estado de São Paulo

  
  

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