Arara-azul reina nos céus

As pesquisas sobre as aves presentes na flona foram feitas a partir de três metodologias distintas.

  
  

As pesquisas sobre as aves presentes na flona foram feitas a partir de três metodologias distintas. A primeira é o levantamento auditivo, ou seja, o pesquisador percorre cada uma das trilhas atento aos sons dos pássaros para identificá-los ou gravar seu canto para registro.

A segunda é o levantamento visual: com o auxílio de um binóculo, o pesquisador procura avistar os pássaros e identificá-los. O terceiro é a coleta, feita com o auxílio de uma rede de neblina, em que os pássaros ficam presos. Com essas três metodologias, os biólogos registraram entre 400 e 500 espécies de pássaros diferentes na flona.

Fabíola Poletto foi a responsável pela coleta e taxidermização dos animais – técnica de preservação para coleções científicas.

“Nós coletamos apenas os animais que são importantes para pesquisas futuras, ou seja, aqueles que ainda não temos em boa quantidade nos acervos de museus e sobre os quais ainda temos poucas informações científicas. A coleta é muito importante para estudos biogeográficos e de genética de populações”, afirma a bióloga.

A distribuição geográfica das aves na Amazônia costuma se dar por interflúvio de grandes rios, como explica Alexandre Aleixo: “os grandes rios costumam ser as barreiras geográficas para a dispersão de aves na Amazônia, ou seja, entre os grandes rios, a tendência é que a avifauna encontrada seja homogênea”.

No entanto, a Flona de Altamira surpreendeu os pesquisadores. “Acreditávamos que o rio Jamanxim era o limite de algumas espécies, mas encontramos espécimes no interior da flona, ou seja, além do Jamanxim. O curioso é que a flona parece ser o limite de distribuição dessas espécies. Por alguma razão que ainda desconhecemos, elas não vão mais para o norte”, comenta Aleixo.

Esse dado, apesar de parecer apenas um detalhe, é muito importante para se conhecer a fundo a distribuição geográfica das espécies.

“Essas minúcias fazem muita diferença na hora de planejar, criar e gerir unidades de conservação que sejam efetivas. Na Amazônia, ainda dá tempo de escolher com cuidado e com base em critérios mais biológicos as áreas que devem permanecer protegidas”, completa Aleixo.

As pesquisas da Expedição Científica Terra do Meio colaboraram para que Aleixo completasse estudos que vêm sendo conduzidos desde 2006 sobre duas novas espécies de aves.

Uma é o torom, que por enquanto tem o nome de Hylopexus sp., e que deve ser confirmado como nova espécie no final de 2009. A outra é o arapaçú-de-bico-torto, ou Campylorhamphus sp., que deve ser formalmente descrito como nova espécie em 2010.

Fonte WWF

  
  

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