Butantan alerta sobre a ameaça de extinção da jararaca-ilhôa

A espécie, descrita em 1921 por Afrânio do Amaral, foi estudada na década de 50 por Alphonse R. Hoge, ambos pesquisadores do Instituto Butantan

  
  

Pesquisadores do Laboratório de Ecologia e Evolução (L.E.E.V.) do Instituto Butantan, órgão da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, em conjunto com um pesquisador do Instituto de Biociências da USP, publicaram no último número da revista South American Journal of Herpetology de 2008, um trabalho sobre a primeira estimativa da população da jararaca-ilhôa (Bothrops insularis), espécie endêmica da Ilha da Queimada Grande, no litoral de Itanhaém, localizada a 33 km da costa do Estado de São Paulo.

Membros da atual equipe de pesquisa vêm acompanhando a abundância dessa serpente na natureza desde 1995 (até a presente data) e foi possível inferir que em um período de cerca de 10 anos a sua população foi reduzida pela metade, ou seja, há atualmente cerca de 2.100 indivíduos na Ilha.

A espécie, descrita em 1921 por Afrânio do Amaral, foi estudada na década de 50 por Alphonse R. Hoge, ambos pesquisadores do Instituto Butantan.

A estimativa do tamanho populacional foi realizada em 2002. O método para essa estimativa consistiu em amostrar 26 parcelas (quadrados de 10X10 metros delimitados pelos pesquisadores ao longo da Ilha; foram contados os números totais de espécimes em cada um desses quadrados e os dados foram então extrapolados para os hábitats disponíveis da Ilha).

A jararaca-ilhôa foi incluída na lista das "Espécies da Fauna Silvestre Ameaçadas do Estado" no decreto N0 53.494 publicado recentemente (D.O. de 02 de outubro de 2008), assinado pelo governador José Serra e pelo secretário de Estado do Meio Ambiente de São Paulo, Francisco Graziano Neto.

Os dados gerados pela pesquisa permitiram classificar a jararaca-ilhôa na categoria criticamente em perigo, que corresponde ao maior grau de ameaça em que uma espécie pode ser classificada atualmente, segundo critérios reconhecidos internacionalmente pela comunidade científica.

O desembarque na Ilha da Queimada Grande é restrito a pesquisadores do Instituto Butantan e a terceiros com autorização prévia do Ibama. Porém, a grande preocupação dos biólogos é a falta de fiscalização, que tem como conseqüência o sumiço das serpentes da ilha.

Já foi constatado que pessoas usaram o nome do Butantan para desembarque na Ilha e também há relatos sobre o comércio desta espécie na internet, em sites que comercializam a serpente por até US$ 30 mil (equivalente a mais de R$ 60 mil).

A situação é extremamente crítica, pois até membros da equipe de pesquisa do Butantan já foram abordados no Porto de São Vicente para venderem serpentes aos contrabandistas.

"Os estudos indicam a necessidade urgente de fiscalização de forma a coibir a remoção ilegal de serpentes da Ilha e de um programa de monitoramento para acompanhar as flutuações no tamanho populacional da jararaca-ilhôa", explica Otavio Marques, pesquisador do Butantan, responsável pelo projeto, patrocinado pela FAPESP, que desenvolve atualmente diversos estudos com esta serpente.

Fonte: Butantan

  
  

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