Pesquisadores estudam animais em busca de analgésicos mais eficientes

A busca por analgésicos mais eficientes mobiliza pesquisadores de duas instituições nacionais. A unidade de estudos da dor do laboratório de fisiopatologia do Instituto Butantan (IB), de São Paulo, vem há algum tempo estudando o efeito analgésico do venen

  
  

A busca por analgésicos mais eficientes mobiliza pesquisadores de duas instituições nacionais. A unidade de estudos da dor do laboratório de fisiopatologia do Instituto Butantan (IB), de São Paulo, vem há algum tempo estudando o efeito analgésico do veneno da cascavel.

O grupo de pesquisa em antozoários da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) analisa a ação da secreção de um pequeno animal que vive sobre os recifes de corais, conhecido como baba-de-boi.

Testes realizados no IB demonstraram que o veneno da cascavel apresenta efeito analgésico parecido com o da morfina e que pode durar de três a cinco dias, período muito superior aos analgésicos tradicionais.

Os pesquisadores procuram agora isolar, decodificar e purificar a molécula responsável pelo efeito (fator).Uma vez isolado, o fator será submetido a testes de toxicolologia e identificação de possíveis efeitos colaterais para verificar sua aplicabilidade como fármaco.

Segundo a pesquisadora Yara Cury, muitos desses experimentos já foram realizados com o veneno bruto, mas os resultados que podem ser gerados pelo fator ainda são desconhecidos.

“Esperamos que até o final do ano o fator já esteja isolado e patenteado”, informou Yara.

Em Pernambuco, pesquisadores da UFPE constataram que o muco produzido pelo baba-de-boi apresenta um percentual de inibição de dor comparável ao de um analgésico tradicional. Encontrado nos recifes de corais, o baba-de-boi é utilizado pelos pescadores da região no tratamento de ferimentos.

Testado em ratos e camundongos, o extrato do baba-de-boi apresentou um percentual de inibição da dor de 47,22%, contra 64,59% do analgésico fenilbutazona.

Os testes também incluíram as ações antiinflamátoria e antitérmica do muco, mas, segundo o biólogo e coordenador do estudo, Carlos Peres, o que mostrou os melhores resultados foi o efeito analgésico.

Assim como os pesquisadores do IB, o objetivo da equipe pernambucana agora é identificar o princípio ativo deste muco que, na natureza, tem a função de evitar o ressecamento das colônias de baba-de-boi durante a maré baixa.

Fonte: Agência Brasil

  
  

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