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Catar lixo é profissão e dá lucro em Salvador-BA

Os últimos dias de maio e o início de junho prenunciam tempos de otimismo para dezenas de ex-badameiros (catadores de papel). Pelo lado governamental, há uma série de propostas que terão seu ponto alto com a inauguração da Unidade de Triagem de Resíduos R

27 de Maio de 2003. Publicado por Equipe EcoViagem  

Os últimos dias de maio e o início de junho prenunciam tempos de otimismo para dezenas de ex-badameiros (catadores de papel). Pelo lado governamental, há uma série de propostas que terão seu ponto alto com a inauguração da Unidade de Triagem de Resíduos Recicláveis, no Dia do Meio Ambiente.

Por outro lado, ONGs - organizações não- governamentais apóiam catadores de lixo que vão inaugurar uma cooperativa no próximo dia 30. Dão uma prova de que governo e ONGs podem trabalhar juntos pela promoção da cidadania.

No auge do lixão de Canabrava, 700 badameiros adultos e 330 crianças disputavam o que chegava nos caminhões entre cães e urubus. Os humanos fritavam ovos e restos de comida ali mesmo, utilizando o gás metano que exalava do solo, em meio à imundície.

O trabalho era de 24 horas por dia.O lixo de metais e plástico que recolhiam era vendido; não havia ainda a coleta seletiva. À noite, a iluminação vinha dos candeeiros improvisados. A fumaça contribuía para aumentar as doenças pulmonares. A tristeza, o desamor e a baixa auto-estima eram superados pela cachaça barata.

Desde 1997, por iniciativa da Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb), os humanos foram tirados do lixão e encaminhados a programas educativos e profissionalizantes. Os cães e os urubus foram erradicados.A Aeronáutica elogiou as ações, porque não era raro urubu deixar piloto de avião apavorado com a possibilidade das aves causarem problemas nas turbinas das naves.

Diretor da Limpurb e secretário de Serviços Públicos, Jalon Oliveira, afirma que, ao chegar no lixão, logo que assumiu o cargo, em 1997, sentiu muita tristeza e prometeu a si mesmo que faria tudo para mudar o quadro. Seu esforço junto a outras ações dos governos municipal e estadual e de ONGs que atuam na área estão resgatando a cidadania dos trabalhadores do lixo.

Em 1999, foi inaugurado o Aterro Metropolitano Centro, na estrada CIA-Aeroporto.Para lá, vai o lixo da cidade. A essa altura, estava em curso o Projeto Criança Canabrava, que um ano depois recebeu um prêmio do Unicef - Fundo de Apoio das Nações Unidas para as Crianças e Adolescentes.

As 330 crianças no programa foram colocadas em escolas e cursos profissionalizantes. Seus pais participaram de cursos e foram inseridos no mercado de trabalho, a maioria em empresas de terceirização de transporte de lixo.

A Universidade Federal da Bahia e outras instituições contribuíram com projetos de reaproveitamento e reciclagem de entulho. E a unidade criada com apoio da Secretaria Estadual de Combate a Pobreza vai utilizar o entulho reciclado para a construção de casas populares e conserto de calçadas e estradas urbanas.

No próximo dia 5 de junho, data em que se comemora o Dia do Meio Ambiente, será inaugurada a Unidade de Triagem de Resíduos Recicláveis. A mão-de-obra é toda de Canabrava – ressalte-se que o bairro chama-se oficialmente Nossa Senhora da Vitória, desde 2000, quando um projeto de lei do vereador Agenor Gordilho (PL) foi aprovado pela Câmara Municipal de Salvador – e 100 pessoas foram treinadas para trabalhar nessa unidade.

Ainda dentro da proposta de transformar o antigo lixão em parque ambiental, há ainda a proposta da criação de uma unidade de reciclagem de resíduo orgânico (restos de poda de árvores serão reciclados e utilizados nos parques e jardins da cidade).

Agentes ecológicos:

Apoiados pelo Pangea – Centro de Estudos Socioambientais, ex-badameiros decidiram criar a Caec - Cooperativa de Catadores Agentes Ecológicos de Canabrava. “Eu espero que tenha muito desenvolvimento e que a gente trabalhe para a cooperativa crescer e incluir mais pessoas que também precisam trabalhar”, afirma Sônia dos Santos, 42 anos, moradora em Pau da Lima e cooperada da Caec.

Ela e José Antônio da Silva, integrante do conselho fiscal da entidade, fazem questão de ressaltar que a Caec não vai competir com a Coopcicla - Cooperativa dos Agentes Autônomos de Reciclagem, da Limpurb.

“Acreditamos que exista espaço para todos. Nossa idéia é que todas as cooperativas absorvam os que estão desempregados”, afirma Joselita Cardoso, 43 anos, presidente da Caec.

Fonte: A Tarde

Comentários

Verônica Rocha

 postado: 9/10/2008 18:35:47editar

achei maravilhosa esta matéria. nossa sociedade precisa de iniciativas como esta para melhorar gradativamente as condições de vida dessas pessoas que trabalham nos lixões.
parabéns!!!!!!!!!!!

 

Sônia Couto

 postado: 21/9/2009 19:55:41editar

Faço coleta seletiva e tento depositar todo o lixo separad, por material. Porém, os conteiners vivem abarrotados de lixo, derramando até o chão em diversos postos de coleta da cidade. A Prefeitura não recolhe absolutamente estes materiais e o que fazemos então? Jogar o lixo na rua junto aos conteiners ou desistir de tentar ajudar a reciclagem????
Lamento!!!

Sônia Couto (SSA/Bahia)

 

 

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