Cientistas alertam sobre o impacto acelerado das mudanças climáticas

Cientistas do Instituto de Mudanças Climáticas da Universidade do Maine, EUA, verificaram que uma das maiores geleiras da Groenlândia acelerou sua movimentação nos últimos nove anos. Os cientistas, a bordo do navio Arctic Sunrise, do Greenpeace, estão

  
  

Cientistas do Instituto de Mudanças Climáticas da Universidade do Maine, EUA, verificaram que uma das maiores geleiras da Groenlândia acelerou sua movimentação nos últimos nove anos.

Os cientistas, a bordo do navio Arctic Sunrise, do Greenpeace, estão na Groenlândia para documentar os impactos do aquecimento global nesta região do Ártico.

A descoberta superou as expectativas e confirma a previsão dos pesquisadores em relação aos efeitos das mudanças climáticas sobre as geleiras glaciais.

Descobertas preliminares indicam que a geleira Kangerdlugssuaq na costa leste da Groenlândia está se movendo a uma velocidade de quase 14 quilômetros por ano, podendo ser considerada uma das mais rápidas do mundo.

As medições foram feitas nesta semana usando métodos de amostragem com GPS (sistema de posicionamento por satélite) de alta precisão.

Os resultados foram comparados com medições baseadas em imagens de satélite, que revelaram que a velocidade da geleira era de cinco quilômetros por ano em 1996.

Outra descoberta foi que a geleira regrediu aproximadamente cinco quilômetros em sua extensão desde 2001, depois de manter uma posição estável nos últimos 40 anos. Isso significa que, além da velocidade, seu derretimento também está se intensificando.

“O Brasil também deve ser responsabilizado pelo aumento global da temperatura”, afirmou Carlos Rittl, do Greenpeace.

“As emissões de CO2 provenientes do desmatamento e das queimadas da Amazônia são a principal contribuição do Brasil ao aquecimento global.

Por sua vez, há cada vez mais evidências de que as mudanças climáticas estão tornando as florestas mais secas. E uma floresta mais seca leva a um maior número de queimadas, alimentando um ciclo vicioso e destrutivo”.

Com as constantes queimadas na Amazônia, o Brasil está entre os dez maiores emissores de gases causadores do efeito estufa, cujas conseqüências afetam todo o planeta. Uma delas é o derretimento das calotas polares e geleiras, que contribui para a elevação do nível do mar.

As geleiras do Ártico transportam gelo do coração da Groenlândia para o oceano e liberam icebergs. A geleira pesquisada transporta, sozinha, 4% do gelo da Groenlândia e qualquer mudança na velocidade desses glaciares terá impacto significativo na elevação do nível do mar.

“Essa é uma descoberta dramática”, disse o Dr. Gordon Hamilton, que realizou as medições na geleira na costa leste da Groenlândia.

“Existe a preocupação de que a aceleração do movimento das geleiras do Ártico e a liberação associada de gelo não estão descritas nos atuais modelos matemáticos para a previsão dos efeitos das mudanças climáticas.

Os novos resultados indicam que a perda de gelo na Groenlândia pode ser maior e mais rápida do que o estimado anteriormente, a não ser que haja uma compensação com um aumento equivalente de neve na região”.

Com o aquecimento global, geleiras situadas em altas latitudes na Groenlândia podem responder da mesma forma que a geleira pesquisada.

A camada de gelo sobre a Groenlândia pode derreter se a temperatura média na região aumentar em três graus Celsius. Se isso ocorrer, o nível do mar aumentaria aproximadamente 7 metros em alguns milhares de anos.

No entanto, uma elevação no nível do mar entre 50 centímetros e um metro em 100 anos significaria impactos desastrosos para todo o planeta – já que mais de 70% da população mundial vivem em planícies costeiras e 11 das 15 maiores cidades do mundo são litorâneas.

“O desaparecimento das geleiras da Groenlândia é um aviso urgente para o mundo de que é preciso agir imediatamente para interromper as mudanças climáticas”, disse Carlos Rittl, do Greenpeace.

“O governo brasileiro deve fazer a sua parte, implementando medidas efetivas para barrar o desmatamento na Amazônia, reduzindo assim as emissões brasileiras de CO2 para a atmosfera”.

Fonte: Greenpeace

  
  

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