Clima da Amazônia já está diferente, afirma pesquisador

Durante a III Conferência Científica do LBA (sigla em inglês para Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia), que foi realizada de 27 a 29 de julho, cerca de 800 cientistas do Brasil e do Exterior discutiram o processo de transformaçã

  
  

Durante a III Conferência Científica do LBA (sigla em inglês para Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia), que foi realizada de 27 a 29 de julho, cerca de 800 cientistas do Brasil e do Exterior discutiram o processo de transformação dos ecossistemas amazônicos e sua influência no comportamento global do clima.

Os pesquisadores envolvidos no experimento do LBA se reúnem a cada dois anos para divulgar suas descobertas e debater a melhor maneira de incorporar os resultados dos estudos na formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável da região.

De acordo com os pesquisadores, o desmatamento e as queimadas na Amazônia estão modificando o clima e ampliando o efeito estufa no planeta. Por isso, compreender o papel da Amazônia no equilíbrio ambiental do mundo é uma questão estratégica.

Os temas em debate vão desde a química da atmosfera até a hidrologia, passando pelo armazenamento e troca de carbono, mudanças no uso da terra e a física do clima.No Brasil, o desmatamento acelerado na Amazônia ameaça reduzir o ciclo de chuva nas regiões sul e sudeste, transformar grandes áreas de florestas em savanas e provocar alterações na taxa de umidade registrada na região.

Em sua palestra sobre interações entre clima e vegetação na Amazônia, o pesquisador do Inpe - Instituo Nacional de Pesquisas Espaciais e coordenador do LBA, Carlos Nobre, foi enfático ao afirmar que a mudança do clima na Amazônia `é um fato`.

Ele informou que o que se busca saber `é em que escala isso está acontecendo”. Nobre ressaltou que o clima em regiões desmatadas tem uma variação de até três graus em sua temperatura máxima.

Segundo o pesquisador, já existe uma tendência de alteração em 15% da Amazônia brasileira, mais ainda não dá para afirmar categoricamente o seu real impacto, uma vez que a alteração está espalhada pelos seis milhões de quilômetros quadrados da Amazônia Continental.

“Se a alteração fosse concentrada em um único lugar já estaríamos vendo mais mudanças”, explicou.

“Se nosso conhecimento físico estiver correto de que o desmatamento de grandes proporções pode levar à diminuição da chuva e ao aquecimento global, os cenários indicam para uma savanização da Amazônia no prazo de 50 a 100 anos”, alerta Nobre.

Segundo ele, no pior cenário a savana toma 60% da floresta e no cenário médio toma de 20 a 30% da floresta. “ No melhor cenário ela não toma nada, e é este que nos queremos”.

O estudo que aponta para o risco de savanização (transformação em Cerrado) envolve seis cientistas, que trabalham no Inpe - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e no Inpa - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.

Para estudar a interação entre a Floresta Amazônica e as condições atmosféricas e climáticas, os integrantes do LBA empregam equipamentos diversos, como torres de coleta de dados espalhadas pela floresta e instrumentos de sensoriamento remoto via satélite.

As pesquisas desenvolvidas pelo LBA já demonstraram o papel dos aerossóis na absorção da radiação solar, o ciclo de nutrientes das plantas e a importância do vapor d’água emitido pela Amazônia na formação de nuvens e chuvas, entre outros.

A III Conferência Cientifica do LBA foi aberta pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Além de Carlos Nobre, a nesta data teve palestras dos cientistas Maria Assunção - “Desmatamento e queimadas como forçantes da mudança climática na Amazônia“ - e Meinrat Andrrea sobre “Fumaça, aerossóis, nuvens, chuva e clima na Amazônia”.

Fonte: Agência Brasil

  
  

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