Efeito estufa e mudanças climáticas são debatidas em workshop em Jaguariúna-SP

No Brasil, a falta de informação sobre os fluxos dos gases do efeito estufa faz com que sejam utilizadas aproximações, baseadas em fatores de emissão obtidos para países de clima temperado, cujas condições de solo, clima e manejo das culturas são muito di

  
  

No Brasil, a falta de informação sobre os fluxos dos gases do efeito estufa faz com que sejam utilizadas aproximações, baseadas em fatores de emissão obtidos para países de clima temperado, cujas condições de solo, clima e manejo das culturas são muito diferentes das existentes no País. Esta situação causa uma falsa impressão sobre o impacto da agricultura brasileira nas alterações climáticas globais,o que pode prejudicar a imagem do País.

É neste contexto que a Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), unidade da Embrapa - Empresa Brasileria de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, promove o Segundo Workshop sobre Mudanças Climáticas Globais e Sistemas Agropecuários e Florestais Brasileiros, de 14 a 16 de outubro de 2003, no Hotel Duas Marias, em Jaguariúna (SP).

Os organizadores visam com este workshop fornecer uma oportunidade para a compreensão e atualização de metodologias referentes ao tema e delinear as lacunas e dificuldades encontradas nos estudos atuais.

Nesta ocasião, esta sendo debatida também a contribuição desses estudos à Convenção Quadro de Mudanças do Clima, particularmente no que se refere ao cenário nacional, enfocando-se aspectos voltados para o impacto das mudanças climáticas sobre o agronegócio brasileiro e estratégias de mitigação do aumento de gases de efeito estufa na atmosfera.

Pesquisas sobre os efeitos de práticas e processos utilizados em sistemas de produção agropecuária e florestal no seqüestro de Carbono no solo e sobre os fluxos de gases como Óxido nitroso e Metano têm sido conduzidas por vários grupos de pesquisa no país, como o Laboratório Virtual da Embrapa no Exterior, a Rede Agrogases, órgãos nacionais de pesquisa como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Instituto Nacional de Pesquisa Amazônia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Universidade de São Paulo – Centro de Energia Nuclear para a Agricultura e Departamento de Ciências Atmosféricas, entre outros.

Desses projetos, surgem evidências indicando que os sistemas de uso da terra e de produção vegetal e animal brasileiros contribuem com uma quantidade não desprezível de emissões de gases de efeito estufa, como mostram os resultados dos inventários setoriais do país, e a atenção internacional tem se voltado freqüentemente a este indicativo.

Por outro lado, sinaliza-se que determinados sistemas agropecuários e florestais brasileiros desempenham um significante papel na absorção de carbono e que algumas alternativas de uso da terra podem vir a ser mais benéficas do que outras, e com reflexos em melhores índices de produtividade.

É necessário uniformizar ou estabelecer ferramentas confiáveis e técnicas de mensuração de estoques e fluxos de carbono e de gases de efeito estufa em sistemas de uso da terra brasileiros, visando a melhoria das estimativas das emissões de gases de efeito estufa e a dinâmica de carbono nos sistemas solo-planta.

Tal conhecimento, compartilhado pelos diferentes grupos de pesquisa, resultará em melhores estimativas do balanço de carbono, contribuindo assim com o país no cumprimento dos compromissos assumidos como signatário da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

Os temas principais são debatidos por meio de palestras, mesas-redondas e grupos de trabalho, e terá como principal produto um documento contendo resumos das apresentações e resultados das discussões sobre metodologias e estratégias de estudos recomendadas para a avaliação do impacto de mudanças climáticas no agronegócio brasileiro e dos fluxos de gases de efeito estufa.

O workshop está sendo conduzido em sessões de painéis, compostos de palestras seguidas por mesas-redondas, e formação de grupo de trabalho, como indicado na agenda do programa.

Na tarde do primeiro dia foi instalada a sessão de pôsteres, os quais permaneceram em exposição até o final do evento.Estão presentes especialistas da Embrapa, do Ministério de Ciência e Tecnologia, do International Soil Fertility and Agricultural Development Center, IFDC, Uruguay Office, do IAI Directorate, da Universidade de São Paulo, CENA, do National Institute of Water and Atmospheric Research (NIWA), Wellington, New Zealand, da Universidade Reading, Inglaterra,UK, do USDA/ARS, Colorado, USA, do Instituto de Pesquisas Espaciais, entre outros grandes centros especialistas na área.

Fonte: Embrapa

  
  

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