Empresas que passam a utilizar gás natural podem se beneficiar do crédito de carbono

A utilização do gás natural pelas indústrias oferece à boa parte dos empresários brasileiros e latino-americanos uma nova oportunidade que eles ainda não perceberam: a geração de Créditos de Carbono devido à troca de combustível, ou seja, a mais nova moed

  
  

A utilização do gás natural pelas indústrias oferece à boa parte dos empresários brasileiros e latino-americanos uma nova oportunidade que eles ainda não perceberam: a geração de Créditos de Carbono devido à troca de combustível, ou seja, a mais nova moeda do emergente Mercado de Carbono.

Diversas indústrias têm se beneficiado dos investimentos realizados para a expansão das redes de gás natural nas principais cidades brasileiras, facilitando o acesso ao combustível. Muitas delas, inclusive, passaram a investir na modernização de seu processo, adquirindo novas caldeiras adaptadas para a queima do gás natural, deixando de utilizar outros combustíveis fósseis como o óleo diesel ou o óleo combustível.

Os motivos são óbvios: comparados ao gás natural, eles emitem maior quantidade de particulados e outros gases poluentes, como o CO, SOx, NOx e CO2, além de apresentarem menor eficiência por unidade de energia fornecida.

Embora pareça complicado para os leigos, os Créditos de Carbono são calculados com base na quantidade de gases efeito-estufa que deixaram de ser lançados na atmosfera graças à utilização de um combustível “mais limpo”, como se fala nesse mercado. Cada Crédito de Carbono equivale a uma Tonelada de Gás Carbônico (tCO2), hoje negociada, em média, por US$ 5,00.

“É variável a quantidade de tCO2 de cada projeto. Mas, para se ter uma idéia, a troca de 1.000 toneladas de óleo diesel ou óleo combustível por gás natural geraria, hoje, cerca de US$ 8.000 em Créditos de Carbono.

Esse é o bom negócio que muitas empresas ainda não perceberam”, explica Carlos Grieco, analista de Carbono da Econergy Brasil, empresa com especialização técnico-financeira no desenvolvimento de projetos de energia limpa e também na administração de recursos provenientes de fundos de investimentos para esse fim .

Apesar da propriedade dos Créditos de Carbono ser de quem tomou a decisão voluntária de utilizar um combustível menos poluente, projetos menores, que não têm escala, podem ser agrupados em pools, sob a liderança das distribuidoras, para a cessão dos Créditos de Carbono em troca de outros benefícios estabelecidos no contrato de fornecimento de gás natural. Abre-se aí a possibilidade de todos os players deste setor beneficiarem-se deste novo mercado.

Protocolo de Quioto

O Mercado de Carbono surgiu devido à crescente preocupação com o problema da mudança global do clima por parte de diversos países desenvolvidos e em desenvolvimento. Essa preocupação culminou, em 1997, na elaboração do Protocolo de Quioto, no Japão.

O Protocolo estabelece que, uma vez ratificado, os países desenvolvidos devem reduzir suas emissões de gases efeito-estufa, em média, 5% abaixo dos níveis de 1990. No entanto, os países do Anexo I do Protocolo, que são as nações desenvolvidas, podem, para cumprir suas metas, adquirir Reduções Certificadas de Emissão (RCE), ou seja, os Créditos de Carbono, “fora de casa”.

Para esta flexibilização no cumprimento de metas criou-se o MDL - Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.Por esse mecanismo, os países desenvolvidos podem investir em projetos que emitam menos gases efeito-estufa nas nações ainda em desenvolvimento, como o Brasil, por exemplo.

De acordo com o analista da Econergy, são validados os projetos que apresentem uma redução de emissão de gases efeito-estufa comprovadamente menor, no caso do cenário em que este projeto não tivesse sido realizado. São várias as metodologias de “linha de base” (que permite essa comparação) para o estabelecimento do procedimento de cálculo do número de Créditos de Carbono gerados por cada projeto.Mas, para ser válida, a metodologia tem que ser aprovada pelo Conselho Executivo do Mecanismo de Desenvolvimento

“Surge, daí, a oportunidade para as empresas que estão implantando ou planejando trocar sua forma de gerar energia, substituindo a utilização de um ombustível “carbo-intensivo” pelo gás natural”, esclarece Carlos Grieco.

Falta a Rússia:

Independentemente do Protocolo de Quioto, a União Européia –EU - já estabeleceu, através de uma Lei (Diretiva 87), a elaboração de metas de redução de emissão para as empresas dos países membros,criando também um esquema de transação interno de redução de emissões, o ETS (European Trading Scheme).

Quanto ao Protocolo, atualmente, 122 países já o ratificaram (excedendo o número mínimo de 55). Para que ele seja ratificado, no entanto, falta ainda a assinatura da Rússia no documento, contabilizando 61,6% do total
de emissões de CO2 (dos níveis de 1990) do grupo dos países desenvolvidos listados no Protocolo (excedendo o mínimo de 55%).

A Rússia, que representa 17,4% das emissões mundiais de gases efeito-estufa, é o país que possui o “voto de Minerva”, podendo fazer com que o Protocolo entre em vigor, já que os EUA declararam que não o ratificarão. No entanto, os russos vêm adiando a decisão.

Primeiro, atrelaram informalmente à decisão de ratificação ao apoio da EU à sua entrada na OMC -Organização Mundial do Comércio. A EU era reticente quanto ao ingresso da Rússia na OMC para forçar,principalmente, a desregulamentação do setor de gás no país onde o preço do produto chegava a quase um quarto do valor pelo qual era vendido na Europa.

Por outro lado, o fato da própria UE ainda ter diversos monopólios em seu mercado de gás, mantendo os preços altos, tornava-se o principal contra-argumento dos russos.

“Na última segunda-feira, 24 de maio, a EU e a Rússia chegaram a uma acordo, e foi declarado o tal apoio à entrada da Rússia na OMC. O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que dará um andamento mais veloz
em direção à ratificação do Protocolo. Esperamos que, para o bem do planeta, essa decisão seja realmente rápida”, diz Carlos Grieco.

Fonte: Ateliê da Notícia

  
  

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