Mercado negociará créditos de carbono

Em parceria com a Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, a BM&F - Bolsa de Mercadorias & Futuros colocará em operação, ainda este ano, um mercado eletrônico de títulos de diminuição de lançamentos atmosféricos de carbono, o MBRE - Mercado Brasileiro d

  
  

Em parceria com a Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, a BM&F - Bolsa de Mercadorias & Futuros colocará em operação, ainda este ano, um mercado eletrônico de títulos de diminuição de lançamentos atmosféricos de carbono, o MBRE - Mercado Brasileiro de Redução de Emissões, na Bolsa de Valores do Rio.

A redução das emissões de carbono é uma das metas do Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 pelos países participantes da Convenção-Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas. Os signatários do Protocolo são divididos no Anexo 1 e 2. Do primeiro, participam os países que tem o compromisso firmado de reduzir suas emissões , em sua maioria, nações desenvolvidas.

Os países do Anexo 2, do qual o Brasil faz parte, não tem uma obrigação de diminuição e estão, na maioria, em desenvolvimento.

Existem três mecanismos para os países reduzirem suas emissões de carbono. O primeiro é o “Comércio de Emissões”, onde os países desenvolvidos criam meios, dentro de seu próprio país, em acordos entre o governo e as indústrias, para chegarem a reduções menores que a meta estabelecida.

Dessa maneira, eles podem comercializar essa redução extra com outros países ricos que não tenham conseguido atingir seus objetivos. O segundo mecanismo é a “Implementação Conjunta”, onde países desenvolvidos agem em conjunto para atingir suas metas.

Assim, se um país não vai conseguir reduzir o suficiente, mas seu vizinho vai, eles podem firmar um acordo. O primeiro país pode investir no segundo, por exemplo, já que lá seria mais fácil atingir as metas.

O terceiro mecanismo de redução é o que mais interessa ao Brasil, pois é o único em que os países do Anexo 2 fazem parte, o “MDL - Mecanismo de Desenvolvimento Limpo”. Através dele, os países desenvolvidos podem comprar reduções de emissões de países em desenvolvimento listados no Anexo 2, ou investir em projetos de diminuição nesses países.É nesse mecanismo que o Mercado Brasileiro de Redução de Emissões vai trabalhar.

“Basicamente, sempre que um país reduz suas emissões de gases poluentes além da meta do Protocolo de Kyoto, ele cria um crédito. E esse crédito vira produto de exportação. Você exporta aquilo que deixou de emitir”, explica Augusto Jucá, analista de programa da Unidade de Meio Ambiente e Energia do PNUD Brasil.

Alguns ambientalistas criticaram a proposta do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, pois acreditavam que os países ricos se aproveitariam dos em desenvolvimento.

“Na verdade, os países são obrigados a fazer a maior parte das suas reduções em seus próprios territórios. Haverá um limite na quantidade de créditos que poderão ser comprados”, afirma Jucá.

A venda de créditos de emissão de carbono pelo Brasil ainda traz mais uma vantagem além da geração de renda: o desenvolvimento de melhores técnicas contra a poluição.

“A demanda por créditos força uma demanda por mais projetos de redução de emissões, que, por sua vez, força o surgimento de melhores tecnologias”, termina o analista.

Fonte: PNUD

  
  

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