Mudança global do clima é tema de ciclo de palestras

`A Evolução do Regime Internacional sobre Mudança Global do Clima` é o tema do ciclo temático de palestras que o astrogeofísico Luiz Gylvan Meira Filho faz nos dias 16, 17, 18 e 22 de setembro, das 17 às 19h. O ciclo destina-se a proporcionar atualiza

  
  

`A Evolução do Regime Internacional sobre Mudança Global do Clima` é o tema do ciclo temático de palestras que o astrogeofísico Luiz Gylvan Meira Filho faz nos dias 16, 17, 18 e 22 de setembro, das 17 às 19h.

O ciclo destina-se a proporcionar atualização sobre o tema para profissionais graduados e demais interessados na em ciências ambientais.

Programação:

Dia 16 – Conceitos básicos sobre mudança global do clima. Resumo do conhecimento científico atual e opções disponíveis – inação, adaptação, mitigação (e mitigação postergada por meio do desenvolvimento de tecnologia).

Estrutura conceitual da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança de Clima e do Protocolo de Kyoto.

Caráter dinâmico do protocolo. Síntese história das negociações da convenção. O Mandato de Berlim e o Protocolo de Kyoto. A evolução do regime. Conceituação do problema de repartição de ônus.

O aspecto de responsabilidade e capacidade de reação. Princípio da responsabilidade comum, porém diferenciada.

Critérios para a diferenciação de compromissos: contração e convergência, poluidor-pagador, satisfação relativa, `grand-fathering`.

As discussões atuais sobre a evolução do regime internacional além do Protocolo de Kyoto. O papel político dos grandes reservatórios de carbono –fóssil, biosfera e oceanos – e suas implicações para o Brasil.

Dia 17 – Os aspectos econômicos da tomada de decisão na área de mudança de clima, e decisão ótima sob o ponto de vista global e nacional.

O estudo da mudança de clima envolve a consideração das perdas associadas aos danos causados pela mudança de clima e custos das medidas de adaptação para a diminuição de tais danos, por um lado, e os custos de mitigação, ou seja, da diminuição das emissões líquidas antrópicas de gases de efeito estufa.

A decisão ótima consiste na maximização da função utilidade que leva em conta as perdas (por danos e adaptação) e os custos (de mitigação), e ainda o fator de aversão ao risco do decisor.

A defasagem no tempo entre a causa da mudança do clima (emissões) e o efeito (perdas) requer que o fator de aversão ao risco seja considerado como uma função do tempo.

A consideração dos aspectos econômicos é necessariamente diferente para o mundo como um todo e para cada país. O problema da negociação de um regime global sobre mudança de clima como um problema de repartição de ônus entre os países. Critérios sugeridos para a repartição de ônus. A proposta brasileira de repartição de ônus de acordo com a responsabilidade objetiva de cada país.

Dia 18 – O problema da atribuição em mudança de clima tem um papel central na formulação de políticas públicas e nas negociações.

O clima, definido como as estatísticas dos elementos que descrevem o estado do sistema
climático – atmosfera, oceano e biosfera – é uma função do tempo.

O clima apresenta variações internas decorrentes da natureza caótica do sistema dinâmico, a chamada variabilidade climática, e aquelas resultantes de mudanças no forçamento externo. Estas últimas incluem fatores naturais, como variações solares e vulcânicas e aerossóis e o aumento da concentração de gases de efeito estufa.

Destes, muitos, mas nem todos, são objeto de
regulamentação na convenção, os clorofluorcarbonos não são controlados pelo Protocolo de Montreal. O problema de atribuição de mudança de clima consiste em separar a contribuição das emissões de gases de efeito estufa, especialmente aqueles incluídos na convenção.

Sob o ponto de vista de políticas públicas, o problema de atribuição da mudança de clima é o de determinar a contribuição de uma fonte, definida pelas suas emissões de certos gases durante um período especificado de tempo, para a mudança.

O problema é abordado em termos de uma solução de perturbação em um modelo o mais simplificado possível de clima, ainda mantendo explicitamente a dependência funcional do clima em relação às emissões, inclusive com a sua dependência temporal.

Dia 22 – A atribuição de mudança de clima a uma fonte é explorado por meio de uma solução numérica de perturbação do modelo simplificado do clima.

É feito um tratamento explicito das não-linearidades nos termos forçantes, bem como dos termos forçantes que não são objeto de atribuição, como a variação solar e a atividade vulcânica, bem como os gases de efeito estufa não incluídos na convenção e os aerossóis.

É apresentada uma solução analítica aproximada por séries de potência. É sugerida uma representação em outra base de funções que são soluções do problema de difusão em caixas, o qual pode ser usado para representar tanto o ciclo de carbono quanto o aquecimento em si.

São apresentados dados sobre a sensibilidade da solução em relação ao cenário de emissões adotado. São feitas considerações sobre o uso da solução do problema de atribuição da mudança do clima a formulações sobre a repartição do ônus entre os países – o princípio do poluidor-pagador da proposta brasileira de 1997, bem como a avaliação de políticas e medidas de mitigação da mudança de clima sob o ponto de vista de sua eficácia.

Por último, é demonstrado que o conceito de um potencial de aquecimento global é um caso particular do problema mais geral de uma métrica global da mudança de clima e são propostas outras variantes como um potencial de temperatura global e potenciais de política global de aquecimento e de temperatura.

O palestrante

Nascido em Olinda, Pernambuco, Meira Filho tem 61 anos. Graduou-se em engenharia eletrônica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e obteve seu Ph.D. em astrogeofísica na Universidade do Colorado, EUA.

Co-presidente do Grupo de Trabalho I (Aspectos Científicos) do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPV), Meira Filho também preside o Grupo de Negociação do Artigo 3 (Metas de Redução de Emissões dos Países industrializados), o Grupo de Negociação do Artigo 12 (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo) e o Painel sobre Metodologias de Linhas de Base da Junta Executiva do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, além de integrar a Junta Executiva do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, todos grupos e juntas do Protocolo de Kyoto.

É também co-presidente do Grupo de Trabalho VI (Meteorologia e Sensoriamento Remoto) do Comitê para a Pesquisa Espacial (Cospar) do Conselho Internacional de Uniões Científicas. De 1965 a 1992, foi pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

De 1994 a 2001, presidiu a Agência Espacial Brasileira. No biênio 2001-2002, foi secretário de Políticas e Programas de Ciência e Tecnologia do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Serviço:

Há 50 vagas e a taxa é de R$ 20,00. As inscrições podem ser feitas até o dia 15 de setembro, das 9 às 12h e das 14 às 17h, no IEA, Av. Prof. Luciano Gualberto, Travessa J, 374, térreo, Cidade Universitária, São Paulo, SP, com Alice Perran , telefones (11) 3091-3919 e 3091-4442.

Fonte: USP

Divulgado por: Ines Iwashita [mailto:ineshita@usp.br]

  
  

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