Plantio direto contribui com o seqüestro de carbono

Os desafios para uma produção sustentável da soja estão sendo discutidos no VII Congresso Mundial de Pesquisa de Soja, que será encerrado amanhã, dia 6 de março, em Foz do Iguaçu. Simultaneamente ao Mundial, acontece a IV Conferência Internacional de

  
  

Os desafios para uma produção sustentável da soja estão sendo discutidos no VII Congresso Mundial de Pesquisa de Soja, que será encerrado amanhã, dia 6 de março, em Foz do Iguaçu.

Simultaneamente ao Mundial, acontece a IV Conferência Internacional de Processamento e Utilização da Soja e o III Congresso Mundial de Soja. Todos os eventos estão sendo promovidos pela Embrapa Soja.

O desafio da pesquisa dentro do assunto, está na promoção do aumento da produção, sem degradar o meio-ambiente. Além disto, a soja pode auxiliar no processo de captação de carbono da atmosfera.

De acordo com o pesquisador Clóvis Borkert, PhD em fertilidade do solo e nutrição de plantas, a busca da produção sustentável de soja está intimamente ligada às técnicas de plantio direto.

`O sistema permite uma redução de custos com insumos e garante a cobertura do solo, seja com plantas vivas ou mortas`, afirma. Com o plantio direto, o produtor fica livre
de ter que preparar a terra, como a aragem, que faz com que o solo libere carbono.

`Existem mais de 20 qualidades que podem manter a fertilidade do solo, através da rotação de culturas. O ideal seria que o solo ficasse o ano todo coberto. A grande máxima que pode se fazer como produção sustentável está no manejo do solo`, afirma.

O pesquisador ainda acrescenta que a semeadura direta economiza combustível fóssil - petróleo - já que elimina uma série de operações na terra.

`Sem usar o arado para mexer o solo, o agricultor está impedindo que mais carbono seja liberado para a atmosfera e ainda está colaborando no seqüestro de carbono`, diz.

O Brasil está bem a frente na pesquisa de técnicas de Plantio Diretor. De acordo com Clóvis Borkert, agora é preciso trabalhar na pesquisa de novas plantas forrageiras, como alternativas de cobertura do solo.

`No sul do País é possível fazer rotações de cultura com o trigo, ou o milho. Já em regiões mais secas, é preciso encontrar alternativas de cobertura`, completa.

Congresso debate também a emissão de CO2 na cultura da soja

A principal fonte de poluição da atmosfera é a queima de combustíveis fósseis, responsável por mais de 60% da emissões de dióxico de carbono (CO2), substância responsável por danos ambientais como o aquecimento global e problemas respiratórios.

Em segundo lugar na emissão de CO2 está a agricultura, tanto pelo uso de combustíveis na mecanização quanto pelas técnicas de manejo do solo.

Neste contexto, a soja é uma das culturas que mais dependem da concentração de carbono no solo, ao mesmo tempo em que aparece como a maior causa de emissão de CO2 na agricultura.

A informação foi divulgada pelo pesquisador do Departamento de Agricultura Americano (USDA), Don Reicosky, palestrante da VII Conferência Mundial da Soja, que vai até amanhã, dia 06, em Foz do Iguaçu, no Paraná.

O carbono (C) é um nutriente natural do solo, cuja função é garantir a ciclagem dos componentes físicos, químicos e
biológicos que servem de alimento às plantas durante todo o desenvolvimento vegetativo. A conservação do carbono no solo garante uma menor demanda por insumos, maior retenção da água e menor compactação.

`O carbono funciona como uma esponja que minimiza os impactos na compactação. A estrutura do solo sofre a pressão, mas volta ao seu estado normal em pouco tempo`, avalia Don Reicosky.

No processo de fotossíntese das plantas, o oxigênio (O2) chega ao solo, aumentando a atividade microbiana. A união C + O2 resulta na produção de CO2, substância eliminada gradativamente na decomposição das plantas.

Contudo, a sincronia perfeita da natureza na sustentabilidade do sistema é afetada pela intervenção do homem, usando técnicas agrícolas que aceleram a emissão de CO2.

`Na revirada do solo para descompactação e plantio, procedimento comum na agricultura convencional, há uma decomposição muito rápida da matéria orgânica (restos culturais que ficaram na última colheita). A emissão de CO2 durante o revolvimento do solo é semelhante à queima através do fogo, com alta poluição atmosférica, só que de maneira não visível.O carbono não é algo palpável como a água, e essa é uma das restrições ao reconhecimento da importância deste problema` , declara Don Reicosky.

Conforme o pesquisador da USDA, a soja causa efeitos dramáticos no solo, já que se decompõe mais rapidamente do que qualquer outra cultura. `Na remoção do solo, a soja representa um valor 24 vezes maior de perda de carbono. No solo sem plantio, a perda de carbono e emissão de CO2 fica em 100%; no trigo, é de 196%, mas na soja, essa perda representa 264% `, contabiliza Reicosky.

Sem carbono no solo, é preciso investir em insumos. Nos cálculos do pesquisador, são necessárias 10 unidades de carbono para produzir uma unidade de nitrogênio (N), e para gerar uma unidade de fósforo (P), são consumidas 60 unidades de carbono. `O carbono é muito importante para manter a biodiversidade e a fertilidade do solo`.

Como se não bastasse, a soja ainda tem menor capacidade de infiltração de água em relação a outras culturas, gerando uma erosão de 778 quilos de solo por hectare ao ano (no milho é de 350 kg/ha).

`Estudos mostram que a perda de carbono implica na redução de água no solo, prejudicando o desenvolvimento da soja`, diz Don Reicosky.

Economizando custos no plantio direto

Para Don Reicosky, os solos brasileiros são muito deficientes em nutrientes, com os produtores mais preocupação em manter os benefícios do carbono no solo do que com a questão ambiental da emissão de CO2.

`Os produtores brasileiros não estão mais conscientes da conservação do que os norte-amercianos. O que existe é a necessidade de cuidados especiais, já que nos países tropicais chove mais, resultando na lixiviação dos nutrientes do solo`.

Entretanto, Reicosky reconhece o esforço brasileiro na difusão do plantio direto, prática que condena a movimentação do solo, incentivando a rotação de culturas e cobertura vegetal.

`A rotação centrada em milho-soja-trigo consegue manter um nível de carbono no solo, mas se a pretensão é incorporar a produção de grãos, é preciso diversificar as culturas da rotação, mesmo que isso não represente ganho imediato`.

A previsão de Don Reicosky é que no futuro a engenharia genética poderá contribuir para tornar a soja uma cultura menos agressiva ao meio ambiente, atuando em conjunto com os sistemas de produção que estão sendo utilizados para minimizar a perda de carbono.

Fonte: Embrapa Soja

  
  

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