Por que a previsão do tempo erra tanto?

É mais fácil olhar para o céu quando acordamos para ver se o tempo é de chuva, do que acreditar na previsão do tempo do dia anterior de que vai chover, não é mesmo?

  
  
Se tem uma coisa fácil no mundo, é a previsão do tempo estar errada

É mais fácil olhar para o céu quando acordamos para ver se o tempo é de chuva, do que acreditar na previsão do tempo do dia anterior de que vai chover, não é mesmo?

Se tem uma coisa fácil no mundo, é a previsão do tempo estar errada. Mas, segundo a professora de engenharia mecânica Julie Crockett, da Universidade Brigham Young (EUA), isso pode não ser culpa dos meteorologistas.

De acordo com Crockett, os cientistas podem cometer grandes erros porque os modelos que utilizam para prever o tempo não podem controlar com precisão elementos altamente influentes, chamados de ondas internas.

Por exemplo, em 2011, meteorologistas de Utah (estado americano) previram uma enorme tempestade de inverno antes do feriado de Ação de Graças (em novembro). Escolas estaduais cancelaram aulas e enviaram as crianças para casa mais cedo para evitar a tempestade – que nunca veio.

Crockett explica que ondas atmosféricas internas são ondas que se propagam entre camadas de ar de baixa densidade e de alta densidade. Ondas internas também existem nos oceanos, entre camadas de água de baixa densidade e de alta densidade. Estas ondas, muitas vezes visíveis do espaço, afetam a circulação geral dos oceanos, e fenômenos como a Corrente do Golfo.

Ondas são movimentos periódicos que ocorrem em interfaces. Se a coluna de água consiste de uma camada superior e uma camada inferior mais densa, a interface entre as camadas pode estar sujeita ao movimento das ondas. Este movimento, que não afeta a superfície, é um exemplo de ondas internas.

Apesar de serem difíceis de descrever, quase todo mundo já viu ou sentiu essas ondas na atmosfera. Por exemplo, padrões de nuvens compostos de linhas repetidas são o resultado de ondas internas, e turbulência de avião acontece quando ondas internas se encontram e quebram.

“As ondas internas são difíceis de capturar e quantificar conforme se propagam, depositam energia e se movimentam ao redor”, diz Crockett. “Quando os meteorologistas não as contabilizam em pequena escala, o resultado em grande escala se torna menos estável, e, às vezes, um pouco de incerteza é o suficiente para estar completamente errado sobre o tempo”.

Embora seja impossível dizer com certeza, ondas internas podem ter sido o fator que causou o erro de previsão em 2001 em Utah: elas podem ter causado circulações de vento mais fortes, quebrando a tempestade e fazendo com que nunca se materializasse.
“Quando ondas internas depositam a sua energia, podem forçar o vento a ir mais rápido ou mais devagar, de tal forma que podem melhorar os padrões meteorológicos de grande escala ou tipos extremos de eventos”, explica Crockett.

Ambas ondas oceânicas e atmosféricas internas possuem uma quantidade significativa de energia que pode alterar o clima. Por conta disso, Crockett está estudando seus detalhes, como a relação entre grandes e pequenas ondas internas e a maneira com que influenciam a altitude onde a energia das ondas é depositada.

Para acompanhar a energia das ondas, Crockett as gera em um tanque em laboratório, e analisa todos os aspectos de seu comportamento. A pesquisadora quer determinar exatamente como as mudanças climáticas afetam as ondas, e como essas ondas por sua vez afetam o clima. Com base nisto, poderá desenvolver um melhor modelo que permitirá uma melhor previsão do tempo.

“Compreender como ondas movimentam energia é muito importante para eventos climáticos de grande escala”, afirma Crockett. “Nossa pesquisa é muito importante para este problema, mas não o resolve totalmente”.

Fonte: Hypescience

  
  

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