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Proposta brasileira não é suficiente para deter mudanças climáticas

O Brasil é o quarto maior emissor de gases estufa do mundo e o desmatamento das florestas responde por 75% do total de poluentes que o país libera na atmosfera. Batizada de Incentivos positivos para reduzir as emissões de gases do efeito estufa pro

13 de Novembro de 2006.
Publicado por Vininha F. Carvalho  

O Brasil é o quarto maior emissor de gases estufa do mundo e o desmatamento das florestas responde por 75% do total de poluentes que o país libera na atmosfera. Batizada de Incentivos positivos para reduzir as emissões de gases do efeito estufa provenientes de desmatamento nos países em desenvolvimento: perspectivas brasileiras, a proposta deve ser apresentada formalmente pela Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, semana que vem, na Conferência das Partes (COP 12), da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que está acontecendo em Nairóbi, Quênia, desde o dia 6 de novembro.

Para o Greenpeace, a responsabilidade primordial em resolver a crise climática está nas mãos dos países ricos, que devem cumprir suas metas obrigatórias de redução de emissões de gases estufa de acordo com o Protocolo de Kyoto. Porém, a contribuição atual do Brasil para o aquecimento global não pode ser ignorada ou minimizada.

Apesar de representar um avanço na postura do governo brasileiro, já que abre espaço para a discussão de redução de emissões de desmatamento no âmbito da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a proposta tem sido alvo de críticas de ambientalistas e especialistas na área (veja documento do Greenpeace com análise detalhada da proposta em www.greenpeace.org.br/clima/pdf/GPanalisepropostabrasileira.pdf )

As principais deficiências apontadas são: ausência de metas específicas de redução do desmatamento, o caráter voluntário das medidas e a falta de critérios e contrapartidas para aplicação dos recursos financeiros provenientes do fundo.

Além disso, o Greenpeace sugere que o Brasil estabeleça mecanismos de compensação para todo investimento que possa causar impactos na floresta, criando um fundo que seja usado em sua própria conservação.

“O governo brasileiro e os governos internacionais devem estabelecer um cronograma de ações políticas e compromissos com vínculos legais para atingir o nível zero de desmatamento, ao invés de limitar-se apenas a sistemas voluntários de compensação financeira pela redução das emissões”, afirma Marcelo Furtado, diretor de campanhas do Greenpeace no Brasil. “Se o Brasil tem dinheiro para crescer, também deve investir em conservação”.

A proposta brasileira consiste em um mecanismo voluntário de redução nas emissões de gases estufa provenientes do desmatamento, vinculado a recursos financeiros de um fundo internacional. Este fundo seria composto por doações de dinheiro feitas voluntariamente por países desenvolvidos.

As recompensas seriam dadas a países com florestas, como Brasil e Indonésia, que conseguissem reduzir os índices de desmatamento em relação a taxas de referência. Estas taxas de referência seriam calculadas país a país com base em índices históricos de períodos pré-determinados. O valor das recompensas dependeria do volume de recursos disponível no fundo e da queda efetiva do desmatamento.

Enquanto isso, a delegação brasileira em Nairóbi, liderada pelo Itamaraty, tem bloqueado o avanço das discussões sobre compromissos para países em desenvolvimento a partir de 2012, quando encerra-se a primeira fase do Protocolo de Kyoto. A delegação brasileira ficou em primeiro lugar na disputa pelo prêmio Fóssil do Dia, entregue pelas ONGs aos países com atuações mais negativas nas negociações da COP.

De acordo com a nota que acompanha o prêmio, “o Brasil está adotando “linha dura” na tentativa de evitar o uso do artigo 9 da Convenção para ampliar e reforçar os esforços de proteção do clima no período pós-2012. Este movimento atrasa qualquer discussão séria sobre as contribuições dos países em desenvolvimento para uma estratégia abrangente usando o Protocolo de Kyoto e a Convenção-Quadro”.

Carlos Rittl, especialista do Greenpeace em mudanças climáticas que está participando da COP 12, disse que “o governo brasileiro não pode esperar que os países ricos façam sua parte para só então assumir compromissos concretos para salvar o clima do planeta. No momento em que os impactos das mudanças climáticas já são sentidos em diversas partes do planeta, o Brasil deve reconhecer a urgência do problema e agir para mudar sua condição de um dos maiores poluidores do mundo”.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Greenpeace

Del Valle Editoria
Contato: vininha@vininha.com

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Comentários

tadeu santos

 postado: 23/3/2009 23:27:25editar

MUDANÇAS CLIMÁTICAS: AQUI JÁ ESTÁ ACONTECENDO!!!

A lógica ambiental parece estar andando na contramão da história, pois quem polui é que está aparentemente com a razão, em nome de um progresso injusto e perverso, que utiliza um discurso de salvador da pátria, com a geração de divisas e empregos, não contabilizando os danos ao meio ambiente e o comprometimento as necessidades e direitos das futuras gerações. A gananciosa busca pelo lucro pelas mineradoras causa brutais agressões aos recursos naturais (hídricos, solo, flora, ar), aos pobres mineiros com a incurável pneumonoconiose, ou seja, privatizam o lucro e socializam a poluição.
Os políticos protegem o poder econômico que os financia com apoio de grande parte da mídia que defende e divulga apenas os interesses de seus clientes. Está ficando muito difícil combater a poluição aqui no sul de Santa Catarina, por exemplo, pois sofremos represálias e perseguições, como também processos judiciais por defender a natureza e uma melhor qualidade de vida a população.
As bacias hidrográficas do sul de Santa Catarina, Araranguá, Urussanga e Tubarão estão 90% comprometidas com a poluição causada pela atividade carbonífera desde a extração até a queima do carvão mineral (outras atividades como a rizicultura, indústria, lixo e esgoto também contribuem). A FATMA, órgão licenciador/fiscalizador estadual é totalmente omissa, portanto cúmplice do caos. Uma outra termelétrica (USITESC 440MW) será instalada na região do Furacão Catarina, região que já não suporta mais impactos ambientais. A termelétrica Jorge Lacerda 856MW continua (sem fiscalização da FATMA) emitindo ininterruptamente gases venenosos, comprometendo a saúde pública e os recursos naturais da região, alcançando distâncias de até 300Km dependendo da força dos ventos, bem como descarrega diariamente, desde 1970, toneladas de CO, pela queima do combustível fóssil, principal responsável pelo aquecimento global. Uma outra possibilidade é a evaporação de calor emitida pelas altíssimas chaminés causarem trombadas dágua repentinas como tem ocorrido na região de entorno da Usina Jorge Lacerda.
Infelizmente a vanguarda da comunidade ambientalista brasileira (e os órgãos governamentais também!) está voltada apenas a Amazônia, priorizando o combate ao criminoso desmatamento, esquecendo, porém que na verdade os combustíveis fósseis são os maiores responsáveis pelo atual desequilíbrio da climatologia da terra.
Num trecho entre a Bacia Hidrográfica do Rio Mampituba e a Bacia do Vale do Itajaí (praticamente o litoral catarinense) onde os rios nascem nas encostas da Serra Geral e deságuam no Oceano, principalmente ao sul desta planície, ocorrem as mais violentas enchentes do país, como a de 1974, em Tubarão e região onde vitimou mais de 250 pessoas, a de 1982 e 1983 em Blumenau com mais de 120 mortos. Repentinas trombadas dágua, como a do Natal de 1995, em Timbé do Sul que matou 29 pessoas numa só noite em uma localidade abaixo dos Aparados da Serra. No final de 2008 volta ocorrer na Bacia do Vale do Itajaí (Blumenau) com mais 130 mortos e no início de 2009, na Bacia do Rio Araranguá ocorreu uma das maiores cheias da sua história, felizmente sem vitimas.
Neste mesmo cenário catastrófico ocorrem tornados, ciclones extra-tropicais, mas o que comprova a vulnerabilidade da região é a ocorrência do inédito e violento Furacão Catarina, coincidentemente ocorrido numa das regiões que mais emite CO pela queima de carvão mineral da América Latina. Alertamos que as altíssimas chaminés também emitem muito calor promovendo evaporação consequentemente desequilibrando a climatologia da região.
As citadas adversidades que ocorrem neste pedaço de Brasil deveriam também ser objeto de estudo, atenção e investigação pelas universidades regionais, pelas king ONGs, pela comunidade científica e pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas.

OBS. Neste mês de Março dois fatos motivados pelo Governo Federal deixaram a comunidade ambientalista ainda mais preocupada com a caótica situação ambiental da região: Primeiro foi a extinção do Comitê Gestor para Recuperação Ambiental da Bacia Carbonífera do Sul de SC e a eleição da Senadora Ideli Salvatti defensora da queima do combustível fóssil carvão, para ocupar a Presidência da Comissão de Mudanças Climáticas do Congresso Nacional.

www.sociosnatureza.blogspot.com / www.tadeusantos.blogspot.com

Sócios da Natureza - Desde 1980 dedicando-se voluntariamente a causa ambiental da região sul de Santa Catarina.

Araranguá SC, Março/2009.

 

 

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