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Nova era glacial está se formando, dizem cientistas

William Curry é um cientista do clima e não um crítico de arte. Mas ele passou muito tempo analisando o quadro `George Washington Atravessando o Delaware`, de Gottlieb Leutze, que mostra um barco carregado de soldados coloniais americanos em um rio congel

20 de Fevereiro de 2003.
Publicado por Equipe EcoViagem  

William Curry é um cientista do clima e não um crítico de arte. Mas ele passou muito tempo analisando o quadro `George Washington Atravessando o Delaware`, de Gottlieb Leutze, que mostra um barco carregado de soldados coloniais americanos em um rio congelado no dia seguinte ao Natal de 1776.

`Posso afirmar que esse tipo de coisa simplesmente não acontece mais`, diz Curry.

Pode voltar a acontecer em breve. E as cenas de congelamento como as imortalizadas as pelo pintor flamengo do século 16 Pieter Brueghel, o `Velho`, também poderão voltar à Europa. Seus quadros, incluindo a obra-prima de 1565 `Caçadores na Neve`, fazem as paisagens européias, hoje temperadas, parecerem mais a Lapônia.

Esses cenários gélidos foram comuns durante um período que durou aproximadamente de 1300 a 1850, porque grande parte da América do Norte e da Europa foi tomada por uma pequena era glacial.

Um número cada vez maior de cientistas -incluindo muitos na base de operações de Curry, o Instituto Oceanográfico Woods Hole, em Massachusetts- acredita que há condições para um novo resfriamento prolongado, ou pequena era glacial.

Embora ninguém esteja prevendo uma camada de gelo brutal como a que cobriu o hemisfério norte de geleiras cerca de 12 mil anos atrás, o próximo resfriamento poderá reduzir as temperaturas médias em 9º C sobre grande parte dos Estados Unidos e 18°C no nordeste americano, no norte da Europa e da Ásia.

`Isso poderá acontecer daqui a dez anos`, disse Terrence Joyce, presidente do Departamento de Oceanografia Física em Woods Hole. `Quando acontecer, poderá levar centenas de anos para se reverter.`

Um relatório deste ano intitulado `Mudanças climáticas abruptas: surpresas inevitáveis`, produzido pela Academia Nacional de Ciências, avaliou o custo dos prejuízos na agricultura entr US$ 100 bilhões e US$ 250 bilhões, ao mesmo tempo prevendo que os danos ecológicos poderão ser vastos e incalculáveis.

Uma análise sombria: florestas desaparecendo, gastos domésticos mais elevados, redução da água potável, produções agrícolas menores e aceleração da extinção de espécies.

As mudanças políticas desde a última era glacial poderão tornar a sobrevivência muito mais difícil para os pobres do mundo.

Nos períodos de resfriamento anteriores, tribos inteiras simplesmente se mudaram para o sul, mas essa opção não funciona no mundo moderno e tenso de fronteiras fechadas.

A terra está realmente se aquecendo? Na verdade está, diz Joyce. Ele explica como esse aquecimento poderá surpreendentemente ser o culpado pela próxima mini-era do gelo.

O paradoxo é conseqüência do aparecimento nos últimos 30 anos, no Atlântico Norte, de enormes rios de água doce
-equivalentes a uma camada de 3 metros de espessura.

Ninguém sabe ao certo de onde vêm essas correntes doces, mas um grande suspeito é o derretimento do gelo no Ártico, causado por um acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera, que capta a energia solar.

A tendência da água doce é uma grande novidade nos círculos das ciências oceânicas. O oceanógrafo britânico Bob Dickson considera a queda de salinidade e temperatura no mar de Labrador -entre o nordeste do Canadá e a Groenlândia-`possivelmente as maiores mudanças profundas observadas no registro instrumental oceanográfico moderno`.

A tendência poderia causar uma pequena era glacial, ao subverter a penetração para o norte das águas da Corrente do Golfo.

Normalmente a Corrente do Golfo, carregada de calor absorvido nos trópicos e sobe pelas costas leste dos Estados Unidos e do Canadá. Ao fluir para o norte a corrente transmite calor para o ar. Como os ventos predominantes no Atlântico Norte sopram para leste, grande parte desse calor vai para Europa.

É por isso que muitos cientistas acreditam que as temperaturas de inverno no continente estão até 20 graus mais quentes que as da América do Norte na mesma latitude. A gélida Boston, por exemplo, fica quase exatamente na mesma latitude que a aprazível Roma.

Depois de transmitir seu calor para o ar, a água agora resfriada torna-se mais densa e mergulha no Atlântico Norte cerca de 1,5 quilômetro ou mais, num processo que os oceanógrafos chamam de circulação termohalina.

Mas na medida em que o Atlântico Norte se enche de água doce torna-se menos denso, fazendo que as águas carregadas para o norte pela Corrente do Golfo tenham menor capacidade de afundar. A nova massa de água relativamente doce fica na superfície do oceano como um grande cobertor térmico, ameaçando a circulação termohalina.

Isso por sua vez poderá fazer a Corrente do Golfo ficar mais lenta ou desviar-se para o sul. A certa altura, todo o sistema poderia simplesmente travar, e rapidamente.

Lama oceânica

Um travamento rápido já aconteceu antes. A evidência disso, num laboratório do Woods Hole, está entre 24 mil tubos de policarbonato cheios de uma lama verde-amarronzada -amostras do piso oceânico.

Uma amostra em particular foi fundamental. O navio canadense CSS Hudson a coletou em 1989, em um platô no fundo do oceano, no norte do mar de Sargaços, cerca de 200 milhas náuticas a nordeste da Bermuda. `É um lugar peculiar no piso oceânico onde a lama se acumula rapidamente`, diz Lloyd Keigwin, cientista sênior no Departamento de Geologia e Geofísica de Woods Hole.

Os sedimentos do fundo marinho são coalhados de pequenos invertebrados chamados foraminifera, que Keigwin descreve como `amebas com conchas`, que podem dar pistas sobre a temperatura do oceano onde elas viveram.

Keigwin conseguiu avaliar a temperatura em que os pequenos animais de camada formaram suas conchas de carbonato de cálcio com uma precisão de menos de 0,5 grau. Ele acoplou isso a uma datação com carbono para determinar a idade de cada camada de sedimento.

Keigwin esperava encontrar evidências de mudanças climáticas nos últimos milhares de anos. Mas na amostra do Hudson ele descobriu dados sobre mudanças abruptas de temperatura nos últimos mil anos, incluindo uma pequena era glacial que teve em média 2,2 graus a menos que a atual.

`E como o mar de Sargaços é muito misturado, o esfriamento deve ter sido generalizado`, diz Keigwin. O mais importante é que ele encontrou `evidências que provam que os ciclos climáticos continuam até hoje`.

Certamente a pequena era glacial de 1300 a 1850 não foi desencadeada pela libertação de gases do efeito estufa na atmosfera pelos seres humanos. Mas os ciclos climáticos naturais que derreteram o gelo do Ártico poderiam ter feito a circulação termohalina travar abruptamente.

`Temos quase certeza de que essa foi a causa da última pequena era glacial`, diz Curry.

Um evento mais recente talvez seja uma evidência melhor de que um clima pode esfriar rapidamente por causa do travamento termohalino.

No final dos anos 60, uma enorme mancha de água mais doce perto da superfície apareceu ao largo da costa da Groenlândia, provavelmente em conseqüência de uma grande descarga de gelo no Atlântico em 1967.

Conhecida como a Grande Anomalia de Salinidade, ela flutuou para o sul, instalando-se no Atlântico Norte no início dos anos 70. De lá, ela interferiu com a circulação termohalina contendo rapidamente a formação de água profunda no mar de Labrador.

`Acredito que ela travou o sistema por apenas alguns anos. O resultado foram invernos muito frios, especialmente na Europa`, diz Curry.

Essa massa de água mais doce, felizmente, foi suficientemente pequena para se dispersar em pouco tempo. Mas a que está se acumulando lá agora `é grande demais`, diz Joyce.

Para Ruth Curry, o conhecimento atual é mais que suficiente para permitir previsões. `Não podemos saber em que ponto o travamento termohalino poderá realmente começar`, ela diz. `Mas devemos nos preparar para ele.`

Fonte: Brad Lemley-Discover Magazine

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Comentários

laura

 postado: 5/10/2008 13:00:58editar

Como o Aquecimento Global pode provocar ondas de resfriamento?

 

Elton

 postado: 18/12/2008 09:47:29editar

Assista "O dia Depois de Amanhã"

 

Neula Abrantes

 postado: 14/1/2009 15:59:08editar

Recebi um link com seu texto. No momento, não terei como ler, mais tarde, voltarei, este assunto é de meu interesse, já fiz uma postagem sobre esse mesmo assunto em meu site, no ano passado. Se daqui eu puder retirar mais informações importantes que venham a chamar a atenção de todos para tentar ajudar a amenizar o acontecimento de alguma forma, isso será ótimo!

Abraços,

Neula Abrantes

www.conscienciacoletiva.com.br

 

Alessandro Longobucco

 postado: 20/1/2009 13:36:40editar

Bem interessante, e o efeito La niña? não entra nessa conta?

 

Jhenifer

 postado: 10/1/2010 17:54:16editar

Não poderemos impedir a proxima era glacial, a Terra se congelará por completa. Mas, se o ser humano sobreviveu a outras eras glaciais, podemos também sobreviver a esta.

 

Evelin Olívia Fróes

 postado: 22/4/2010 08:39:56editar

Porque as revistas da Editora Abril e o jornal Folha de São Paulo que comandam o UOL não noticiam a VERDADE que somente os cientistas céticos conhecem? Deixar a verdade para a internet é desonesto, é querer manipular as pessoas! Graças à Veja eu acreditei na mentira do Aquecimento Global Antropogênico, fui enganada. Mas graças à Internet fui liberta da mentira e descobri a verdade!
Fico me perguntando: quando é que a palhaçada do Planeta Sustentável vai acabar? Estão esperando a volta da neve em Curitiba, onde moro?

 

carlos

 postado: 22/4/2010 15:04:45editar

Os seres humanos tem que se adaptar a essa realidade; o mundo esta mudando como sempre aconteceu.

 

Caie

 postado: 22/4/2010 16:13:54editar

Rápido, todos!
Vamos tomar uma atitude, não podemos ficar ao acaso, temos que tomar providencias quanto a isso, uma nova era glacial pode acabar com a vida do planeta.

Vamos adotar novos hábitos:

Gastar o máximo de energia.
Comprar carros mais poluentes.
Produzir mais lixo.
Danificar a camada de ozônio.

Nossa mudança de hábitos e atitudes causou esse esfriamento, temos que produzir mais calor caso contrario podemos morrer congelados.

 

Evelin Fróes

 postado: 23/4/2010 18:03:29editar

Caie, é muita ignorância da sua parte, ou você está fazendo piadinhas? O planeta Terra já passou por eras glaciais, eras interglaciais, períodos quentes e períodos frios, e até hoje ele subsiste, ainda não acabou! ACORDA! O ser humano NADA tem a ver com o clima do nosso planeta, tudo o que temos é nos adaptar, JAMAIS mitigar ou evitar! ESTUDE História, Climatologia, Geologia, Geografia com cientistas sérios!

 

Caie

 postado: 24/4/2010 11:26:37editar

Evelin, É piadinha, tb acredito no seu ponto de vista do dia 22/04, o ser humano tem a incrivel capacidade de se adaptar ao clima, terreno, e condições mais diversas de vida. Nossos antepassados já passaram por muitas mudança como você citou.
Acredito também que o planeta Terra se adapta as mudanças causadas pelo homem (que não são tão grandes como pregam).
No final, tudo fica em equilibrio (se ainda não está é pq não chegou ao fim).

 

Paulo

 postado: 26/4/2010 14:12:51editar

O que acontece com o clima na América do Sul quando ocorre uma era glacial?

O EcoViagem é um veículo de comunicação no qual não possui relação com seus anunciantes. Caso queira mais informações, gentileza entrar em contato com a Discover Magazine.

Agradecemos o comentário.

Equipe EcoViagem

SSG

 postado: 3/2/2011 10:45:14editar

Não gosto de ser um mero espectador, gostaria de saber mais sobre esta possibilidade da mini-era-glacial. Informações à respeito não estão sendo vinculadas nos noticíarios(jornais;revistas;etc) somente em sites como por exemplo o da Nasa que já fala alguma coisa sobre a mini-era-glacial, vale ler é muito interessante, mas gostaria de saber mais. Sou leigo no assunto, tenho sim boas noções sobre meteorologia da qual diariamente trabalho e vejo, posso afirmar como aeronauta, que as formações/temperaturas/ciclos/constancia meteorologicas/periodos de chuvas/etc não são os mesmos de poucos anos atrás e estão mudando rapidamente e aumentando de intensidade. Gostaria de me relacionar em algum site onde posso encontrar respostas plausiveis de profissionais que estão em estudo sobre o assunto...

 

Saulo

 postado: 23/9/2011 10:29:06editar

Eu vejo pessoas dizendo que encontraram a verdade na internet? Sinceramente, a internet tem muito mais desinformação do que informação de verdade. As revistas podem até ser manipuladoras ou omitir algo que prejudique seus interesses, mas pelo menos a informação passada é revisada, talvez incompleta mas verdadeira. Não dá pra ler qualquer informação na internet e simplesmente aceitar! Tem gente dizendo que o impacto do ser humano não é tão grande? Da vontade de rir com tamanha ingenuidade, é óbvio que o impacto é tremendo! Mas também sabemos que o planeta se equilibra, isso não significa que a raça humana sempre será a escolhida a sobreviver por esse equilíbrio, não acha?

 

Alex Rony F.M.

 postado: 9/2/2012 17:53:27editar

Acho que atualmente o hemisfério norte está sofrendo muito com o frio. Será o inicio desta mini Era do Gelo?

 

REGINALDO

 postado: 10/2/2012 21:29:13editar

EU ACREDITO QUE PODERÁ CHEGAR EM BREVE UMA NOVA ERA GLACIAL.
MAS, QUANDO ESTAMOS FALANDO EM UMA MUDANÇA GLOBAL, "EM BREVE" PODERÁ SER CEM ANOS, QUINHENTOS OU ATÉ MIL ANOS.

NESSE PERÍODO AS NOVAS GERAÇÕES ESTARÃO QUASE QUE TOTALMENTE ADAPTADAS AO SEU ATUAL CLIMA.
EU ACREDITO TAMBÉM QUE HAVERÁ UMA SIGNIFICATIVA DIMINUIÇÃO DA POPULAÇÃO MUNDIAL, PORQUÊ COM A CHEGADA DO RESFRIAMENTO GLOBAL HAVERÁ MENOS ÁGUA EM ESTADO LIQUIDO.

EU ACHO QUE A ÁGUA EM SEU ESTADO LIQUIDO DETERMINA A CAPACIDADE DE VIDA NA TERRA.

 

carolll

 postado: 20/4/2012 10:09:45editar

Isso é muito importantante! Estamos correndo perigo.

 

 

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