ONU adverte que América Latina deixou de ser continente verde

A ONU - Organização das Nações Unidas considera que todos os países latino-americanos sofrem em maior ou menor medida um problema de desertificação, o que os levou a deixarem de ser `uma região verde`, disseram fontes do organismo. O especialista bras

  
  

A ONU - Organização das Nações Unidas considera que todos os países latino-americanos sofrem em maior ou menor medida um problema de desertificação, o que os levou a deixarem de ser `uma região verde`, disseram fontes do organismo.

O especialista brasileiro Heitor Matallo, chefe de Unidade da Convenção contra a Desertificação da Organização das Nações Unidas, chegou a essa conclusão no Dia Mundial da luta contra esse mal e a seca, comemorado na sexta-feira (17/6) em todo o mundo.

Em entrevista o especialista apontou que `não é um problema pequeno nem simples` em todos os países da América Latina e do Caribe porque progressivamente vai crescendo. Países como Brasil e México têm regiões de risco cada vez maiores.

No Brasil um milhão de quilômetros quadrados pode ser atingido pela desertificação, enquanto no México esse número chega a 580 mil quilômetros quadrados - em ambos os casos quase 25% da superfície total nacional.

A Argentina corre o risco de ver 75% de seu território transformado em deserto, um processo que, segundo os parâmetros da ONU, não é natural e que deve ser considerado `derivado das atividades humanas`.

`São números significativos`, explicou Matallo, que lembrou que alguns países do Caribe, entre eles Cuba, estão em seca há dois anos e nas nações centro-americanas como El Salvador, Guatemala, Honduras e parte da Nicarágua, este problema tornou-se `importante`.

Matallo sustentou que no fundo deste problema há um conflito latente entre as agendas de desenvolvimento econômico e as de conservação do meio ambiente.

As primeiras estão dirigidas `à criação de empregos e exportação` mas não incorporam em seus processos os custos ambientais, que são considerados `externalidades` que os Estados devem cobrir com recursos públicos.

Segundo Matallo, as reformas fiscais impulsionadas por muitos Governos e sugeridas por organismos financeiros internacionais `tiram deles a capacidade de cobrir essas externalidades`.

O especialista lembrou que 22% da produção mundial de alimentos procede de zonas áridas e semi-áridas, que `estão em risco de desertificação` e concentram `a maioria da população pobre do planeta`.

Embora tenha afirmado desconhecer quanta gente está emigrando na América Latina por culpa da desertificação, Matallo assinalou que esta circunstância atinge uma região onde 70 milhões de pessoas vivem da agricultura.

`Se a agricultura não é sustentável, se a terra vai deteriorando sua capacidade de produzir, então é imperativo que as pessoas emigrem`, acrescentou.

Além disso indicou que `ninguém sabe bem quais vão ser os impactos sobre a terra, sobre a agricultura` dos Tratados de Livre Comércio que a região está assinanado, e da Alca - Área de Livre Comércio das Américas, em negociação.

`Um Tratado de Livre Comércio em certa forma impõe ao setor agrícola a melhora de sua produção. Não sei se esses acordos incluem recursos para que isto seja feito de maneira sustentável`, expressou Matallo, que indica que em cinco ou sete anos esses efeitos serão ostensivos.

O especialista teme que uma superexploração agrícola na região acelere os processos de salinização do solo, o que com o tempo leva a quedas de competitividade e cuja recuperação é cara, com um custo de quase US$ 250 por hectare.

A Convenção contra a Desertificação da ONU, realizada desde dezembro de 1996, contou com uma primeira contribuição de US$ 250 milhões em seus primeiros anos de aplicação e espera-se que se duplique nos próximos quatro anos.

`Os recursos não são suficientes para o tamanho do problema. Precisaríamos de, pelo menos, dez vezes mais` para combatê-lo, concluiu Matallo. Atualmente calcula-se que 41% do mundo é constituido por terras secas, 20% delas desertos, e que a incipiente desertificação ameaça a vida de 1,2 bilhão de pessoas em mais de 100 países.

Fonte: Agência Efe

  
  

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