ONU alerta sobre o risco de fome no Iraque

A Coordenação Humanitária da Organização das Nações Unidas no Iraque advertiu para a possibilidade de uma catástrofe em caso de uma guerra prolongada. Segundo a porta-voz da Coordenação, Veronique Taveau, 60% dos iraquianos, ou seja, 16 milhões de pessoa

  
  

A Coordenação Humanitária da Organização das Nações Unidas no Iraque advertiu para a possibilidade de uma catástrofe em caso de uma guerra prolongada. Segundo a porta-voz da Coordenação, Veronique Taveau, 60% dos iraquianos, ou seja, 16 milhões de pessoas, dependem do programa comida em troca de petróleo para sobreviver.

O programa, conduzido pela ONU, foi interrompido no dia 17 de março, quando os funcionários das Nações Unidas tiveram de se retirar de Bagdá, em virtude da guerra.Nos próximos dias poderá ser aprovada uma resolução dando sinal verde à ONU para voltar a se ocupar dos problemas humanitários do Iraque, entregando a operação "petróleo por alimentos" ao controle do secretário- geral da organização, Kofi Annan, o que poderia garantir sua própria continuidade.

"Os iraquianos são extremamente vulneráveis", disse Veronique. "Antes da guerra, a situação já era muito difícil. Metade das grávidas iraquianas está anêmica e 30% dos recém-nascidos estão abaixo do peso", disse.

A meta é cuidar rapidamente dos problemas de proteção e abastecimento da população civil iraquiana. Antes da guerra, o Programa Mundial de Alimentos (WFP) entregou aos iraquianos rações reforçadas para combater a anemia e integrantes do projeto estimam que os iraquianos tenham reservas de comida para quatro a seis semanas.

Colheita

Outro agravante é que o início da guerra coincide com o período de colheita da safra de inverno, que pode ser paralisada pelo conflito. Os ataques também devem comprometer a plantação para a safra da primavera, que deveria começar em seguida.A situação é piorada pela timidez dos doadores.

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), por exemplo, calcula que precisará de US$ 60 milhões para atender a um fluxo esperado de 600 mil refugiados iraquianos. Até agora, só recebeu US$ 21 milhões.

Já a Organização Mundial de Saúde fez planos de contingência para seis meses, que envolvem US$ 12 milhões, mas, até agora, recebeu menos de US$ 1 milhão, segundo sua porta-voz para o Iraque, Fadela Chaib.

"Estamos surpresos que, com a proximidade do conflito, a comunidade internacional se tenha mostrado tão pouco disposta a contribuir", lamentou o porta-voz do Acnur, Peter Kessler. Ainda não há concentração de refugiados iraquianos na fronteira.

De acordo com o porta-voz da Organização Internacional de Migração, Chris Lom, até as 15h00 de ontem (10h em Brasília), 179 cidadãos de terceiras nações (nem iraquianos nem jordanianos) tinham cruzado a fronteira e aguardavam transporte para os respectivos países.

"Há movimentos de pessoas dentro do próprio país, por exemplo no norte, onde muitas famílias se deslocaram para a zona rural do Curdistão iraquiano, mas elas estão longe das fronteiras", afirmou Lom.

Estrutura

Dois acampamentos, um para refugiados e outro para as terceiras nações, foram montados em Ruweished, a 50 quilômetros da fronteira da Jordânia com o Iraque. No meio do deserto, a área é atingida por ventos fortes e frio.

Os acampamentos já têm água e comida, e a rede elétrica está sendo instalada. Locais semelhantes também estão sendo montados na fronteira do Iraque com a Síria e o Irã.

Os funcionários estrangeiros das agências da ONU no Iraque deixaram o país e montaram suas bases em Amã. Mas, segundo eles, centenas de funcionários iraquianos – só o WFP tem 800 – continuam trabalhando no país.

Fonte: Amã-AE

  
  

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Keisy

Keisy

28/04/2010 13:54:34
Nossa, muito Obrigada! Esse texto é ótimo, me ajudou muito. Precisava levantar dados de 3 países de continentes diferentes, escolhendo um país de classe social alta, outro média e outro baixa, e falar dos aspectos da realidade humana. Escolhi fazer sobre a fome no Iraque. E só aqui consegui parte do que eu queria. Demorei mas consegui. Valeuuuu.