Para pesquisadores , o Brasil continua superexposto á biopirataria

Dados comparativos do valor da biodiversidade no mercado assustam e explicam por que as pessoas dedicadas a atividade ilícita da biopirataria têm tanto empenho em realizar sua função: um grama de veneno de surucucu, por exemplo, custa US$ 20 mil, enquanto

  
  

Dados comparativos do valor da biodiversidade no mercado assustam e explicam por que as pessoas dedicadas a atividade ilícita da biopirataria têm tanto empenho em realizar sua função: um grama de veneno de surucucu, por exemplo, custa US$ 20 mil, enquanto um litro de petróleo vale US$ 1,00.

Com preços tão altos pagos por valores extraídos da natureza, torna-se um problema para os países megadiversos (o caso brasileiro) impedir, ou, ao menos, controlar os processos de biopirataria. A situação nacional foi apresentada hoje na mesa-redonda A Biopirataria no Brasil, na Universidade de Brasília (UnB), no XXV Congresso Brasileiro de Zoologia.

Segundo o pesquisador da Fundação Ezequiel Dias (MG), Marcelo Diniz, o Brasil é um grande alvo por deter a maior biodiversidade do mundo. Além dos já consagrados biomas da Amazônia e da Mata Atlântica, o país ainda tem o Cerrado, o Pantanal e a Caatinga. Ele aponta que as patentes cerceiam o uso das descobertas e das pesquisas científicas e que as pressões de indústrias farmacêuticas, por exemplo, dificultam ainda mais a ação dos pesquisadores.

`Uma das facetas mais cruéis desse processo é o aproveitamento de conhecimento das comunidades nativas sem benefício para elas`, argumenta.

O professor do Departamento de Fitopatologia da UnB, José Carmine Dianese, explica que, como signatário do Tratado Internacional da Biodiversidade, o Brasil precisa assegurar o acesso à biodiversidade, mas alerta que esse controle só pode ser exercido com base no conhecimento científico.

Especialista em fungos, Dianese lamenta a facilidade que os biopiratas têm em roubar microorganismos: `Eles são suscetíveis à biopirataria por serem portáteis, de fácil transporte`.Para exemplificar essa facilidade, Dianese conta o caso da Ciclosporina, medicamento utilizado depois dos transplantes de órgãos para evitar rejeição.

Um cientista de um laboratório internacional, em férias na Finlândia, coletou um fungo e o levou de volta ao trabalho para cultivo. Resultado: um rendimento de mais de US$ 1 bilhão por ano ao laboratório. Casos assim são comuns na ciência, conta o pesquisador da UnB. Ele mesmo foi sondado mais de uma vez por laboratórios que queriam `colaborar` com seus estudos.

`Eles queriam ter acesso aos nossos fungos, dispuseram-se até a pagar royalties por futuros produtos, mas não aceitaram minha exigência de instalarem o laboratório aqui na universidade. Sem transferência de tecnologia, não veríamos benefício algum desse intercâmbio`, alerta.

Representante da Ministra Marina Silva, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), João Paulo Ribeiro Capobianco, afirma que a biodiversidade nacional é um tesouro que o país não consegue quantificar e, por isso, também não se sabe especificamente o que é extraído ilegalmente do país. Capobianco acrescenta uma história de biopirataria ao enredo da discussão.

O químico britânico Conrad Gorinski conviveu com índios Wapixanis, em Roraima, por 17 anos. Aprendeu os princípios ativos de plantas e voltou à Europa. Patenteou esses princípios e os índios que o ensinaram nada viram da produção desses medicamentos.

`O que ocorre no Brasil é absolutamente lamentável. Corremos o risco de perder o direito ao uso da nossa biodiversidade`, diz.

Ele afirma que o MMA tem trabalhado em políticas e ações para reduzir a ação dos biopiratas e é respaldado pelo ex-ministro do Meio Ambiente, deputado e presidente do Partido Verde, José Sarney Filho.

O parlamentar falou sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito sobre Tráfico de Animais e Biopirataria e defendeu o aumento de recursos para pesquisas: `As instituições públicas, principalmente, precisam desse incentivo para garantir a produção de conhecimento qualificado. Além disso, devemos formar e fixar pesquisadores na Amazônia`. (UnB Agência)

Casos recentes de biopirataria

Quebra-pedra - Hepatite B - Fox-Chase Câncer Center - EUA Guaraná - Anticoagulante - Cinncinati University - EUA Espinheira Santa - Antiinflamatório - Mektron Lab - Japão Muirapuama - Afrodisíaco - Taisho Pharmac Company - Japão

Fonte: Agência Brasil

  
  

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