Paraná se organiza para obter certificação orgânica

Quarenta pequenas propriedades rurais dos municípios de Pato Branco, Palmas e Santo Antônio do Sudoeste, no Paraná, receberam a primeira inspeção técnica do Instituto Biodinâmico (IBD). A vistoria foi realizada nas propriedades participantes de cursos

  
  

Quarenta pequenas propriedades rurais dos municípios de Pato Branco, Palmas e Santo Antônio do Sudoeste, no Paraná, receberam a primeira inspeção técnica do Instituto Biodinâmico (IBD).

A vistoria foi realizada nas propriedades participantes de cursos com a metodologia para o desenvolvimento da agricultura orgânica, promovidos pelo Sebrae no Paraná, pela Emater, por prefeituras municipais e fóruns de desenvolvimento e que agora buscam a certificação da produção.

A certificação orgânica é um caminho para agregar valor à produção dos pequenos e também conscientizar a sociedade para a importância do trabalho realizado pelos agricultores da região sudoeste do Paraná.

A partir dessa primeira inspeção, será iniciado um processo de investigação das condições ambientais e sanitárias do estabelecimento em questão. Os inspetores do IBD farão visitas regulares à propriedade, orientando e fiscalizando todo o processo.

O técnico da empresa contratada pelo Sebrae/PR para trabalhar a conversão nas propriedades, ou seja, a transformação de produção convencional para orgânica, Dimorvam Santos, explica que a maioria das propriedades que faz o manejo orgânico já possui condições de obter a certificação.

`Vamos buscar uma redução de prazos para a certificação junto ao IBD, por meio de históricos comprovando a prática da agricultura orgânica,` diz Dimorvam.

O acompanhamento dos técnicos há mais de dois anos nas propriedades, a capacitação dos agricultores, análise de solos, fotos e documentos, podem ser considerados provas de apoio para conquistarem a certificação.

Dimorvam explica que o histórico para a olericultura, por exemplo, exige seis meses de cultivo livre de agrotóxicos. Nossos agricultores há mais de ano não utilizam esses produtos, e temos como comprovar isso `, afirma.

A certificação de orgânicos é um método que fiscaliza a produção e o processamento de alimentos segundo as normas e práticas de produção orgânica. Isso garante ao consumidor a sua origem isenta de contaminação química,
respeitando o meio ambiente e assegurando ao agricultor um diferencial de mercado para a sua produção.

O agrônomo e inspetor do IBD para as regiões oeste e sudoeste do Paraná, Nardel Luiz Soares da Silva, diz que o trabalho de conversão está organizado nestes municípios da região sudoeste devido ao processo de capacitação desenvolvido pelas entidades que apóiam o projeto.

“Tenho visto propriedades dentro de um nível orgânico bem avançado. É a primeira inspeção que faço e pude constatar um trabalho positivo”, analisa.

Sobre os prazos para que os produtos recebam o selo de orgânicos, Nardel detalha que as áreas que nunca utilizaram produtos proibidos podem ser consideradas orgânicas já a partir da primeira inspeção, desde que isso seja comprovado com documentos e laudos técnicos.

Nos casos onde a produção era convencional,a transição exige, normalmente, de dois a três anos. Depois de certificada, a propriedade pode vender seus produtos com um selo de qualidade que leva a marca da associação dos agricultores e do IBD, que hoje certifica mais de 1.300 projetos no Brasil, Argentina e Bolívia. O certificado do IBD é aceito nos Estados Unidos, Canadá, Europa e Japão.

Anualmente, o IBD refaz a inspeção das propriedades que recebem o selo de certificação. O produtor Rosalino Pan, teve sua propriedade, localizada no Parque do Som, em Pato Branco, inspecionada e ficou satisfeito com o resultado.

“Pelo que percebi, são pequenas coisas a serem ajustadas para em breve receber o selo de orgânico”, pondera.

Rosalino também está satisfeito com o resultado econômico que obteve a partir do cultivo orgânico.` É uma saída para a propriedade pequena, no que se refere à geração de renda e sustentabilidade`, aprova.

Organizados em grupos, os produtores rurais envolvidos no processo economizam nos custos com a certificação. O pedido de certificação está sendo feito por meio de uma associação, assim o trabalho fica em média R$ 150 por agricultor. A fiscalização interna da associação também acontece com apoio dos produtores.

Cada grupo tem uma comissão de ética, que passa a vistoriar as propriedades periodicamente para ver se todos os participantes mantêm as características da produção orgânica. Em Pato Branco, durante a inspeção, a agricultora Silvia Facin, integrante da Comissão de Ética da Aprovida (Associação de Produtores Orgânicos), acompanhou os trabalhos.

Silvia revela que os produtores encaram o trabalho orgânico como um compromisso entre eles e também com os consumidores.`A produção orgânica é uma responsabilidade que assumimos. Por isso mantemos a fiscalização interna, pois temos uma associação, uma marca e um nome a zelar `, detalha.

Fonte: Agência Sebrae

  
  

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