Pesquisa da UEPG descobre novas espécies de peixes em rios do Paraná

Os peixes da região dos Campos Gerais no Paraná foram objeto de pesquisa realizada por uma equipe coordenada pela professora Ana Maria Gealh, do Departamento de Biologia Geral da UEPG - Universidade Estadual de Ponta Grossa. Estudando as espécies que habi

  
  

Os peixes da região dos Campos Gerais no Paraná foram objeto de pesquisa realizada por uma equipe coordenada pela professora Ana Maria Gealh, do Departamento de Biologia Geral da UEPG - Universidade Estadual de Ponta Grossa. Estudando as espécies que habitam as águas dos rios Fortaleza, Iapó, e Tibagi, a pesquisa se preocupou em mapear todas as espécies de peixes que ocorrem nos Campos Gerais, para que se possa conhecer melhor a ictiofauna (fauna de peixes) das bacias da região.

Contando com o apoio do CPNq, Fundação Araucária, Prefeitura Municipal de Tibagi e UEPG, a pesquisa "Ocorrência, Distribuição e Regime Alimentar da Ictiofauna nos Rios Fortaleza, Iapó e Tibagi, na Área que Compreende os Municípios de Tibagi e Curiuva/Ortigueira" resultou na coleta de 2756 exemplares de peixes, pertencentes a 66 espécies, distribuídas em 36 gêneros e 16 famílias.

As capturas ocorreram, mensalmente, de maio de 2001 a abril de 2002. Das cinco espécies ameaçadas de extinção citadas em estudo do pesquisador Oscar Akio Shibatta, da UEL - Universidade Estadual de Londrina, responsável pela identificação dos peixes na pesquisa comandada por Ana Gealh, quatro foram coletadas nos rios estudados - surubim, dourado, tabarana e piracanjuba.

Essa última, inclusive, já tinha registro como espécie extinta na Bacia do Tibagi, conforme a professora Ana. "A piracanjuba foi encontrada apenas nos rios Iapó e Tibagi acima do Salto Mauá". Tratando da riqueza das espécies, Ana observa que o número de espécies aumenta de acordo com o porte do rio.

A pesquisa encontrou 14 espécies no rio Fortaleza, 33 (Iapó), 39 (Tibagi acima), e 50 (Tibagi abaixo). Apesar de apresentar o menor número de espécies, o rio Fortaleza tem seis exclusivas (só sobrevivem nesse local), destas três espécies novas para a ciência - dois tipos de guasca (Trychomicterus) e um cascudo (Neoplecostomus). "O desaparecimento ou poluição dessas áreas poderia representar a extinção destas espécies", salienta Ana.

No Iapó não foi encontrada nenhuma espécie exclusiva. Entretanto foram registradas três espécies que têm preferência pelo local, como piracanjuba, mandi, piau, lambari, e duas espécies de cascudo. O Iapó é um rio de transição entre o Fortaleza e o Tibagi. Foram encontradas 16 espécies exclusivas do Tibagi abaixo, a exemplo de dourado, piranha, pacu, piau, boquinha, saiganga, juraceipem e cascudo abacaxi.

Entre as espécies exclusivas do Tibagi acima estão o lambari (Bryconamericu stramineus), bagre (Imparfinis piperatus), e pacu (Piaractus mesopotamicus). "Essa última é registrada como nativa da bacia do Alto Rio Paraná. Foi introduzida no rio, possivelmente, através de escapes de tanque", lembra Ana Gealh.

Das 16 espécies migradoras citadas por Shibata, em 1996, foram encontradas 12, durante o ano de coleta, como quatro espécies de piau, corimbata, e boquinha. Oito delas foram encontradas tanto acima como abaixo do Salto Mauá, e três registradas somente abaixo do Salto Mauá - dourado, mandi, boquinha ou canivete; e uma espécie de tabarana só foi encontrada acima do Salta Mauá. "Isso denota que a escada naquele local pode estar sendo seletiva para algumas espécies", diz Ana.

ALIMENTAÇÃO :

Da análise do conteúdo estomacal dos peixes coletados, observou-se, segundo Ana, que a maior parte das espécies analisadas (56%) são omnivoras (comem tanto itens animais como vegetais), demonstrando o caráter oportunista da maioria das espécies; 17% iliófagas (ingerem grandes quantidades de sedimento, associados a restos e excrementos de invertebrados e algas); 9% herbívoras (se alimentam de vegetais superiores, como folhas, sementes e frutos de plantas aquáticas e terrestres, além de alga); 4% insetívoras (se alimentam de insetos aquáticos ou terrestres); e 7% são carnívoras (se alimentam de todos os tipos de animais - peixes, aves, insetos, moluscos e outros); e 7% ictiófagas (se alimentam de outros peixes).

No tocante a constância das espécies, observou-se que existem as que preferem permanecer todo o ano em locais restritos e outras que migram para se reproduzir ou buscar alimento.

"Para que a biodiversidade seja assegurada é necessário preservar os diferentes ambientes em um ecossistema, dando condições para as espécies migradoras se deslocarem, sem obstáculos, para que possam se reproduzir e deixar descendentes", assinala Ana.

O trabalho de pesquisa dos peixes dos Campos Gerais já foi apresentado no V Encontro Paranaense de Educação Ambiental, em Loanda (Pr), em agosto último; sendo que dois trabalhos sobre o tema foram enviados para a coordenação do 15° Encontro Brasileiro de Ictiologia, que será realizado de 27 a 31 de janeiro de 2003, numa promoção da Sociedade Brasileira de Ictiologia - Universidade Presbiterina Mackensie (SP). Além disso, já existe um estudo para a publicação de um catálogo de peixes.

Fonte: UEPG

  
  

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