Pesquisa do IBGE revela que só 14% das cidades tratam o resíduo de saúde

Cerca de 4.000 toneladas de resíduos produzidos pelos serviços de saúde são coletadas a cada dia, segundo as prefeituras de 5.507 municípios brasileiros. Quase todos esses produtos perigosos estão sendo despejados no ambiente sem o tratamento adequado - m

  
  

Cerca de 4.000 toneladas de resíduos produzidos pelos serviços de saúde são coletadas a cada dia, segundo as prefeituras de 5.507 municípios brasileiros. Quase todos esses produtos perigosos estão sendo despejados no ambiente sem o tratamento adequado - muitas vezes sem nenhum tratamento.

É o que mostram os resultados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Das prefeituras ouvidas no estudo, apenas 14% (779) disseram tratar o lixo de saúde adequadamente, seguindo o que determinam as resoluções nº 5/93 e nº 283/2001 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente).

Por outro lado, 22% das cidades (1.193) admitiram jogar os resíduos no ambiente sem nem sequer tratá-los, e outros 2.041 municípios (37%) nem coletam o lixo de saúde de forma diferenciada, como determina a legislação.

Entre os municípios que dizem não tratar de forma alguma os resíduos estão grandes geradores, como Rio de Janeiro e Belo Horizonte - que estimam coletar juntos 78,4 toneladas/dia de lixo de saúde - e todas as capitais nordestinas, com exceção de Aracaju - que recolhem 95,6 toneladas diárias, segundo o IBGE.

Se não é separado e tratado, o resíduo de saúde vai parar em aterros que não têm equipamentos específicos para eliminar suas características perigosas ou, pior, em lixões a céu aberto, onde, além de animais que podem transmitir doenças, costuma haver catadores, inclusive crianças.

Há ainda 1.557 municípios (28%) que disseram queimar o lixo a céu aberto ou dar outras destinações consideradas inadequadas, como valas sépticas.Esse último método é usado, por exemplo, em Curitiba (PR), cidade considerada referência na área de lixo.

Das capitais, só Rio Branco (AC) e São Paulo dão tratamento adequado ao lixo, usando os métodos de incineração e de queima por meio de microondas, respectivamente.

Na pesquisa do IBGE, cada cidade podia afirmar dar mais de um tipo de tratamento.Entre os casos mais notórios envolvendo a incorreta destinação do lixo de saúde estão o da contaminação por Césio 137, em 1987, em Goiânia (GO); o de indigentes que comeram, em 94, carne humana num lixão de Olinda (PE) que recebia resíduos de hospitais; e o da poluição do rio Guandu - que abastece 82% da região metropolitana do Rio de Janeiro-, em parte por resíduos hospitalares despejados no lixão Japeri (Baixada Fluminense).

`O lixo de serviços de saúde é um reservatório de microorganismos potencialmente perigosos. Pode disseminar microorganismos resistentes no ambiente; causar ferimentos, por meio dos materiais radioativos e dos perfurocortantes (agulhas, lâminas, bisturis etc.)`; e provocar envenenamento e poluição.

Fonte: IBGE

  
  

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