Pesquisa traça perfil da pesca artesanal no litoral paulista

Um estudo sobre a pesca artesanal numa comunidade em Praia Grande (litoral central de São Paulo), realizado pela bióloga Carolina Pacheco Bertozzi deu origem à ONG Projeto Biopesca, que atua em três comunidades da região, em Praia Grande e Mongaguá. A

  
  

Um estudo sobre a pesca artesanal numa comunidade em Praia Grande (litoral central de São Paulo), realizado pela bióloga Carolina Pacheco Bertozzi deu origem à ONG Projeto Biopesca, que atua em três comunidades da região, em Praia Grande e Mongaguá.

A dissertação, defendida no Instituto Oceanográfico da USP - Universidade de São Paulo, aborda o trabalho dos pescadores e a captura acidental de animais marinhos não visados pela pesca.

Segundo a bióloga, a pesca artesanal é pouco estudada no Brasil e não há estatísticas precisas sobre a atividade. Na região Sudeste, por exemplo, inexistem dados da produção artesanal.

"Acredita-se que a produção do país seja pequena em relação a extensão da costa, mas os dados incluem apenas a pesca industrial", explica.

"Para que o governo possa criar uma política correta de desenvolvimento da pesca é necessário organizar a coleta de dados sobre a produção artesanal".

Carolina acompanhou a saída para o mar dos pescadores entre 1999 e 2001. Também foram pesquisadas as características sociais do grupo, e o estudo aponta a desestruturação da comunidade pesqueira.

"Antes, famílias inteiras estavam envolvidas, transmitindo o conhecimento da pesca e uma tradição de respeito ao mar", relata a bióloga.

"Hoje, a atividade tem sido feita por pessoas alheias a essa tradição, que pescam sem conhecer o mar."

Os barcos são de pequeno porte, feitos de madeira ou alumínio, e movidos a motor, sem nenhum instrumento de orientação e detecção de cardumes. As redes são lançadas e puxadas manualmente e os peixes mais pescados são corvina, pescada-foguete, guaivira, cação e robalo. A pesca é feita na área costeira, até a profundidade de 20 metros.

Embora os pescadores trabalhem o ano todo, o maior esforço de pesca acontece no verão, devido à presença dos turistas, que aumenta a procura pelo pescado.

"Em geral, o pescador desembarca os peixes e vai vendê-los na praia, sem intermediários", relata Carolina.

Captura Acidental

O estudo abordou o problema da captura de espécies que não são o objetivo da pesca. Em Praia Grande, os animais mais atingidos são as toninhas (espécie de golfinho) e as tartarugas marinhas.

"As toninhas são mais vulneráveis às redes de pesca", relata a pesquisadora.

"Será necessário estudar seu habitat para determinar o tipo de rede e a época do ano mais indicados para evitar a captura, sem ignorar o sustento econômico dos pescadores."

O impacto da pesca artesanal na população de peixes da região é pequeno. O maior problema, de acordo com a bióloga, é a pesca de camarões em escala industrial, com o uso de redes de arrasto.

"A malha retém os peixes mais jovens, reduzindo a reprodução das espécies", explica.

Para continuar o trabalho iniciado por Carolina Bertozzi durante o mestrado, foi criada em abril de 2002 a ONG Projeto BioPesca, que conta com duas biólogas, um oceanógrafo e duas veternárias.

O Projeto atua em três comunidades pesqueiras do litoral de São Paulo, em Praia Grande e Mongaguá, somando cerca de 20 embarcações de pequeno porte monitoradas.

Os locais são visitados uma ou duas vezes por semana para a coleta de dados sobre a pesca e capturas acidentais de animais marinhos. Os aspectos econômicos da pesca nas comunidades também serão pesquisados pela ONG.

Fonte: Agência USP de Notícias

  
  

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Reinaldo

Reinaldo

28/12/2008 23:35:06
Sou Policial Militar Ambiental atuando no pelotão de fiscalização marítima desde 2001 na área de Bertioga a Peruíbe. Certamente uma das prioridades para equacionar a pesca, tanto artesanal quanto a industrial, é diminuir a sua intensidade sobre os estoques pesqueiros, pois tive informações que os principais estoques estão em seu limite de sustentabilidade, mas para que isso pudesse ocorrer sem grandes conflitos seria mecessário criar alternativas de rendas para os pescadores artesanais.
gostaria de ter mais informações deste trabalho e de outros que eventualmente criem alternativas viaveis para que pescadores possam viver dignamente.

Leandro

Leandro

26/08/2008 17:44:44
Sou do Rio de Janeiro, e gostaria de conhecer na íntegra o trabalho desenvolvido. Lidar com a área pesqueira vem se mostrando cada vez mais uma atividade de intensa responsabilidade sócio-ambiental, uma vez que existe atualmente uma preocupação com inúmeras famílias que dependem dessa atividade seja de cunho artesanal ou mesmo industrial, que por sua vez emprega em suas embarcações e estrutura como um todo, muitas pessoas.