Pesquisador demonstra como se formam os odores no cérebro dos insetos

A vida de um inseto é bastante regulada pelas trilhas dos odores. Seja no momento da atração sexual, da escolha do local para a colocação dos ovos e até de qual flor deve ser polinizada, tudo é controlado pelos receptores de cheiro e pelo modo como as inf

  
  

A vida de um inseto é bastante regulada pelas trilhas dos odores. Seja no momento da atração sexual, da escolha do local para a colocação dos ovos e até de qual flor deve ser polinizada, tudo é controlado pelos receptores de cheiro e pelo modo como as informações são processadas no sistema nervoso central.

“Escolhi como modelo o gênero Manduca”, disse John Hildebrand, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, à Agência FAPESP.

O cientista esteve em Natal, apresentando os seus estudos no Simpósio Internacional de Neurociência, encerrado no domingo (7/3). “Esse gênero é simplesmente fantástico em termos científicos”, disse.

De acordo com o pesquisador, por causa do tamanho, por exemplo, que mais parece com o de um pequeno pássaro, fica mais fácil identificar as estruturas cerebrais. Dentro desse grande modelo científico, Hildebrand se detém em estruturas localizadas na antena dos insetos, chamada de glomérulos. Após as partículas químicas serem captadas, elas serão decodificadas por essas estruturas antes de estimularem o cérebro.

“A recepção de algumas partículas voláteis das plantas, como o gás carbônico, foi simplesmente sensacional nos insetos analisados”, explicou o norte-americano.

Para gravar as correntes elétricas emitidas durante o processo da decodificação das informações, ele utilizou pequenos microssensores, ligados de forma direta em determinadas regiões cerebrais. Decifrar os códigos odoríferos é difícil, devido à complexidade dos fluxos de informação. Se em uma antena existe a célula A e a B, explica Hildebrand, nem sempre elas serão estimuladas simultaneamente pelos odores.

“Os padrões são totalmente dependentes do conteúdo da informação”, disse. Os odores, dependendo das características químicas, poderão estimular apenas a célula A, apenas a B ou então ambas.

“A intensidade do cheiro também é importante em cada um dos casos.” Enquanto a pesquisa básica sobre o processo de decodificações dos odores continua no Arizona, o cientista pensa no futuro de suas pesquisas. Um próximo passo poderá ser dado no instituto na capital potiguar.

“Entender o processamento da informação passada pelos odores no sistema nervoso central pode ser muito importante para o controle de doenças tropicais como Chagas, malária ou dengue”, disse Hildebrand.

“Já existem alguns grupos trabalhando com isso, mas o problema é que o cérebro dos mosquitos transmissores é muito pequeno, o que dificulta bastante as pesquisas.”

Fonte: Agência Fapesp


  
  

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