Pesquisadores de São Carlos-SP criam fibra para substituir o amianto

A partir de 1º de janeiro de 2005, o amianto não tem mais vez em São Paulo. Pela lei que entrou em vigor, ficaram proibidas no Estado a importação, a comercialização e a fabricação de produtos que contenham esse silicato natural hidratado de cálcio e magn

  
  

A partir de 1º de janeiro de 2005, o amianto não tem mais vez em São Paulo. Pela lei que entrou em vigor, ficaram proibidas no Estado a importação, a comercialização e a fabricação de produtos que contenham esse silicato natural hidratado de cálcio e magnésio, cujo processo de extração e processamento causa danos à saúde.

Uma fibra cerâmica segura e econômica, produzida a partir da escória líquida do alto-forno da siderurgia, chega no momento exato e pode ser a alternativa para a fabricação de produtos como caixas d’água, pisos e telhas.

A novidade acaba de ser desenvolvida em São Carlos (SP) por pesquisadores do CMDMC - Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos, um dos Cepids - Centros de Pesquisa, Inovação de Difusão da FAPESP.

“A fibra cerâmica tem as mesmas propriedades físicas do amianto, porém sem os problemas causados por este último ao organismo humano”, disse Elson Longo,diretor do CMDMC, à Agência Fapesp - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

O produto é resultado de parceria com a CSN - Companhia Siderúrgica Nacional e está em fase de patenteamento. O desenvolvimento contou com a participação do professor do Instituto de Química da Unesp - Universidade Estadual Paulista, José Arana Varela.

O novo material cerâmico é altamente versátil. Segundo Longo, poderá ser aplicado na construção civil, na indústria de autopeças, em lacres e revestimentos de fricção, em bandas de rodagem de pneus e também como material isolante térmico, acústico e de prevenção ao fogo.

“Além do ganho ambiental, o custo do processo de fabricação da fibra cerâmica também será menor”, disse Longo sobre outra vantagem do produto.

Segundo o pesquisador, isso ocorre porque a energia para fundir o material no processo atual representa o insumo mais caro da produção.

“No caso do uso da escória, ela é recolhida fundida.”

O processo para obtenção da nova fibra começa quando a emissão de ar comprimido em alta pressão contra o fluxo de escória da siderurgia transforma o líquido em filamentos.

Em seguida, é feito o entrelaçamento desses fios, que serão ainda tratados com soluções de resinas orgânicas para serem aglomerados, antes de serem usados na linha de produção.

Segundo Longo, as fibras cerâmicas desenvolvidas em São Carlos poderão ser vendidas em breve para a indústria.

“Estamos esperando o número do depósito da patente para que a matéria-prima possa ser comercializada no Brasil e no exterior. Já temos uma empresa norte-americana interessada nas fibras”, disse.

Amianto :

As fibras de amianto, denominação dada aos silicatos fibrosos, são largamente empregadas na indústria devido à elevada resistência mecânica, abundância na natureza e baixo custo.

O Brasil produz anualmente cerca de 200 mil toneladas de amianto e exporta 60% de sua produção para países em desenvolvimento, como Tailândia, México, Colômbia e China.

A única mina de amianto em funcionamento na América Latina se localiza na cidade de Minaçu, em Goiás. Na cadeia produtiva brasileira, que envolve extração,
industrialização e venda, o amianto emprega cerca 200 mil pessoas. O Canadá é o maior produtor mundial, com a fabricação de 585 mil toneladas por ano.

O processo de extração e processamento desses silicatos fibrosos é que causa danos à saúde. Calcula-se que cerca de 2,5 mil trabalhadores estejam doentes no Brasil por causa do amianto.

De acordo com os especialistas, esses números são apenas o início do problema, porque o pico do adoecimento deverá ser entre 2005 e 2015, devido ao período de latência da doença ser de 30 a 35 anos.

As pessoas contaminadas por causa da inalação das fibras de amianto sofrem com asbestose (endurecimento dos pulmões), mesotelioma (câncer da membrana que envolve os pulmões e a cavidade abdominal) e câncer de pulmão.

Fonte: Agência Fapesp

  
  

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