Piracicaba é primeiro município a aderir ao programa Cidade Amiga da Amazônia

O prefeito de Piracicaba, José Machado (PT), assinou o `Compromisso pelo Futuro da Floresta`, assumindo a implantação do programa Cidade Amiga da Amazônia no município. Com cerca de 350 mil habitantes, Piracicaba é a primeira cidade do país a formalizar s

  
  

O prefeito de Piracicaba, José Machado (PT), assinou o `Compromisso pelo Futuro da Floresta`, assumindo a implantação do programa Cidade Amiga da Amazônia no município. Com cerca de 350 mil habitantes, Piracicaba é a primeira cidade do país a formalizar sua participação no programa do Greenpeace.

Durante a solenidade de assinatura, o prefeito José Machado disse que Piracicaba `tem todas as condições para assinar os compromissos do programa`. `O governo tem um papel educador e pode colocar a questão ambiental no centro do debate.Somos uma cidade que se preocupa com a conservação ambiental`, disse.

O objetivo do `Cidade Amiga da Amazônia` é que as prefeituras brasileiras implementem políticas de consumo consciente e incentivem o mercado de madeira de manejo sustentável, adotando critérios para a compra de produtos madeireiros não destrutivos provenientes da Amazônia.

Para demonstrar que é possível consumir madeira sem destruir a floresta, o Greenpeace trouxe a Piracicaba seis cadeiras e duas mesas de madeira certificada pelo FSC (Conselho de Manejo Florestal) para a assinatura do termo de compromisso.

A indústria madeireira é uma das principais forças de destruição da Amazônia, maior floresta tropical do planeta. Entre 2001 e 2003, mais de 5 milhões de hectares de floresta foram perdidos, o equivalente a nove campos de futebol desmatados por minuto.

Cerca de 85% da madeira produzida na região amazônica é consumida no Brasil - a maior parte da matéria-prima é oriunda de desmatamentos irregulares ou da extração ilegal.

`Piracicaba está dando um bom exemplo de vontade política ao assinar o termo de compromisso. O próximo passo da prefeitura é instituir um grupo de trabalho para elaborar a política municipal de compra de madeira`, afirmou o coordenador politico do programa do Greenpeace, Gustavo Vieira, presente à cerimônia.

Para tornar-se uma `Cidade Amiga da Amazônia`, as administrações devem formular leis municipais que exijam quatro critérios básicos em qualquer compra ou contratação de serviço que utilize madeira produzida na Amazônia: proibir o consumo de mogno; exigir, como parte dos processos de licitação, provas da cadeia de custódia que identifiquem a origem legal da madeira; dar preferência à madeira proveniente de planos de manejo sustentável, inclusive madeira certificada pelo FSC; e
orientar construtores e empreiteiros a substituir madeiras descartáveis utilizadas em tapumes, fôrmas de concreto e andaimes por alternativas reutilizáveis, como ferro ou chapas de madeira resinada.

`A idéia é que as prefeituras tornem-se exemplos de consumidores conscientes para o restante da sociedade, utilizando seu poder de compra como política ambiental`, disse Gustavo. `Também é uma maneira de combater a exploração ilegal e predatória de madeira amazônica, que hoje é a regra do mercado, e não a exceção. Cada `Cidade Amiga da Amazônia` dará um recado claro aos madeireiros: existe mercado consumidor para a madeira produzida de forma sustentável`.

Além de Piracicaba, o programa já foi apresentado e está em fase de análise nos municípios de Sorocaba, Campinas, Bauru e São José dos Campos. Em princípio, o programa estará concentrado nos municípios do Estado de São Paulo, já que os paulistas respondem por cerca de 25% do consumo de toda a madeira produzida na Amazônia, mas deve se expandir para outros estados em um futuro próximo. Esta iniciativa é parte da campanha do Greenpeace em defesa da Amazônia, que nos últimos anos vêm denunciando a exploração ilegal de madeira e trabalhando por um novo modelo de desenvolvimento para a região.

Fonte: Greenpeace.

  
  

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