Plano prevê remoção de 30 mil famílias da Guarapiranga

São Paulo - As Secretarias do Meio Ambiente do Estado e do Município anunciam hoje um plano de ação para a retirada de mais de 30 mil famílias do entorno da Represa Guarapiranga, na zona sul de São Paulo. Para imp

  
  

São Paulo - As Secretarias do Meio Ambiente do Estado e do Município anunciam hoje um plano de ação para a retirada de mais de 30 mil famílias do entorno da Represa Guarapiranga, na zona sul de São Paulo. Para impedir novas ocupações no manancial que abastece 25% da capital, Estado e Prefeitura vão fechar casas de material de construção e de fabricação de blocos de cimento. O plano inclui a abertura de processo criminal contra vereadores, deputados e candidatos a cargos eletivos que usam invasões para obter votos; fiscalização de imobiliárias e loteadores ilegais; urbanização de favelas; e construção de rede de esgoto em bairros mais antigos.

Nas ações de repressão, as secretarias terão o apoio da Polícia Militar Ambiental, da Polícia Civil e da Guarda Civil Metropolitana (GCM). O Município se comprometeu a criar uma guarda ambiental, com cerca de 200 integrantes da GCM.

“A polícia ambiental, reforçada pela Polícia Militar e a guarda ambiental, vai orientar os moradores na Guarapiranga. Não queremos novas ocupações. A ação será ostensiva, de constrangimento mesmo”, explicou o secretário de Estado do Meio Ambiente, Francisco Graziano. Ele fará hoje o anúncio de programa, de 22 itens, para desocupar parte das áreas invadidas do manancial. Além de Graziano, o secretário municipal do Meio Ambiente, Eduardo Jorge, integra o comitê gestor que desenvolverá as atividades.

A intenção do poder público é frear o crescimento populacional e a construção de casas nas áreas de mananciais. A ação é considerada estratégica. É da Guarapiranga que saem 14 mil litros por segundo de água para abastecer 3,7 milhões de pessoas na zona sul e no município de Taboão da Serra. São 1,5 milhão de pessoas que moram nas regiões das Subprefeituras de Capela do Socorro, Parelheiros e M’Boi Mirim. A população que vive em áreas de risco ou muito perto da represa e afluentes chega a 86 mil pessoas.

As famílias que serão removidas moram numa faixa de 30 a 50 metros do espelho d’água. “Vamos retirar também famílias em áreas impróprias, de risco e de fundo de vale. A remoção será feita em parceria com a Secretaria de Habitação, encarregada de construir moradias em outros locais”, disse Graziano.

O cerco aos loteadores, segundo o secretário, será efetuado pelas Subprefeituras de Capela do Socorro, M’Boi Mirim e Parelheiros. Elas já têm um levantamento das casas de venda de material de construção e fabricantes de blocos de concreto que serão fechadas.

O Estado já começou a identificar os políticos com base eleitoral na área. “Esses candidatos usam o chamado kit-barraco, que é madeira e telha para construir barraco. São incitadores do crime”, disse Graziano, sem citar nomes.

Para apoiar a ação policial, o governo do Estado promete criar uma delegacia do meio ambiente no local. O trabalho deverá ter suporte do Procon, na análise de contratos de venda de lotes ilegais.

A Sabesp aguarda liberação de financiamento do Banco Mundial para urbanizar algumas favelas na Guarapiranga, onde moram mais de 90 mil famílias. As casas despejam o esgoto na represa, sem nenhum tipo de tratamento. O projeto foi orçado em cerca de R$ 200 milhões. Em 22 de março, o governador José Serra e o prefeito Gilberto Kassab devem ir ao Parque do Guarapiranga assinar a parceria. (Eduardo Reina)

FONTE: Agência Estado

  
  

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