População de araras-azuis-de-lear aumentou 5% nos últimos doze meses

A população de araras-azuis-de-lear (Anodorhynchus leari) no sertão da Bahia aumentou cinco por cento (5%) nos últimos doze meses. De 412, a população saltou para 455 indivíduos, conforme dados do novo censo da espécie que terminou no dia 30/6, na reg

  
  

A população de araras-azuis-de-lear (Anodorhynchus leari) no sertão da Bahia aumentou cinco por cento (5%) nos últimos doze meses.

De 412, a população saltou para 455 indivíduos, conforme dados do novo censo da espécie que terminou no dia 30/6, na região dos municípios de Jeremoabo e Canudos, no nordeste do estado.

O levantamento foi coordenado pelo Cemave - Centro de Pesquisa para a Conservação de Aves Silvestres, do Ibama. A arara-azul-de-lear é considerada uma das aves mais ameaçadas de extinção do mundo. Além da população selvagem na Caatinga baiana, restam apenas 41 araras dessa espécie em cativeiro.

De acordo com o biólogo João Luis do Nascimento, chefe do Cemave, a recuperação da população de araras-azuis-de-lear verificada ao longo dos últimos anos deve-se à intensificação dos trabalhos de campo realizado com a espécie em sua área de ocorrência.

Segundo ele, a presença dos pesquisadores no campo em tempo integral, as campanhas de fiscalização e o envolvimento das comunidades da região com a conservação das araras são fatores que ajudam a inibir o tráfico das aves, tido como a principal ameaça para essa espécie. Em 1988, a população de araras-azuis-de-lear na natureza chegou ao alarmante número de 170 indivíduos.

A captura ilegal das aves destinada ao mercado internacional foi um dos principais motivos que quase levaram a espécie à extinção.

Além do tráfico, a degradação ambiental da Caatinga também empurrou as raríssimas araras para a situação de risco. É que o principal alimento das aves, a palmeira do licuri (Syagrus coronata), também tornou-se escasso no sertão devido ao pastoreio e ao manejo inadequado da Caatinga, um bioma pouco conhecido mas bastante ameaçado.

Com os dados obtidos no âmbito do Projeto de Conservação da Arara-Azul-de-Lear, espera-se poder colaborar para o estabelecimento de práticas agro-pastoris sustentáveis na região.

Do ponto de vista científico, a principal meta a partir de agora é a ampliação do conhecimento sobre a biologia reprodutiva da espécie.

“Ainda não se sabe ao certo quantos ovos cada fêmea produz na estação de reprodução, o número de filhotes que nascem, as perdas naturais e outros dados importantes para o estabelecimento de estratégias de proteção”, explica o chefe do Cemave.

As araras fazem os ninhos em paredões de arenito muito altos, quase inacessíveis aos pesquisadores. Para chegar a eles, os biólogos ligados ao projeto estão sendo treinados em cursos de rappel, o que facilitará o acesso dos estudiosos.

O Ibama também dotará de infra-estrutura a Estação Ecológica do Raso da Catarina, unidade de conservação do instituto que encontra-se na área de ocorrência da arara-azul-de-lear. Com a instalação de novas bases de apoio do trabalho de campo será possível intensificar a fiscalização na área.

Fonte: Ibama

  
  

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