Produtores avaliaram tecnologia de agricultura sem queima, em Igarapé-Açu

No dia 2 de abril, os pesquisadores que integram o projeto Tipitamba realizaram mais um evento que discutiu a opção de substituir o tradicional uso do fogo na pequena agricultura amazônica, pelo corte e trituração da capoeira. Produtores dos município

  
  

No dia 2 de abril, os pesquisadores que integram o projeto Tipitamba realizaram mais um evento que discutiu a opção de substituir o tradicional uso do fogo na pequena agricultura amazônica, pelo corte e trituração da capoeira.

Produtores dos municípios de Barcarena e São Francisco do Pará ouviram de pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental, em Igarapé-Açu, como se pode trocar a prática milenar de derrubar e queimar a vegetação antes de plantar pela proposta de uma agricultura sem queima.

O projeto, que é uma parceria da Embrapa Amazônia Oriental, empresa vinculada ao Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária com o Governo Alemão, propõe, em síntese, o manejo da vegetação secundária em
pousio (conhecida por capoeira), com a substituição da prática secular e mais usual na agricultura familiar de preparo de área que consiste em derrubar e queimar pelo corte e trituração da capoeira.

Este sistema elimina as implicações negativas da prática de queimar e propicia maior flexibilidade ao período de plantio, além de melhorar as condições físicas,químicas e biológicas do solo.

Além do preparo de área sem queima, a outra prática que pode ser adotada no sistema de produção insere a melhoria da capoeira através do plantio(semente ou muda) de árvores leguminosas de rápido crescimento ao final do ciclo da última cultura, para acelerar o acúmulo de carbono e nutrientes, através do acesso a água e nutrientes de camadas mais profundas do solo que suas raízes atingem.A associação dessas duas práticas traz vantagens econômicas e reduz os impactos ambientais.

A pesquisadora Socorro Kato, da Embrapa de Belém, ressalta que `é possível realizar dois períodos de plantio subseqüentes, intensificando o uso da terra de modo sustentável, com menor tempo gasto no preparo do solo.

Sem a queima, não há perda de nutrientes pelo fogo, a retenção da matéria orgânica no solo melhora a sua estrutura física e reduz a emissão de gases nocivos à atmosfera. A manutenção do sistema com base nas capoeiras também garante baixas taxas de lixiviação e de contaminação de cursos d`água.

Outra característica deste projeto, que é uma continuidade do `Shifth-Capoeira, iniciado em 1991, é o componente participativo. Os produtores participam ativamente de todas as fases, avaliam, questionam e emitem pareceres sobre pontos positivos e negativos que detectam na proposta apresentada pela pesquisa.

Fato que se repetirá nesta quarta-feira, na Fazenda Escola da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), localizada em Igarapé-Açu. Serão 30 produtores da comunidade Vai-Quem-Quer (Barcarena) e do assentamento Luiz Sobrinho (São Francisco do Pará) conhecendo na teoria e na prática como deixar de fazer a derruba-e-queima e entrar em outra fase menos danosa ao meio ambiente.

Socorro Kato, que coordena o segmento voltado à ação participativa, ressalta que, embora a ênfase do trabalho seja evitar a queima, ele também está proporcionando uma mudança no calendário agrícola da região, fazendo
com que o agricultor possa trabalhar em outras épocas de plantio.

`Isso representa inclusive economia de água. E esta, como sabemos, será uma das grandes questões deste século`.

O projeto envolve aproximadamente 100 estudiosos entre pesquisadores e estudantes , sendo oficialmente parceiros técnicos da Embrapa Amazônia Oriental, a Universidade de Bonn, e Universidade de Goettingen na Alemanha; o Woods Hole Research Center, nos Estados Unidos, a UFPa, através do Núcleo de Agricultura Familiar (NEAF), do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA) e do Grupo de Hidrogeoquímica; a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra); o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa); a Universidade de São Paulo (USP), através do Centro de Energia Nuclear na Agricultura e da E.Sup.de Agricultura Luiz Queiroz;a U.Federal de Lavras; A U.F.de Pelotas, a Embrapa Meio Ambiente e a Embrapa Instrumentação Agropecuária; e a firmas Promac; e AHWI do Brasil.

Financeiramente, as pesquisas têm o apoio do Programa Shift, uma cooperação entre os Ministérios da Ciência e Tecnologia da Alemanha e do Brasil, no Brasil através do CNPq, o PPG-7, o Fundo Estadual de Ciência e Tecnologia (Funtec), a Embrapa, a UFPA, e o CNPq, através do Instituto do Milênio e de projetos de Agricultura Familiar e do Programa Norte de Pesquisa e Pós Graduação.

Fonte: Jornalista Ruth Rendeiro

  
  

Publicado por em

Cristiane

Cristiane

28/11/2008 15:41:47
A prática da agricultura sem a utilização do fogo um modelo de sustentabilidade que deve ser utilizado pela agricultura familiar, a fim de deixar de lado a agricultura intinerante. O projeto shifth-capoeira é um modelo que já está sendo copiado e reproduzido em outras áreas do Pará, não mais só no nordeste paraense e isso é muito importante.