Produtores de soja esperam apoio de Palocci para safra transgênica

Os produtores de soja e o governo do Rio Grande do Sul acreditam que a força dos argumentos econômicos vai desmontar ameaças como proibição da venda e interdição das lavouras que rondam a safra predominantemente transgênica deste ano. Um dos aliados que

  
  


Os produtores de soja e o governo do Rio Grande do Sul acreditam que a força dos argumentos econômicos vai desmontar ameaças como proibição da venda e interdição das lavouras que rondam a safra predominantemente transgênica deste ano. Um dos aliados que pretendem conquistar nos próximos dias é o ministro da Fazenda, Antônio Palocci.

O principal argumento da pressão política é a lembrança de que, mesmo que o plantio tenha sido ilegal, nem o Estado e nem o País podem abrir mão de 8,5 milhões de toneladas do grão e do US$ 1,74 bilhão que tamanha produção jogaria na economia local, segundo as previsões para a safra deste ano.

A partir dessa constatação, o assunto tende a migrar das discussões entre agricultores, produtores de sementes e ambientalistas para a mesa do ministro da Fazenda.

"Duvido que o ministro Palocci não queira comercializar a safra", disse o secretário estadual da Agricultura, Odacir Klein, a um grupo de empresários reunidos pela Brasoja Corretora de Cereais Ltda na semana passada.

"O ministro que mais vai contribuir para isso (a liberação da safra) é o Palocci", prevê o presidente da Farsul - Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul, Carlos Sperotto, que apresentou a reivindicação do setor aos deputados estaduais e federais gaúchos na segunda-feira(17/2).

Sperotto foi a Brasília (DF) na terça-feira(18/2) para defender a liberação da comercialização da safra transgênica. E teve reuniões agendadas com a CNA - Confederação Nacional da Agricultura e com técnicos do Ministério da Agricultura.

Ao mesmo tempo em que agem na frente política, os produtores esperam que a liminar que impõe a necessidade de EIA - Estudo de Impacto Ambiental para o descarte na natureza de OGMs - organismos geneticamente modificados seja cassada, o que aliviaria toda a tensão que a safra deste ano está provocando no agribusiness.

O julgamento está suspenso desde fevereiro do ano passado, mas só será retomado daqui a 60 dias. O porcentual de OGMs sobre o total da soja plantada no Rio Grande do Sul gera controvérsias, mas nunca é pequeno.

"É voz corrente que superar 70%", comenta Sperotto. O diretor da Brasoja, Antônio Sartori, afirma que apenas 5% da lavoura é rastreada, e acredita que os outros 95% sejam de sementes mistas.

O secretário Klein reconhece que o plantio é ilegal, mas diz que foi feito no governo anterior e que o atual não pode se dar ao luxo de desperdiçar a safra. O presidente do Sindicato Rural de Passo Fundo, Carlos Alberto Fauth, admite que os produtores sabiam dos riscos que iriam correr. E lembra que nunca houve qualquer orientação de entidades como os sindicatos e a Farsul para que fosse plantada soja transgênica.

"Mas a redução de 30% a 40% nos custos da lavoura e a perspectiva de menos gastos com agrotóxicos falaram mais alto para muitos agricultores", justifica.

Em Passo Fundo e municípios vizinhos o temor dos produtores é maior. A Polícia Federal indiciou oito plantadores de soja num inquérito pedido pelo Ministério Público Federal e já colheu amostras do grão armazenado em 20 silos de empresas e cooperativas da região.

O delegado Mário Vieira tem dito que se os laudos forem positivos poderá apreender estoques ou interditar lavouras. Muitos associados do sindicato tem manifestado a Fauth o temor de que, diante das notícias, as empresas e cooperativas deixem de comprar a soja deste ano.

Sperotto destaca, ainda, que não há nem a perspectiva de guardar o produto até que a questão se decida na Justiça. O Estado tem não como armazenar a produção. Se não for vendida quando começar a colheita, daqui a 40 dias, a soja pode apodrecer no campo.

Fonte: Agência Estado

  
  

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