Projetos sustentáveis aquecem mercado imobiliário brasileiro

No Brasil, as certificações mais utilizadas são a AQUA e a LEED, criada nos EUA, que atestam a sustentabilidade do empreendimento.

  
  

O Brasil já ocupa o ranking do quarto país do mundo com o maior número de obras com selo verde e certificadas por sustentabilidade, atrás apenas de Estados Unidos, China e Emirados Árabes Unidos, segundo dados do GBC Brasil (Green Building Council).

Essa é uma boa notícia nesse momento de falta de água e ameaça de escassez de energia e mostra que o mercado imobiliário precisa ampliar ainda mais o número de projetos verdes, pois uma pesquisa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) apurou que a preferência do comprador está em projetos com medidas econômicas e sustentáveis, e que tragam mais segurança e conforto.

Prédios verdes, green buildings ou construções sustentáveis são edificações pautadas pela preocupação e cuidado com a minimização dos impactos ambientais, maximização dos recursos empregados e com a economia de água e energia elétrica.

“Trata-se de um novo conceito de construção, que tem conquistado espaço no Brasil e que demanda uma nova abordagem, desde a criação do projeto até a escolha dos materiais usados”, explica Angela Macke Ferreira, engenheira civil e sócia da Manati Engenharia e Consultoria Ambiental, empresa especializada em gestão de projetos sustentáveis e consultoria para obtenção de certificações, localizada na cidade de São Paulo.

No que se refere à economia de água, uma das medidas mais praticadas e de baixo custo para prédios é a instalação de hidrômetros individuais, em que cada condômino paga o que consumiu.

“Essa medida tem se demonstrado bastante eficaz na economia de água, pois quando a conta é simplesmente dividida igualmente entre todos, o pensamento é de que não adianta economizar se o vizinho gasta; e se a medição for individualizada cada um pagará a sua parte”, declara Giseli Fernandes, sócia da Manati.

Outras soluções para a economia de água são a adoção de cisterna para captação de água de chuva, que pode ser utilizada para jardins e descarga de bacias sanitárias, e a captação da água do chuveiro com filtragem e recirculação.

Em relação à energia elétrica, o projeto pode conter opções de geração própria e de economia. Na geração, a dica é utilizar placas fotovoltaicas e aquecimento solar de água.

Para a economia, a mais nova estratégia é o sistema de automação que permite que a pessoa controle o uso de iluminação e ar condicionado por sensores. Esse sistema também traz mais segurança e praticidade aos moradores do prédio.

O uso de equipamentos com baixo consumo de energia, que têm o selo Procel A, atua também na economia de energia, além do uso de lâmpadas fluorescentes e de LED.

Na projeção de um prédio com características verdes, os profissionais das áreas envolvidas, como arquitetos e engenheiros, devem analisar o projeto como um todo, para que se encontre a melhor forma de executar os processos.

Essa junção de conhecimentos recebe o nome de gestão integrada de projetos e é de grande relevância para o bom desempenho da construção.

“Além da gestão integrada precisamos lembrar que para cada item ou projeto existem normas específicas e restrições para serem seguidas” acrescenta Angela.

Ela ressalta que o custo do metro quadrado da construção verde é maior em relação ao modelo convencional, mas a economia virá com a redução nas contas de consumo de água e de energia e nos serviços de operação e manutenção.

Para ser considerada sustentável, a construção precisa atender aos requisitos mínimos para conquistar o selo verde.

No Brasil, as certificações mais utilizadas são a AQUA (Alta Qualidade Ambiental) e a LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), criada nos EUA, que atestam a sustentabilidade do empreendimento.

"O consumidor está cada vez mais consciente da importância do tema sustentabilidade e notamos que também está mais disposto a pagar por isso", finaliza Giseli Fernandes.

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Fonte: Ilone Vilas Boas

  
  

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