Brasil inaugura primeira planta de plasma do mundo

As empresas Klabin, Tetra Pak , Alcoa e TSL Ambiental anunciam a inauguração da nova planta de reciclagem de embalagens longa vida em Piracicaba, interior de São Paulo. Pioneira no mundo, a nova fábrica faz uso inédito da tecnologia de Plasma, que per

  
  

As empresas Klabin, Tetra Pak , Alcoa e TSL Ambiental anunciam a inauguração da nova planta de reciclagem de embalagens longa vida em Piracicaba, interior de São Paulo.

Pioneira no mundo, a nova fábrica faz uso inédito da tecnologia de Plasma, que permite a separação total do alumínio e do plástico que compõem a embalagem. O processo revoluciona o modelo atual de reciclagem das embalagens longa vida, que até então separava o papel, mas mantinha o plástico e o alumínio unidos.

O processo de Plasma chega como mais uma opção de reciclagem, permitindo o retorno dos três componentes da embalagem para a cadeia produtiva como matéria-prima.

” Foram sete anos de pesquisa e desenvolvimento para chegarmos a este novo processo”, afirma Fernando von Zuben, diretor de Meio Ambiente da Tetra Pak.

A construção da nova planta consumiu investimentos da ordem de R$ 12 milhões, compartilhados entre as quatro empresas, sem o uso de recursos governamentais ou incentivos fiscais.

A nova planta está localizada ao lado da fábrica da Klabin em Piracicaba, cuja linha de produção já recicla a camada de papel das embalagens cartonadas e recebeu da Klabin investimentos de US$ 2,5 milhões nos últimos 5 anos.

A Klabin é a maior recicladora de papéis do Brasil, com capacidade para produção de 400 mil toneladas de papel reciclado por ano.

“Para a Klabin, o investimento em uma tecnologia pioneira para reciclagem é mais uma demonstração de nosso compromisso histórico com o desenvolvimento sustentável”, afirma Miguel Sampol, diretor geral da Klabin. A localização da nova planta próxima ao terreno da Klabin contribui para a redução de custos: o material composto de plástico e alumínio segue diretamente da Klabin para o processamento no Plasma.

A nova unidade de Plasma tem capacidade para processar 8 mil toneladas por ano de plástico e alumínio , o que equivale à reciclagem de 32 mil toneladas de embalagens longa vida.

A emissão de poluentes na recuperação dos materiais é próxima de zero, feita na ausência de oxigênio, sem queimas, e com eficiência energética próxima de 90%.

A operação da nova fábrica é mantida pela TSL Ambiental, responsável pelo desenvolvimento da tecnologia do Plasma Térmico que, no Brasil, é a única a ser utilizada com o objetivo de recuperar materiais.

Segundo o diretor de Novos Negócios da TSL, Vladimir Ranevsky, a expectativa é que o lançamento desta planta seja o início da concretização de uma série de projetos ligados ao Plasma Térmico não só no Brasil, mas também em outros países. Ranevsky destaca que essa tecnologia permite que se reduza drasticamente a demanda pelo consumo de recursos naturais necessários para a produção das embalagens.

O objetivo principal da nova planta é ampliar ainda mais o volume de reciclagem das embalagens longa vida pós-consumo e, conseqüentemente, o incremento da cadeia de reciclagem, com a geração de emprego e renda.

“A nova planta é um marco no ciclo de reciclagem das embalagens longa vida. É um efeito cascata: a embalagem passa a valer mais para o reciclador e automaticamente passa a valer mais para o catador, que irá buscar mais e mais embalagens”, afirma Fernando von Zuben, diretor de Meio Ambiente da Tetra Pak.

Estima-se que a nova tecnologia deve aumentar o valor da tonelada das embalagens longa vida pós-consumo pago às cooperativas de catadores, nos próximos dois anos, com a consolidação das operações.

A tecnologia de Plasma

A aplicação da tecnologia de Plasma para a reciclagem de embalagens cartonadas é inédita no mundo: o sistema usa energia elétrica para produzir um jato de plasma a 15 mil graus Celsius para aquecer a mistura de plástico e alumínio. Com o processo, o plástico é transformado em parafina e o alumínio, totalmente recuperado em forma de lingotes de alta pureza.

A Alcoa, que fornece a folha fina de alumínio da embalagem, utiliza o alumínio reciclado para a fabricação de novas folhas, fechando o ciclo do material. A parafina é vendida para a indústria petroquímica nacional.

Já o papel, extraído na primeira etapa da reciclagem ainda na indústria de papel, mantém seu ciclo normal de reciclagem, sendo transformado em papelão, como ocorre na fábrica da Klabin.

“Este projeto sintetiza o melhor que o conceito de sustentabilidade pode trazer, como inovação tecnológica, parcerias, ganho ambiental e desenvolvimento social. Desta forma, a reciclagem representa importante contribuição no aspecto econômico, quando uma grande comunidade tem na coleta seletiva o seu sustento.

A Alcoa tem orgulho de participar da implantação desta tecnologia pioneira e, principalmente, 100% brasileira`, explica Flanklin Feder, presidente da Alcoa América Latina.

“O Brasil tem um histórico exemplar de reciclagem de alumínio e, conseqüentemente, um grande potencial para tornar-se referência no reaproveitamento de embalagens longa vida.”, completa o executivo.

O embrião do projeto de Plasma nasceu no Brasil há cerca de sete anos, quando o então Grupo de Plasma do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas da USP) iniciou um trabalho pioneiro no desenvolvimento de processos e tecnologias que pudessem tratar resíduos industriais de maneira completa, final e não poluidora, ao mesmo tempo em que permitissem o reaproveitamento de insumos valiosos presentes originalmente nesses resíduos.

O uso da tecnologia para processamento do plástico e alumínio das embalagens cartonadas foi testado positivamente e fez surgir a parceria entre as quatro empresas para instalação da unidade de reciclagem via plasma.

Brasil exporta tecnologia

A tecnologia de Plasma brasileira já desperta interesse fora do País. Missões de países como Suécia, Espanha e China, interessados em implantar o processo de reciclagem das embalagens cartonadas, visitaram, em 2004, a planta piloto da TSL Ambiental em Osasco (SP) e os primeiros resultados já começam a aparecer.

Em dezembro, uma planta de reciclagem nos mesmos moldes de Piracicaba será inaugurada na cidade de Valência, na Espanha, na fabricante de papel Nesa, que investiu € 6 milhões. Outros países na Europa também se mostram interessados pela tecnologia brasileira: Alemanha, Itália, França e Holanda.

A nova planta de Plasma

Localização: Piracicaba, SP

Área construída: 2.200m² m2, em um terreno de 11.000m²

Investimento: R$ 12 milhões

Capacidade: 8 mil toneladas de plástico e alumínio – equivalente a 32 mil embalagens longa vida / ano

Geração de Empregos: 25 diretos e 50 indiretos (em relação à fábrica)

Tecnologia:

Jato de plasma a 15.000º C

Emissão de Poluentes

Emissão de gases tóxicos próxima de zero

Eficiência energética

90%

Outras plantas em construção

Valência, Espanha

Outras plantas em projeto

Alemanha e Itália

Fonte: AG Comunicação Ambiental

  
  

Publicado por em

Carla Soares

Carla Soares

16/12/2008 09:35:17
Gostaria de informações sobre qual o tempo entre o inicio e a finalização do projeto e se há interesse em parcerias ou comercialização da tecnologia para outros estados.