Impulsionada por lei, reciclagem de eletrônicos registra crescimento no Brasil

Ao final de 2012, o Brasil terá descartado 495 mil toneladas de produtos como computadores, celulares, TVc e outros aparelhos pequenos. Em 2016, serão 892 mil toneladas

  
  
Centros de reciclagem crescem no Brasil. País vai descartar 495 mil toneladas de eletrônicos até o final de 2012

Um dos principais pontos da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), sancionada em 2010, o princípio da responsabilidade compartilhada estabelece que fabricantes, revendedores e consumidores destinem e/ou reaproveitem corretamente os resíduos sólidos. A procura para dar um fim ambientalmente correto ao chamado lixo tecnológico tem aumentado com o desenvolvimento da lei, segundo reportagem apurada pela Folha.

O diretor da recicladora de eletrônicos Vertas, situada em Mauá (SP), afirmou que passou a receber um número maior de consultas e de produtos desde que a lei passou a valer - os fabricantes foram obrigados a dividir a responsabilidade dos resíduos que geram com os revendedores e têm até 2014 para se adaptar às novas regras. Dell, HP, Itautec, Nokia, Motorola e Positivo dispõem de programas próprios de coleta de produtos no país.

Para Maria Tereza Carvalho, diretora do Cedir (Centro de Descarte e Reúso de Resíduos de Informática), da USP, há uma "demanda reprimida" pela reciclagem. "Muita gente me procura para montar seu próprio centro."

Ao final de 2012, o Brasil terá descartado 495 mil toneladas de produtos como computadores, celulares, TVs e outros aparelhos pequenos. Em 2016, serão 892 mil toneladas.

Herbert Mascarenhas, da Abree (Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos), que tem como parceiras AOC, Panasonic, Philips e outros, concorda que houve aumento na procura. "É hoje uma área bastante assediada. Tenho recebido muito mais consultas sobre a gestão do processo."

Coletadores do e-lixo
Estudo feito a pedido do governo federal mostra que, se as 150 maiores cidades do país receberem a estrutura necessária, como pontos de coleta, dois terços do e-lixo brasileiro terão sua reutilização viabilizada.

Mas isso não significa que é o Estado quem vai agir nesse sentido. "A responsabilidade é compartilhada por fabricantes, importadores e comerciantes", observou Zilda Veloso, gerente de resíduos perigosos do Ministério do Meio Ambiente. "Se prefeituras instalarem pontos de coleta, por exemplo, poderão cobrar desses responsáveis."

Projetos sociais
Instituições em todo o Brasil recebem os resíduos tecnológicos dos aparelhos eletrônicos e os encaminham para projetos sociais de inclusão digital e escolas. O Cedir, por exemplo, envia 200 computadores por ano. O centro, após período de reformas, voltou a aceitar doações na segunda-feira, 10 de dezembro.

A Abre (Associação Brasileira de Redistribuição de Excedentes) recebe qualquer tipo de eletrônico e envia os aparelhos que ainda funcionam a uma das 85 instituições sem fins lucrativos de seu cadastro. A associação também aceita equipamentos pifados - que são reciclados.

O C3RCO, parceria entre a Prefeitura de Osasco e a ONG Sampa.org, iniciado no segundo semestre de 2012 em Osasco (SP), aproveita computadores doados e oferece formação técnica em informática a 60 jovens com idade de 16 a 21 anos e baixa renda familiar.

Além de oficinas culturais, que envolvem atividades de estudo de música, os alunos do projeto recebem uma bolsa de R$ 286 para fazer 16 horas semanais de aulas de software e de montagem e manutenção de PCs.

Fonte: Portal EcoD

  
  

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