USP ensina reciclagem á catadores de lixo de São Bernardo do Campo-SP

“A gente pegava tudo que dava para reaproveitar no Lixão do Alvarenga. Ficávamos o dia inteiro recolhendo os restos dos outros. Muitos trabalhavam à noite, no frio e na chuva para conseguir sobreviver do lixo. Ninguém usava luvas nem sapatos, e

  
  

“A gente pegava tudo que dava para reaproveitar no Lixão do Alvarenga. Ficávamos o dia inteiro recolhendo os restos dos outros. Muitos trabalhavam à noite, no frio e na chuva para conseguir sobreviver do lixo.

Ninguém usava luvas nem sapatos, e as crianças também ajudavam. Quando estávamos com fome, comíamos lá mesmo o que encontrávamos, sem nem lavar as mãos”, lembra a ex-catadora de lixo Francisca Maria Lima Araújo.

A reciclagem foi a solução encontrada pela prefeitura de São Bernardo do Campo (SP) para retirar 92 famílias do Lixão do Alvarenga – um dos maiores da América Latina, com 40 hectares de lixo urbano a céu aberto –, onde cerca de 200 crianças e adolescentes sobreviviam do que colhiam.

Criado em 1998, o Programa Lixo e Cidadania é uma parceria com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), com a finalidade de promover cursos de reciclagem de lixo.

A iniciativa conseguiu colocar na escola as crianças que viviam entre detritos e ofereceu oportunidade de trabalho às famílias.

Para substituir a catação, feita de forma degradante, criou-se um serviço de reciclagem organizado pela coleta seletiva. Hoje, eles são 77 associados e recebem até R$ 600 por mês, para uma jornada de trabalho das 6h30 às 18h30.Francisca diz que o programa mudou a sua vida por completo.

“Fiquei três anos recolhendo latinhas no lixão. Há dois estou na Casa e sou a vice-presidente da Associação Refazendo, que gerencia o Centro de Ecologia e Cidadania do bairro Assunção. Cuido das empresas que doam material e aprendi a fazer de tudo aqui. Nosso trabalho é digno. Somos uma grande família.”

Às margens da Billings

Localizado às margens da Represa Billings, na divisa de São Bernardo do Campo e Diadema, o Lixão do Alvarenga foi fechado em junho do ano passado. O terreno, de 750 mil m2, começou a ser usado como depósito de lixo, entulho e resíduos em 1972.

Durante 30 anos, muitas famílias garantiram o seu sustento com os restos jogados por caminhões, a maioria clandestinos. Situado em área de proteção de mananciais, deverá ser transformado em parque ecológico.

O programa é vinculado ao Fórum Nacional Lixo & Cidadania – Criança no Lixo Nunca Mais, constituído por entidades internacionais como o Unicef - Fundo das Nações Unidas para a Infância, organizações não-governamentais e a CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

“O projeto foi feito para erradicar o trabalho infantil e a atividade de catação, tanto no lixão como nas ruas. Identificamos a situação das crianças vivendo dentro do lixo e verificamos que muitas nem tinham certidão de nascimento. Providenciamos os documentos, matrícula nas escolas e creches e acesso aos centros de saúde. Aos pais e mães oferecemos cursos de qualificação profissional. Todas as secretarias estão envolvidas na busca de soluções”, explica a assistente de diretoria da prefeitura de SBC, Aparecida de Souza Sobral.

Reciclar é a soluçãoA capacitação dos ex-catadores de lixo foi realizada graças às colaborações do Sebrae - Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas e do Disque-Tecnologia da Poli-USP.

As oficinas foram oferecidas nos dois Centros de Ecologia e Cidadania criados pela prefeitura em 200l e gerenciados pelos “garimpeiros” de rua, que se uniram em associações.

A Associação Refazendo, no bairro da Assunção, abriga 50 ex-catadores, e a Associação Raio de Luz, na Vila Vivaldi, acolhe 27 pessoas que pegavam material nas ruas, os chamados “carrinheiros”.Essas pessoas foram treinadas por uma equipe coordenada pelo professor Hélio Wiebeck, do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Poli-USP.

Além dos cursos, foi feita pesquisa e criado laboratório de reciclagem com financiamento do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas da Fapesp. Além de recuperar a dignidade dessa gente, o projeto quer também descobrir as melhores formas de aproveitamento dos produtos retirados do lixo.

“A coleta seletiva é uma das soluções para o lixo urbano porque reduz o volume de resíduos em aterros, lixões e incineradores; e a reciclagem ajuda a reduzir a extração de matérias-primas da natureza e, também, o consumo de energia. Apesar disso, nossa pesquisa constatou que apenas 135 prefeituras, das cinco mil existentes no País, adotam o sistema de coleta seletiva e reciclagem.”

As aulas foram dadas por bolsistas do projeto que tiveram, no começo, dificuldades em explicar o processo de reciclagem porque muitos dos ex-catadores de lixo eram analfabetos.

O problema foi contornado com o uso de quadros e cores e pelo contato direto com os materiais recicláveis, trazidos pelos caminhões da prefeitura.

Trabalhando o lixo:

Existem, na cidade, 209 “ecopontos”, conjuntos de quatro recipientes coloridos nos quais a população coloca, separadamente, papel, plástico, vidro e metais para serem recolhidos pelo serviço municipal. Nos dois Centros, o material recebido passa pela triagem, tratamento, trituração ou prensa.

Depois, o produto valorizado é acondicionado e revendido às indústrias de reciclagem, gerando trabalho e renda aos que aderiram ao programa.

“No caso de plásticos, por exemplo, os catadores aprenderam como reconhecer visualmente diferentes tipos de plásticos e separá-los. Dessa forma, agrega-se valor ao produto na hora da venda, pois o plástico vendido sem a separação possui menor valor de mercado”, explica Wiebeck.

Fonte: Agência Imprensa Oficial

  
  

Publicado por em

LUIZ CARLOS GODOY

LUIZ CARLOS GODOY

28/05/2012 20:34:39
ACHEI MUITO BOA E DE MUITA IMPORTÂNCIA! NOS DIAS ATUAIS, ESTAS AÇÕES SÃO MAIS QUE NECESSÁRIAS NA NOSSA SOCIEDADE. PARABÉNS!

Gabrielli s2

Gabrielli s2

20/02/2012 22:22:57
Ótimo! Achei muito bom essa divulgação.

Cesar Rodrigues Dias

Cesar Rodrigues Dias

23/10/2008 11:43:12
Bom dia ,gostaria de saber onde poderei tomar um curso sobre reciclagem em são paulo. Desde do recolhimento, separação e comercialização do lixo inorgânico e se possivel o beneficiamento do lixo orgânico em compostagem.
grato.