Relatório sobre investimentos dá a pior cotação possível para a Monsanto

A gigante agroquímica Monsanto recebeu a pior cotação possível - três C`s - em termos de gerenciamento estratégico e ambiental, de acordo com a Innovest Strategic Value Advisors, uma empresa global de pesquisas sobre investimentos ambientais e sociais.

  
  

A gigante agroquímica Monsanto recebeu a pior cotação possível - três C`s - em termos de gerenciamento estratégico e ambiental, de acordo com a Innovest Strategic Value Advisors, uma empresa global de pesquisas sobre investimentos ambientais e sociais.

O relatório da Innovest, `Monsanto e Engenharia Genética: Riscos para Investidores`, encomendado pelo Greenpeace, foi lançado no 16 de abril, pela manhã em uma reunião no Harvard Club, em Nova Iorque (EUA).

O relatório, publicado apenas alguns dias antes da reunião anual da Monsanto, alerta acionistas e potenciais investidores da Monsanto sobre `as chances de risco acima da média e uma forma de gerenciamento pouco sofisticada`.

Os analistas da Innovest prevêem que `ela (Monsanto)deve ficar abaixo da média do mercado no médio e longo prazo`.

A Monsanto sofreu perdas de US$ 1,7 bilhão no último ano e não conseguiu abrir novos mercados para seus controversos produtos geneticamente modificados. Além disso, a Monsanto continua adotando a duvidosa estratégia de apostar numa rápida aceitação
global dos produtos transgênicos.

O próximo alvo da Monsanto é o trigo geneticamente modificado, que está sendo boicotado por fazendeiros e pela indústria de alimentos nos mercados mais importantes, como Estados Unidos e Canadá, mesmo antes de sua aprovação.

`Apesar das perdas do último ano terem levado a uma mudança na direção da empresa, isso não levou a uma mudança nas estratégias de negócios. Se a Monsanto não tomar as medidas necessárias para mitigar seus grandes riscos de mercado, os investidores podem ter ainda mais perdas`, disse Frank Dixon, diretor da Innovest Strategic Value Advisors.

`O risco de grandes perdas financeiras graças a falhas tecnológicas e à poluição genética, somado com a contínua rejeição do mercado aos produtos transgênicos, fazem da Monsanto um investimento pouco interessante`.

A análise da Innovest sobre os riscos e responsabilidades associados aos negócios de engenharia genética da Monsanto dedica especial atenção à inevitabilidade da contaminação por transgênicos.

Referindo-se ao exemplo do escândalo da contaminação do milho StarLink em 2000, no qual a empresa Aventis perdeu US$ 1 bilhão, a Innovest estimou que a perda financeira potencial da Monsanto no caso de um `cenário StarLink` seria de US$ 3,83 por ação.

Em seu estudo sobre os mercados chave para a Monsanto, a Innovest ressaltou a falta de aprovação legal e a inflexível oposição dos consumidores, que continuam a bloquear as plantações transgênicas da empresa.

Os alimentos transgênicos constituem um dos grupos de produtos mais rejeitados na história, e grandes importadores de alimento, como a China, o Japão e a Coréia, recentemente adotaram a onda restritiva da Europa. Mesmo nos EUA, mais de 90% dos consumidores agora querem que os alimentos transgênicos sejam rotulados e 1/3 rejeitariam alimentos transgênicos se pudessem escolher.

`O negócio principal da Monsanto continua sendo com seus produtos agroquímicos, mas a queda de 24% das vendas de Round-up e de outros herbicidas não-seletivos no ano passado deixou a empresa vulnerável e cada vez mais desesperada. A Monsanto parece estar cavando sua própria cova com essa estratégia transgênica`, concluiu Lindsay Keenan, especialista de mercados do Greenpeace.

O sumário executivo do relatório da Innovest está disponível na internet.

Fonte: Assessoria de Imprensa do Greenpeace Brasil

  
  

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