Revelado potencial de vacina contra carrapatos em sistema de produção orgânica

O desenvolvimento de uma vacina contra carrapatos em bovinos cuja atividade está relacionada ao processo de coagulação a partir de uma proteína denominada BMTI vem sendo estudada pelo pesquisador Renato Andreotti, médico veterinário da Embrapa Gado de Cor

  
  

O desenvolvimento de uma vacina contra carrapatos em bovinos cuja atividade está relacionada ao processo de coagulação a partir de uma proteína denominada BMTI vem sendo estudada pelo pesquisador Renato Andreotti, médico veterinário da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande-MS).

O tema foi abordado na última quinta-feira, 03, em palestra realizada na Embrapa Rondônia (Porto Velho-RO) como atividade da parceria entre as duas Unidades da Embrapa, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e a Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora-MG).

As três Unidades desenvolvem em conjunto o projeto “Desenvolvimento tecnológico de sistemas orgânicos de produção agropecuária sustentáveis”, de autoria do pesquisador Ricardo Trippia dos Guimarães Peixoto, da Embrapa Agrobiologia (Seropédica/RJ).

A vacina é uma das alternativas mais promissoras para o controle do ectoparasita, um dos principais gargalos do projeto na visão do pesquisador João Paulo Guimarães Soares, da Embrapa Rondônia.

“O antígeno é uma alternativa para a produção de leite e de carne com qualidade em âmbito nacional. Uma das dificuldades já comprovadas em sistemas orgânicos de produção é o controle de carrapatos”, explica Soares.

O antígeno BMTI inibe a fixação da larva do carrapato em bovinos e comprovou uma eficiência de até 72,8% em ensaios preliminares desenvolvidos pelo pesquisador
Renato Andreotti em Campo Grande.

“É importante ressaltarmos que a vacina é eficiente somente em sistemas de manejo integrado. Não adianta o produtor vacinar seu gado e esquecê-lo no pasto”, alerta o pesquisador.

Andreotti se refere, entre outros fatores, à identificação no rebanho de animais predispostos a infestações mais severas, contabilizados em até 20% das cabeças.

“Estes animais são mais propensos e produzem a maioria dos carrapatos. O produtor deve identificá-los e planejar o descarte”, explica.

As vantagens da vacina com o antígeno BMTI, segundo o pesquisador, vão desde a sensibilização do sistema imunológico do animal ao estímulo da produção de anticorpos.

“Ela inibe que o carrapato desenvolva a ação
anticoagulante no sangue dos bovinos e então crie condições ideais para o parasitismo”, diz.

Como já existe no mercado um antígeno chamado BM86, os pesquisadores irão avaliar posteriormente a BMTI para o controle de carrapatos em bovinos no sistema em conversão para a produção orgânica de leite na Embrapa Rondônia. A recomendação é de três doses iniciais, seguidas de reforços a cada seis meses.

O pesquisador diz que os estudos estão voltados atualmente para a identificação de seqüências de genes do carrapato relacionadas às diversidades regionais.

“Depois de mapeadas, devemos encontrar proteínas recombinantes para capacitar o produto em todas as condições”, completa Andreotti.

A PESQUISA :

O sistema de produção orgânica de leite não permite a utilização de nenhum produto químico no controle sanitário do rebanho, preconizando a utilização de fitoterapia e homeopatia. Todas as vacinas são permitidas.

Num primeiro momento será utilizada a vacina com o antígeno BM86 com eficácia na vida parasitária do carrapato no sistema em conversão para produção orgânica de leite na Embrapa Rondônia.

O antígeno BM86 foi desenvolvido a partir de uma proteína encontrada no tubo digestivo do parasita. Quando aplicado em bovinos, causa lesão no tubo digestivo do carrapato atrapalhando seu desenvolvimento na vida parasitária.

Em conseqüência, ocorre a redução do número de ovos na postura. A eficiência pode chegar a 60%. Em sistemas rotativos espera-se ampliar esse efeito, segundo o pesquisador Renato Andreotti.

Outras informações podem ser obtidas junto à assessoria de comunicação social da Embrapa Rondônia pelo telefone (69) 225-9387.

Fonte: Embrapa

  
  

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