Software desenvolvido na UNB avalia potencial hídrico para agricultura

A cada dia os agricultores brasileiros passam a contar com dispositivos cada vez mais avançados tecnologicamente para o planejamento de sua atividade. As novas ferramentas, que vêm ganhando espaço no terreno da produção, comercialização e estocagem, s

  
  

A cada dia os agricultores brasileiros passam a contar com dispositivos cada vez mais avançados tecnologicamente para o planejamento de sua atividade.

As novas ferramentas, que vêm ganhando espaço no terreno da produção, comercialização e estocagem, se tornam indispensáveis para o setor que busca aumentar e manter a competitividade nos mercados interno e externo com refinamento da qualidade do que é ofertado.

Um dos mais recentes equipamentos colocado à disposição dos produtores rurais é um programa de computador que permite uma ampla varredura sobre o potencial hídrico de uma região, determinando as melhores épocas de plantio, a viabilidade de implantação de sistemas de irrigação e drenagem, o monitoramento e manejo específico das culturas, determinando a estação de plantio e monitorar em tempo real a disponibilidade hídrica do solo.

O software foi desenvolvido pelo mestrando em agronomia pela Universidade de Brasília (UnB), Gustavo D`Agiolella. Com ele, destaca o pesquisador, os agricultores poderão obter todos os cálculos necessários ao planejamento que possibilite, entre outras coisas, agregar valores aos seus produtos.

Gustavo demorou seis meses para concluir o projeto do software, que hoje já está disponível à qualquer usuário pelo e-mail gustavo@inmet.gov.br. Para os agrônomos, a oferta destas informações para os agricultores não é uma tarefa tão simples quanto parece. Exige um somatório de fatores, que nem sempre estão disponíveis.

O principal deles é o balanço hídrico, que estima o teor de água no solo, e é definido a partir de cálculos relacionando temperatura, altitude, longitude, entre outros. Orientado pela professora e geógrafa Vânia Lúcia Vasconcelos, da Faculdade de Agronomia e Veterinária (Fav) da UnB, Gustavo desenvolveu uma maneira de fazer o balanço hídrico no dia-a-dia, mensalmente ou anualmente.

Segundo Vânia, a aplicação do software está ligada a oferta de informações meteorológicas disponíveis facilitando a avaliação da necessidade de água para as culturas.

“A ferramenta auxiliará o reconhecimento, com a rapidez necessária, quanto cada região, em um determinado período precisa irrigar, evitando o desperdício de água e economizando no bombeamento”.

Isto representará um considerável aumento na produção agrícola, garante.O software disponibilizado por Gustavo serve também para geógrafos, geólogos, engenheiros civis e todos os profissionais que precisem trabalhar com dados exatos sobre a quantidade de água em determinado solo ao longo do ano.

Para desenvolvê-lo, o agrônomo contou com o apoio do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que já incorporou a ferramenta aos seus serviços. A procura pela inovação vem aumentando, comenta Vânia Vasconcelos que estuda a viabilidade de comercialização.

“Desde que publicamos o trabalho já recebemos mais de 160 pedidos”, conta.Assim como a maior parta das tecnologias da informática utilização desse software é passível para todo o país. O Departamento de Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Viçosa (UFV) desenvolve, por meio do Grupo de Pesquisa em Recursos Hídricos (GPRH), vários softwares para o planejamento e manejo dos recursos naturais.

O GPRH busca, dessa forma, fornecer subsídios para a redução do processo erosivo e atenuação das grandes vazões observadas em cursos de água, que são prejudiciais à agropecuária e às populações que vivem às suas margens.

De acordo com o professor Fernando Pruski, tudo começou com a criação do Terraço for Windows, no final da década de 90, por meio de um projeto coordenado por ele. O software foi um dos vencedores nacionais do Concurso Pesquisa Agropecuária, dentro do programa “Agricultura Real – Um Prêmio à Produtividade e Qualidade”, patrocinado pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento.

Encontra-se igualmente disponível o Terraço 2.0, também criado pelo GPRH, com o apoio da Secretária de Recursos Hídricos (SRH) do Ministério do Meio Ambiente (MMA), que constitui uma evolução das funções executadas pelo primeiro (dimensionamento e manejo de sistemas de conservação de solos e drenagem de superfície) realizar a locação, em planta, de sistemas de terraceamento (prática complementar para o controle da erosão) em nível; acessar bancos de dados relativos à descrição dos principais tipos de sistemas de terraceamento e critérios para a sua seleção e simular o comportamento de sistemas de terraceamento em gradiente e drenagem de superfície.

Ainda no GPRH existem vários softwares como o Hidros, que racionaliza o uso das principais práticas utilizadas no controle da erosão em áreas agrícolas; o Plúvio 1.3, que possibilita a obtenção da equação de chuvas intensas para diversas localidades do Brasil; o Dreno 2.0, que permite dimensionar sistemas de drenagem de superfície com e sem inundação parcial; entre outros que estão disponíveis e podem ser encontrados para download na internet.

Mas para que todos esses softwares obtenham informações precisas, a Embrapa Monitoramento por Satélite (CNPM) criou um sistema que informa por meio do monitoramento de balanço hídrico, a disponibilidade de águas para as culturas em função da localidade escolhida, do tipo de solo e da profundidade de enraizamento.O serviço foi lançado comercialmente em 1999, no aniversário de 10 anos de atividades do CNPM.

Hoje, o banco de dados do monitoramento do balanço hídrico já guarda cerca de dois milhões de registros. O aperfeiçoamento da mobilização do balanço hídrico deu lugar a publicações científicas e novas parcerias, com a área de meteorologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP).Atualizado duas vezes por semana, o Monitoramento do Balanço Hídrico é o resultado de uma parceria entre a Embrapa Monitoramento por Satélite, pela Agência Estado, pelo Ecoforça e a Climatempo. O serviço é comercializado pelo Agrocast e a receita obtida investida no seu aperfeiçoamento.

Fonte: Radiobras

  
  

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