Suplementos alimentares de bovinos apresentam altos teores de chumbo

Pesquisa mostra que 58% dos suplementos apresentaram índices de chumbo superiores aos aceitáveis e que isso se deve, provavelmente, a uma tentativa de reduzir os custos de produção por parte das empresas que fabricam o produto. A maior parte do efetivo de

  
  

Pesquisa mostra que 58% dos suplementos apresentaram índices de chumbo superiores aos aceitáveis e que isso se deve, provavelmente, a uma tentativa de reduzir os custos de produção por parte das empresas que fabricam o produto. A maior parte do efetivo de bovinos do Brasil concentra-se no estado do Mato Grosso do Sul.

Para alimentar os animais, muitos criadores utilizam os suplementos alimentares de sal mineralizado, que são fabricados por indústrias produtoras e/ou misturadoras.

No entanto, nem sempre as matérias-primas utilizadas na composição dos suplementos são de qualidade. É o que mostra estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina e da Comissão Nacional de Energia Nuclear.

De acordo com artigo publicado na revista Ciência Rural, na edição de julho/agosto de 2003, `as indústrias produtoras e/ou misturadoras, visando baratear custos, para ganhar mercado e garantir suas vendas, utilizam fontes de matérias-primas escolhidas pelo preço mais acessível, inclusive por importação`.

Segundo os pesquisadores, uma das maiores preocupações é com a presença excessiva de chumbo nesses suplementos, já que ele pode causar alterações orgânicas importantes, modificar a performance dos animais, acarretando, inclusive, alterações no sistema reprodutivo dos bovinos, como o abortamento.

Para a pesquisa, foram colhidas 19 amostras de sal mineral: oito diretamente do estoque disponível em estabelecimentos comerciais e 11 de fazendas colaboradoras.

Segundo a equipe, `foram colhidas marcas mais comercializadas nos maiores centros pecuários do estado e as análises foram efetuadas no Laboratório da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN/Poços de Caldas - MG)`.

Das 19 amostras, os pesquisadores constataram que 11 estavam com níveis de chumbo superiores ao limite máximo de 30ppm permitido pelo National Research Council (Conselho Nacional de Pesquisa).

O maior valor encontrado foi de 460ppm e refere-se a uma formulação mineral comercializada no município de Paranaíba.

Para a equipe, a maior suspeita é de que `a presença de chumbo na mistura esteja incorporada às fontes de fósforo, porque estas representam o maior custo na composição de um sal mineral, induzindo os fabricantes a buscá-la em fontes alternativas mais baratas`.

Além de afetar o desempenho reprodutivo dos bovinos, os cientistas ressaltam que a absorção de cálcio pelos animais também pode ser prejudicada pela presença de chumbo em formulações minerais e que existe a possibilidade de uma formulação mineral contaminada comprometer a cadeia trófica alimentar, atingindo, inclusive, o homem.

Este aspecto representa, segundo eles, `a curto prazo e em larga escala, riscos à saúde pública pelo consumo de produtos e sub-produtos de origem animal potencialmente comprometidos`.

Para evitar maiores problemas, a equipe alerta para a necessidade de as empresas misturadoras zelarem pela pureza das matérias-primas de suas formulações, além de `se fazer necessária uma maior vigilância e adequação prática dos ensaios contínuos de rastreabilidade, assegurando que os produtos e subprodutos de origem animal, brasileiros, sejam de inexorável qualidade e oriundos de inquestionáveis criações, já que o país é detentor do maior rebanho comercial de bovinos no mundo`.

Fonte: Agência Notisa

  
  

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