Sustentável 2007 reúne empresas de olho na perenidade

Evento discute ações globais dos vários setores sociais para o combate ao aquecimento do planeta e pelo desenvolvimento sustentável, tratando de educação e inclusão social através de aliança

  
  

Evento discute ações globais dos vários setores sociais para o combate ao aquecimento do planeta e pelo desenvolvimento sustentável, tratando de educação e inclusão social através de alianças intersetorias; ética, transparência, riscos e oportunidades de empresas, finanças sustentáveis e estratégias de negócios com a base da pirâmide socioeconômica são outros enfoques.

Aberto nesta terça-feira, o 2o Congresso Ibero-Americano sobre Desenvolvimento Sustentável (Sustentável 2007) discutirá até quinta-feira (26), em São Paulo, o tema “Mundo Sustentável: visão, painéis, riscos e senso de urgência". A programação (http://www.sustentavel.org.br/) intensa prevê 9 painéis (na parte da manhã) e doze oficinas de aprofundamento (na parte da tarde), nas quais será possível encontrar especialistas internacionais convidados para o evento. Na abertura estiveram presentes representantes de lideranças empresariais e de organizações não-governamentais, além de o Prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, acompanhado de seu Secretário do Meio Ambiente Eduardo Jorge.

Pouco antes da solenidade oficial de inauguração, o engenheiro e presidente-executivo do CEBDS – Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, realizador do evento que deve reunir cerca de 5 mil pessoas, foi enfático: “Estamos em um momento de ruptura; e o mundo já vive uma situação de restrições de bens naturais e essenciais à vida do planeta. Somos obrigados a enfrentar o problema do aquecimento global, das emissões de carbono acima dos níveis naturalmente regulados pela terra ou da iminente escassez de água”, disse. Para ele, “ou revertemos esse quadro e modificamos nosso padrão de desenvolvimento econômico e de consumo de maneira ordenada, ou deixaremos que o estado de tragédia o faça”.

No mesmo momento, o coodernador de campanhas do Greenpeace Brasil Marcelo Furtado falou sobre a proposta de um Pacto de Ação em Defesa do Clima. O documento lançado ontem, e já assinado pelo CEBDS, Petrobrás, Alcoa, WWF-Brasil e Greenpeace, tem como objetivo promover a adoção de medidas urgentes que contemplem a valorização de matrizes energéticas limpas, estímulo a inovações tecnológicas em todos os setores produtivos e a criação de mecanismos políticos, jurídicos e econômicos no Brasil, além de a introdução de hábitos de consumo mais sustentáveis em nossa sociedade.

Marcelo Furtado quer que esta discussão se dê nos três setores da sociedade: empresários, governo e sociedade civil, afinal, o Brasil é o quarto maior emissor de gases do efeito estufa, apesar de participar do grupo de países em desenvolvimento. Cerca de 75% dessas emissões vêm da apropriação e uso do solo, onde a agropecuária e o desmatamento na Amazônia são hoje vilões. O dirigente do Greenpeace acredita que o pacto ajude a mobilização em prol de ações concretas e urgentes, onde seja ocupado um vazio de liderança criado por ausência de políticas efetivas do governo para a questão do aquecimento planetário. Os desafios não cumpridos por nossos governantes até agora referem-se ao problema do desmatamento e à questão das energias renováveis.

“Acredito que o desafio seja maior para as empresas, pois o Pacto prevê mudanças radicais nas atuais práticas degradantes normalmente empregadas por elas”, opina Furtado. A Petrobrás, signatária do documento, tem metas para passar de uma empresa de petróleo para uma empresa de energia, trabalhando com biomassa em um primeiro momento, e com as energias eólica e solar, em uma segunda etapa. No entanto, as metas são tímidas”, conclui ele.

A pressão sobre o governo é outro objetivo do movimento ambientalista - está para ser marcada nos próximos dias uma reunião com representantes de sete Ministérios para equalizar o uso das áreas florestais já degradadas : quanto será recuperado (especialmente áreas de mananciais) e quanto poderá ser destinado ao uso agropecuário, bloqueando assim, o avanço ao desmatamento para esses fins.

A Sustentável 2007 (www.sustentavel.org.br) é realizada em parceria com o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD), entidade que reúne 190 corporações cujo faturamento conjunto é da ordem de US$ 5.4 trilhões ao ano. São parceiros a Organização das Nações Unidas para a Educação (UNESCO), o Instituto de Estudos Avançados da Universidade da ONU (UNU/IAS), o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), os ministérios brasileiros do Meio Ambiente e das Relações Exteriores, e as organizações Nature Conservancy e WWF-Brasil.

O evento que se realiza no Auditório Ibirapuera, conta ainda com a Feira de Sustentabilidade, que ocorre em paralelo na Marquise e tem vasta programação cultural e artística gratuita, além de apresentar projetos socioambientais e culturais nos estandes de ONGs e empresas participantes.

Por Isabel Gnaccarini
Fonte: Agência Envolverde

  
  

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