Ativistas do Greenpeace protestaram contra a energia nuclear no Fórum Social Mundial

Junto com outras ONGs, o Greenpeace protestou na manhã de sexta-feira (24) contra o desenvolvimento da energia nuclear no Brasil. O protesto, realizado em frente ao Anfiteatro do Por do Sol, foi endereçado ao novo Presidente brasileiro, Luís Inácio Lula d

  
  

Junto com outras ONGs, o Greenpeace protestou na manhã de sexta-feira (24) contra o desenvolvimento da energia nuclear no Brasil. O protesto, realizado em frente ao Anfiteatro do Por do Sol, foi endereçado ao novo Presidente brasileiro, Luís Inácio Lula da Silva, pedindo que ele desista da construção da planta nuclear de Angra III, localizada no estado do Rio de Janeiro, e apóie programas de incentivo às fontes renováveis de energia, tais como pequenas hidroelétricas, solar (incluindo fotovoltaica), eólica e biomassa moderna.

Ativistas também foram convidados a assinar cartões de protesto contra Angra III e a favor das novas fontes renováveis de energia, o que marcou o lançamento da campanha que a organização ambientalista promoverá até maio de 2003, quando será realizada a próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Todas as mensagens de protesto do público serão entregues ao Presidente Lula antes dessa reunião.

O protesto começou com o som de sirenes alertando para os perigos da energia nuclear. Centenas de ativistas participaram simulando suas mortes sobre uma enorme faixa com o símbolo nuclear, na qual lia-se “Angra III Não!”. Acima da faixa, havia também uma outra mensagem: Energia Renovável Já!”.

O protesto marcou o lançamento da Campanha “Escolha Energia Positiva” no Brasil. Essa campanha promovida pelo Greenpeace faz parte de um esforço internacional para estimular a implementação de energia limpa e a eliminação de fontes perigosas de energia, como a nuclear e os combustíveis fósseis, os quais são a principal causa das mudanças climáticas que representam uma séria ameaça para a segurança ambiental do planeta.

“Sem dúvida, nós não teremos desenvolvimento se não tivermos energia”, disse Frank Guggenheim,diretor-executivo do Greenpeace Brasil,“Nós só alcançaremos o desenvolvimento sustentável com energia de fontes renováveis. O Brasil precisa confirmar os compromissos feitos no ano passado durante a Rio+10, e precisa manter sua tradicional liderança nas energias renováveis e na luta contra as perigosas mudanças climáticas”.

A energia nuclear é extremamente perigosa, cria um legado nuclear mortal por milhares de anos, e é o meio mais caro que a humanidade já utilizou para gerar eletricidade.

Estima-se que os custos de Angra II, a última
aventura nuclear do Brasil, superaram os US$ 10 bilhões, sem contar os custos de armazenamento do lixo radioativo a longo prazo, eventual descomissionamento da usina e os custos da segurança reforçada necessária em todas as instalações após o fato de 11 de Setembro. Enfim, a energia nuclear não é sustentável sob nenhum ponto de vista.

Por outro lado, as novas renováveis apresentam inúmeras vantagens. Dar prioridade para políticas públicas de novas fontes renováveis de energia significaria ganhos internos reais, já que o Programa de Incentivo às Fontes Renováveis de Energia (PROINFA) foi aprovado em abril pelo governo federal. Ou seja, as ferramentas para ampliar estes opções ambientalmente corretas já existem.

O Brasil desenvolveu tecnologia própria para o uso de álcool como combustível. A possibilidade de uso de biomassa está aberta para a geração de uma enorme quantidade de energia com menor impacto ambiental.

Isso ainda poderia ser aprofundado através da queima de bagaço de cana para gerar eletricidade. Existe um potencial significativo a ser desenvolvido na área solar de baterias fotovoltaicas para suprir a necessidade da população que ainda não tem acesso à eletricidade.

“A energia eólica, que também é uma opção saudável, está bem desenvolvida em outras partes do mundo e seu potencial é imenso na América Latina. Existem várias experiências no mundo que devem ser vistas como modelos para implementação no Brasil. Isso sem contar as pequenas hidroelétricas, que podem produzir energia elétrica de maneira descentralizada e com pequeno impacto ambiental”, completou Guggenheim.

No sábado dia 25 de janeiro , especialistas do Greenpeace participaram, junto com outras ONGs, da oficina “Estratégias frente à expansão nuclear no Brasil e na Argentina”, que foi realizada na PUC-RS, em Porto Alegre, das 14:00 às 18:00h.

Fonte: Greenpeace

  
  

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