Biogás poderá suprir uma cidade inteira do oeste do Paraná

A experiência , que reúne 33 famílias de agricultores, é um caso de sucesso

  
  

A partir de 2014, Entre Rios do Oeste, no Paraná, município de 4 mil habitantes, localizado em uma região de alta produtividade agrícola e pecuária, dará o primeiro passo para se tornar autossuficiente em energia elétrica, térmica e automotiva, com base na produção do biogás, gerado do aproveitamento de esgotos urbanos e dos dejetos gerados por suínos e gado.O aproveitamento do biogás para produzir energia será um dos casos
apresentados no 2º Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico

Local, que discutirá o sucesso de modelos locais de características sustentáveis, capazes de gerar emprego e renda para a comunidade. Mais de 2,5,mil pessoas de 55 países já confirmaram participação no evento, entre os dias 29 de outubro e 1º de novembro, em Foz do Iguaçu.

Recursos garantidos

Depois de três anos de estudos, o projeto de saneamento de Entre Rios do Oeste, que prevê o aproveitamento dos dejetos de animais e dos esgotos urbanos para produção de biogás, recebeu sinal verde da Diretoria de Energia da Copel para ter a sua primeira fase financiada pelo Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que regulamenta o mercado de eletricidade.

O projeto, desenvolvido pela Plataforma de Energias Renováveis de Itaipu e Copel, deverá ser executado pela prefeitura e vai receber R$ 14 milhões em recursos para a implantação da primeira fase. Essa etapa compreende 63 das 93 propriedades rurais produtoras de suínos e gado de leite localizadas no município.

Estas propriedades podem produzir 12 mil metros cúbicos de biogás por dia, suficientes para gerar energia elétrica para atender toda a demanda dos prédios públicos municipais, incluindo as escolas, e suprir a iluminação pública. Haverá ainda uma sobra de 44% deste volume, que será utilizada para abastecer com energia térmica a maior olaria do município, substituindo o uso de lenha, cada vez mais escassa.

Uma autarquia municipal, criada por lei da Câmara de Vereadores, ficará responsável pela implantação e fiscalização das obras e ainda pelo gerenciamento das energias geradas no projeto, após a implantação.

Ainda sem esgoto

De acordo com estudos da Prefeitura local, só os 130 mil suínos do meio rural produzem dejetos com carga orgânica equivalente à produzida por 520 mil pessoas.

Esses dejetos, quando não tratados de maneira adequada, podem gerar contaminação dos solos e das águas, proliferação de algas e produção de gases do efeito estufa.

A cidade enfrenta ainda outro problema: não dispõe de serviço de coleta de esgoto, que será implantada na segunda fase do projeto.A ideia de transformar esse passivo ambiental em oportunidade de desenvolvimento surgiu do êxito da implantação do projeto do Condomínio do Ajuricaba em Marechal Cândido Rondon, na mesma região, baseado nos mesmos preceitos de reaproveitamento de dejetos. A experiência, que reúne 33 famílias de agricultores, é um caso de sucesso.

Em Entre Rios, a iniciativa recebeu o apoio da prefeitura e da Agência de Desenvolvimento Regional do Extremo Oeste do Paraná (Adeop).

O programa tem o apoio do Parque Tecnológico Itaipu (PTI) e da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi).

Vantagens

Segundo o superintendente de Energias Renováveis de Itaipu, Cícero Bley Júnior, “a geração distribuída feita a partir de energias primárias, como biogás, lenha e algas, entre outras, promove sustentabilidade do desenvolvimento local, pois agrega externalidades positivas, como a redução da poluição hídrica e atmosférica”.

Mas, além disso, prossegue, “ativa uma forte economia local, baseada na formação de uma cadeia de suprimentos que vai desde os serviços de planejamento e projetos até a indústria e comércio de suprimentos, serviços de instalação e manutenção, entre outros”.

A energia em geração distribuída é um vetor de desenvolvimento sustentável local, com impactos econômicos, sociais e ambientais, diz o especialista.

As economias municipais que têm base no agronegócio podem obter o biogás para suprir suas demandas energéticas. Um levantamento recente feito pela Assessoria de Energias Renováveis da Itaipu Binacional mostra que, só no Paraná, “130 dos 395 municípios apresentam condições para usufruir desta riqueza”.

Início

O primeiro passo rumo à transformação de Entre Rios do Oeste para a autossuficiência energética começou em dezembro de 2009, com a elaboração do diagnóstico do potencial energético do município voltado à produção de energias renovável, seguindo-se a elaboração de estudos de viabilidade de aplicação.

O biogás produzido nas propriedades deverá ser transportado por meio de tubulação de gasoduto até uma central de aproveitamento do biogás.

Nessa central, o biogás poderá ser convertido em energias elétrica, térmica e elétrica e também em Gás Natural Renovável (GNR) para o abastecimento de veículos automotores.

A utilização de biogás também pode ser empregada na substituição do gás de cozinha e da lenha utilizada na secagem de grãos. Na área urbana, o programa prevê a implantação da rede coletora de esgoto. Quase 75% das residências contam com fossas rudimentares e 25% com fossas sépticas. Os resíduos sólidos serão integrados ao sistema de tratamento.

Potencial

De acordo com a Itaipu, o potencial de produção de biogás do município é de 6.760.150,2 m³/ano. A utilização do biogás para suprir a demanda de energia térmica e elétrica do Paço Municipal de Entre Rios do Oeste, da Cerâmica Stein e da Fábrica de Ração da Copagril, por exemplo, consumiria 3.107.019 m³/ano de biogás.

A economia gerada pela utilização de energia elétrica produzida a partir do biogás no período chegaria a R$ 385.424,67.

O excedente, de 3.653.313,2 m³/ano, poderá ser utilizado para abastecer as residências com a substituição do gás de cozinha, utilização nas propriedades rurais e para abastecer veículos automotores.

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Fonte: Itaipu

  
  

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